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Quinta, 01 Outubro 2020
Missão Vital: levar Patrício a nº1 da Selecção PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Domingo, 12 Junho 2011 12:00
Foto: VitalIntegrado na equipa técnica de Domingos Paciência, Jorge Vital é o novo treinador de guarda-redes do Sporting. Um homem com raro capital de experiência, primeiro como atleta e depois como técnico, moldando as mãos de alguns dos melhores guardiães do futebol português nos últimos anos. Fundamental na forma consistente patenteada por Quim durante anos, depois pela revelação de Eduardo como um exemplo de tranquilidade entre os postes, finalmente pela surpresa de, na mesma época, transformar dois brasileiros (Felipe e Artur) em pilares defensivos do Braga, equipa que chegou à final da Liga Europa. Agora em Alvalade, Vital tem como prioridades de trabalho garantir que Rui Patrício consolide a posição nas redes leoninas e progrida de modo a dar o salto e a voar para a titularidade na Selecção, destronando Eduardo... quando já se vai sentindo o "cheiro" da fase final do Euro'2012.



O projecto de elevar Rui Patrício a número um de Portugal está perfeitamente definido no horizonte de trabalho em Alvalade e configura mais um grande desafio na carreira de Vital, o moldador de guardiães. Se, quando chegou ao Minho, encontrou em Quim um guarda-redes com potencial já relativamente consagrado, Eduardo foi por ele trabalhado quase desde o início da carreira. O guardião que o Braga vendeu ao Génova por quase cinco milhões de euros tinha 17 anos e alinhava pela equipa B aquando da chegada de Vital, então a dar os primeiros passos na função. "Foi uma pessoa fundamental no meu crescimento. Na maneira como me incentivou, como puxou por mim, como foi capaz de me motivar nas horas difíceis", conta o guarda-redes da equipa menos batida da Liga portuguesa em 2009/10, com apenas 20 golos sofridos, titular da primeira até à última jornada, totalista em minutos de jogo disputados.

Apesar de manter intactas as qualidades na equipa das Quinas, Eduardo teve uma época intermitente em Itália, acabando mesmo por ser alvo de comentários depreciativos que puseram em causa a sua competência para defender as redes da equipa genovesa. E talvez se possa extrair dessa irregularidade exibicional mais uma prova (ainda que dada indirectamente) da valia de um treinador que, segundo o próprio Eduardo, "é uma excelente contratação para o Sporting". Um técnico que, como acrescenta, tem resultados para apresentar, o que, nesta função, não é para todos: "O trabalho dele no Braga fala por si. É um homem capaz de fazer despontar grandes guarda-redes."

Mas não foi Eduardo o primeiro fenómeno a esse nível que saiu das mãos de Vital. Antes disso, Paulo Santos brilhou e logo em duas épocas consecutivas. Se uma defesa como a dos bracarenses consegue ser a segunda menos batida da Liga em duas épocas seguidas (2004/05 e 2005/06), é óbvio que grande fatia do mérito tem de ser atribuída ao treinador, Jesualdo Ferreira, assim como à organização defensiva. Mas Paulo Santos e, consequentemente, Jorge Vital, também tiveram o seu quinhão. "É um excelente treinador, preocupa-se com todos os aspectos do treino. Como ele, em Portugal, não há muitos", comenta o agora guardião do Rio Ave.

Um grande psicólogo na equipa de Domingos

A melhor defesa da história, num Brasil-Inglaterra do Mundial de 1970, fê-la Gordon Banks, guarda-redes que então deteve em voo espectacular um cabeceamento de Pelé. O mesmo Banks teve depois uma tirada que resume em poucas palavras todo o envolvimento psicológico desta posição específica. "Todos os jogadores de campo falam da pressão que sofrem em jogos de alto nível, mas quando falamos de tensão mental tudo é fácil comparado com o que sentem os guarda-redes", disse o inglês, especificando um ponto que Silvano de Lucia, treinador de guarda-redes nos últimos dois títulos leoninos, também considera crucial: a pressão. Quando um guardião consegue eliminá-la por completo, tem meio caminho andado para brilhar. "O mais importante num guarda-redes é a frieza. Não pode ser emotivo. É tudo uma questão de confiança. Têm de estar tranquilos, temos de lhes retirar toda a pressão", comenta o italiano.

