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Cherbakov: «Metalist? O Sporting ganha fácil» PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Terça, 27 Março 2012 16:09

120327_cherbakovO Maisfutebol falou com o único ucraniano da história leonina: esquerdino torce pelo Sporting e garante que o Metalist não lhe diz nada.

 

Falar de Cherbakov traz muito de memórias amargas. O esquerdino chegou a Portugal com uma mão cheia de ameaças. Tinha sido o melhor marcador do mundial de juniores e era um dos mais animadores projetos de futebolista do continente europeu. O futuro era dele, portanto.

O resto já se sabe.

Um acidente de automóvel, numa madrugada de Dezembro, roubou-lhe os sonhos. Atirou-o para uma cadeira de rodas. O Sporting perdeu a promessa quase cumprida, mas não perdeu o sportinguista. Cherbakov continua a dizer que torce de verde e branco. É o clube da sua vida.

Atende o telefonema do Maisfutebol em Moscovo para falar numa qualidade rara: ele é o único ucraniano que vestiu a camisola leonina. «O Sporting teve sorte com o sorteio», atira rápido. «Pode ganhar fácil. Pode ganhar os dois jogos, mas quinta-feira em Alvalade ganha de certeza.»

Cherbakov ficará todo contente, adianta. Ele que, apesar de viver na Rússia, diz sentir um coração ucraniano a bater no peito. Tanto assim, aliás, que depois da separação da União Soviética começou por representar a Rússia em sub-21. Mais tarde, fez a escolha lógica: vestiu a camisola ucraniana.

Nas palavras nota-se um certo lamento para queda do antigo império soviético. «Isto já não é nada do que foi antigamente», atira. «Agora há a Ucrânia, a Rússia, a Bielorrússia... O Metalist é uma equipa ucraniana, tudo bem, mas não me diz nada. Nasci em Donestk e cresci no Shakhtar.»

Cherbakov: «Sporting não tem de jogar bonito, tem de ganhar»

Também ele, como outros ucranianos, sente pouca proximidade com um clube de uma cidade distante e pouco representativo do país. «Na quinta-feira o Metalist deve jogar com nove ou dez estrangeiros. Nove ou dez», repete. «O futebol ucraniano hoje em dia não representa o país.»

Do adversário leonino diz nem sequer saber muito. «É uma equipa muito distante do Shakhtar ou do Dínamo Kiev. Não tem o mesmo poder. É um clube para andar em terceiro ou quarto lugar na liga ucraniana. Na Europa é mais perigosa, porque pode utilizar mais estrangeiros, mas é acessível.»

«Por isso digo que o Sporting teve sorte. Sobram oito equipas na Liga Europa e a maior parte delas são muito fortes. Podia ter saído um At. Madrid ou um At. Bilbao. Aí sim, ia ser difícil», sublinha. «Assim acho que o Sporting segue em frente. Entrando nas meias-finais, tudo pode acontecer.»

Apesar da distância, Cherbakov continua muito bem informado sobre o Sporting. «Mantenho o contato com o Izmailov», conta. «Ele conta-me como vão as coisas. Também vejo alguns jogos. O Sporting já perdeu tudo esta época. Só sobra Liga Europa e a Taça de Portugal não pode falhar.»

À distância promete ficar a torcer para que Sá Pinto chegue longe. «Já ouvi falar muito bem dele. Mas é preciso dar-lhe tempo. O Sporting precisa de tempo.» Do Metalist, nada mais. «Só vejo os jogos que faz na Europa. Não me diz nada. Os clubes da minha vida são o Shakhtar e o Sporting.»

 

Há imagens difíceis de esquecer: uma delas data de 18 de Dezembro de 1993 e recorda Figo a correr de punho cerrado, lágrimas nos olhos e gritos de «Cherba, Cherba» a saíram-lhe da boca. O esquerdino do Sporting tinha ficado paraplégico poucos dias antes, nessa mesma semana.

Foi há dezoito anos. O tempo passou e com ele levou as mágoas. Cherbakov volta a sorrir. Por exemplo quando se lhe fala de outra das tais imagens difíceis de esquecer: uns meses antes, num jogo com o Beira Mar, fez um golaço. Quando se fala desse momento, Cherbakov não sorri.

Cherbakov solta a gargalhada.

«Foi eleito o melhor do campeonato», atira. «Foi um canto da esquerda do Balakov, eu estava na esquina da grande área e rematei ao ângulo sem deixar cair a bola. Foi um grande golo.» Eram os dias felizes em que o Sporting não ganhava, mas fazia sonhar os adeptos. Os dias de Alvalade cheio.

Fazem falta grandes golos destes ao Sporting?, pergunta-se. «Não», responde rápido. «O Sporting não precisa de jogar bonito, o Sporting precisa é de ganhar. Precisa de recuperar a paixão dos adeptos. Gastou muito dinheiro em contratações, tem muito talento na equipa, precisa de tempo.»

«Mas o tempo só se consegue com paciência e com vitórias. O Sporting mudou tudo este ano. Tem uma direção nova, um treinador novo, jogadores novos. O Sá Pinto acabou de chegar, é uma pessoa com muito amor pelo clube. Não joguei com ele, mas conheço-o bem. Espero que tenha sorte.»

Mesmo a milhares de quilómetros, Cherbakov segueo Sporting. Portugal nunca lhe saiu do coração. «Todos os anos vou aí», confessa. «Em Julho e Agosto vou sempre passar férias a Portugal. Fico em casa de uns amigos no Estoril e mato saudades das pessoas e do país», conta ao Maisfutebol.

Tirando esses dois meses, segue o Sporting pela comunicação social e pelas conversas com os amigos. «Falo muito com Izmailov. Também mantenho contato com o Figo. O Sporting está muito mal. Quarto lugar? Quinto lugar? O que é isto? O Sporting tem de lutar pelo título, tem de ganhar.»

Sem se deter no discurso, Cherbakov fala com paixão. «Há muito tempo que não ganha nada. Antes de mais tem de começar a ganhar. Depois sim, pode pensar em jogar bonito. Jogar bonito e não ganhar não serve para nada. Espero que o Sá Pinto tenha tempo para colocar a equipa a ganhar.»

Ora Sá Pinto tem uma grande vantagem em relação aos antigos treinadores: o apoio dos adeptos. «Isso é muito importante», atira. «Estou curioso para ver como se vai sair. Este ano tem a a Taça e a Liga Europa ainda para jogar. Espero que ganhe alguma coisa.» Cherbakov promete festejar.
 

 

In http://www.maisfutebol.iol.pt/


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