Pelo que se depreende dos comentários de quem trabalhou com Jorge Vital, o adjunto de Domingos Paciência - que não o levou de Braga para Alvalade por mera simpatia pessoal... - tem na faceta psicológica uma das suas principais virtudes. "É uma pessoa que gosta de conversar connosco, que aborda muito o lado íntimo dos jogadores, gosta de saber o que se passa com eles na vida pessoal. Como um amigo e, ao mesmo tempo, como um psicólogo", explica Mário Felgueiras, que com ele trabalhou durante pouco mais de uma época, também no Braga. "Tem excelentes qualidades humanas, é um grande homem. Ajudou-me bastante a evoluir como jogador", acrescenta, em opinião também partilhada por Eduardo. "É um excelente ser humano. Nos maus momentos tem sempre uma palavra de carinho, o que nos faz sentir bem", diz o agora genovês, confirmando o talento emocional de um homem que, como frisa Paulo Santos, é um líder nato... sem ser um ditador: "Dá liberdade aos jogadores. Não é muito rígido nas exigências que faz, admite que os jogadores acrescentem algo ao processo de aprendizagem."

E se na vertente psíquica revela doses generosas de flexibilidade, na componente prática não facilita: Vital é um estudioso aplicado e rigoroso ao máximo na transmissão dos conhecimentos que foi adquirindo ao longo de uma experiência profissional rica. "É muito metódico e vai sempre até ao último pormenor. Estudioso, é evoluído tecnicamente se comparado com os outros que tive", descreve Mário Felgueiras. Os seus treinos são tudo menos monótonos, reflexo da riqueza proporcionada pelo estudo intensivo. "São bastante agradáveis", adiciona Felgueiras, e Paulo Santos concorda: "Os treinos nunca são monótonos, o que faz com que estejamos sempre motivados para treinar." Dias bons se avizinham para Rui Patrício.

Ideal para prolongar a carreira de Tiago

O último treinador de guarda-redes campeão nacional pelo Sporting chama-se Silvano de Lucia, um italiano que chegou a Alvalade pelas mãos de Giuseppe Materazzi em 1999/2000. Dois anos depois, sob as ordens do chefe romeno Laszlo Boloni, batalhou pela manutenção de Tiago no plantel: "Boloni dizia que ele era muito jovem e que queria um homem. Eu disse-lhe: 'Não, primeiro vamos vê-lo!' E assim foi. Fomos a um torneio em Espanha, Vigo, e Tiago defendeu tudo, até um penálti. Então eu disse a Boloni: 'Não precisamos de mais nenhum.'" E Tiago ficou no clube... até hoje. Tem 36 anos e vai lucrar com a aquisição de Vital, que jogou em bom nível até aos 39 anos. "Não tenho dúvidas de que o Tiago tem qualidade para continuar a ser o segundo guarda-redes do Sporting", afirma um italiano que teve também ao seu cuidado um dos melhores guardiães da história do clube, Peter Schmeichel: "Ele pesava 104 kg! Quando saía da baliza parava tudo, os avançados nem se faziam à bola. Mas era complicado geri-lo, já tinha 36 anos. Eu dizia-lhe que ele estava pesado, que precisava de trabalhar, mas Schmeichel respondia que não precisava e então só fazia dois treinos específicos por semana."

Quem mede apenas 1,72 m só lá vai com agilidade

Jorge Vital vai trabalhar afincadamente para levar o principal guardião do Sporting à titularidade da Selecção. Um objectivo que, para ele, há 22 anos, quando era titular da baliza leonina, constituía uma tarefa quase impossível. Pequenino para a função (1,72 m de altura), diz quem se lembra que Vital era, porém, extremamente ágil e corajoso como poucos a sair dos postes. Apesar disso, nunca conseguiu brilhar em Alvalade, somando apenas 39 partidas nas quatro épocas em que vestiu de verde e branco, conquistando um troféu, uma Supertaça, que teve final a duas mãos frente ao Benfica, ambas com ele a titular. Se regressa pela porta grande, não é menos verdade que saiu pela porta pequena, ingressando no Estrela da Amadora, onde agarrou de imediato a titularidade. "Tinha óptimos reflexos. Não era muito alto, mas compensava com uma enorme agilidade", recorda Rui Neves, companheiro de equipa na Reboleira. Mas, mais do que as qualidades desportivas, este antigo defesa polivalente destaca as humanas: "Tinha uma grande paixão pelo que fazia. Era uma pessoa que se relacionava bem com toda a gente e, se os guarda-redes têm fama de serem malucos, ele, pelo contrário, não correspondia nada a esse mito. Era uma pessoa responsável."

Teoria e prática: 32 anos a acumular experiência e saber

No mínimo longa é como se pode definir a carreira de Jorge Vital enquanto jogador. Foi praticante até aos 39 anos este guardião que, além de estar quatro épocas em Alvalade, alinhou em nove emblemas de norte a sul do país, desde o União de Tomar, da terra-natal, onde iniciou a carreira, passando por Lusitano de Évora, Esposende (onde terminou), Gil Vicente ou Portimonense. Foi neste emblema algarvio que, após um brilharete nas competições europeias, deu nas vistas a ponto de ingressar no Sporting. No total, foram 22 épocas como futebolista, a que se somam agora mais dez enquanto treinador. Já nesta função, fez questão de aliar a componente teórica à sempre importante prática. Tirou o curso de treinadores por completo (IV Nível), chegando a ser inscrito como treinador principal do Braga aquando da passagem de Jorge Costa - que não tinha as habilitações mínimas para tal - pelos minhotos. É hoje reconhecido por todos como uma das pessoas teoricamente mais habilitadas no País, sendo frequentemente convidado para dar prelecções nos mais variados cursos e acções de formação para guarda-redes que, finalmente, se vão intensificando em Portugal.

Carreira como treinador de guarda-redes

2011/12 Sporting
2010/11 Braga
2009/10 Braga
2008/09 Braga
2007/08 Braga
2006/07 Braga
2005/06 Braga
2004/05 Braga
2003/04 Braga
2002/03 Braga
2001/02 Braga

Carreira como jogador

2000/01 Esposende
1999/00 Esposende
1998/99 Esposende
1997/98 Gil Vicente
1996/97 Gil Vicente
1995/96 Gil Vicente
1994/95 Gil Vicente
1993/94 Gil Vicente
1992/93 Tirsense
1991/92 E. Amadora
1990/91 E. Amadora
1989/90 Sporting
1988/89 Sporting
1987/88 Sporting
1986/87 Sporting
1985/86 Portimonense
1984/85 Portimonense
1983/84 Lusitano Évora
1982/83 Lusitano Évora
1981/82 Rio Maior
1980/81 U. Tomar
1979/80 U. Tomar

Rui assina contrato antes de renovar

Em vias de prolongar a ligação contratual ao Sporting, Rui Patrício assinou ontem à tarde um compromisso para a vida: foi na Igreja da Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, que o guarda-redes celebrou matrimónio com Joana, sua namorada de longa data. A cerimónia foi abrilhantada pela presença do seleccionador nacional, Paulo Bento - o homem que o lançou no Sporting e o aproveita na equipa das Quinas -, e de muitos colegas de plantel e de profissão - João Moutinho, Tonel, João Pereira, André Santos, Postiga, Pereirinha, Tiago, Daniel Carriço, Tiago Pinto e João Martins, entre outros.

 

In ojogo.pt


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