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Djaló explodiu para o novo Sporting PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 30 Maio 2011 12:45
110505_djaloSe puxássemos a fita poucos meses atrás, quem o diria? Valeu aos leões um despertar de Yannick Djaló na ponta final de mais uma corrida de pesadelo na Liga ZON Sagres para, perto da meta e através do pé direito do veloz atacante, a equipa chegar ao fim da prova e subir ao terceiro lugar do pódio após discussão directa em Braga com os senhores da casa. Na recta final, o avançado logrou, além do precioso auxílio ao colectivo, uma notoriedade individual que o torna em aposta prioritária para o novo Sporting de Duque, Freitas e Domingos, onde a escassez - para já - de extremos faz dele um bem precioso. Para mais, as suas características específicas - velocidade na transição e tendência para diagonais interiores a partir dos corredores laterais - encaixam perfeitamente no modelo que o novo técnico pretende implantar no leão. Importa, pois, saber a que se deve tão positiva transformação de Djaló.

A fechar mais uma estação decepcionante a nível global e pródiga em flutuações no plano particular, o camisola 20 do Sporting foi, contudo, protagonista de mais do que um mero acordar. Já com José Couceiro a suceder a Paulo Sérgio, o versátil dianteiro mostrou a sua melhor face. Calou apupos e silenciou assobios, sendo instrumental no alcance do mínimo dos mínimos para os verdes e brancos. Controlou os nervos, a forma física não o voltou a trair, as veias gelaram-se-lhe na cara do golo, e ele conquistou a total confiança do director que as circunstâncias fizeram assumir a equipa - foi sempre titular com Couceiro. A confirmar a rápida história de uma recuperação, o atacante rugiu mais alto na Pedreira. Mas como? O JOGO inquiriu diversos especialistas obtendo respostas que abrem perspectivas variadas. Impossível foi não tropeçar nos denominadores comuns que se seguem: confiança, valor ainda por explorar, uma versatilidade que pode ser má conselheira e a "urgência" de um atleta de 25 anos ainda a tentar assumir-se por completo.

"As mutações que o Yannick sofreu têm a ver, primeiro, com aspectos colectivos. Quando a equipa não está bem, isso reflecte-se sempre no rendimento individual." A afirmação introdutória pertence a Carlos Pereira, antigo lateral-esquerdo leonino e adjunto de Paulo Bento quando, há quase cinco anos, o hoje seleccionador nacional integrou o luso-guineense no plantel principal. Formando da Academia, Djaló regressava cotado de empréstimo com o rótulo de melhor marcador do terceiro escalão, proeza cometida em defesa do Casa Pia no primeiro ano como sénior. Mas o percurso do camisola 20 tem-se revelado errático desde então.

A culpa aqui até é da própria virtude, como completa Carlos Pereira: "O Yannick também sofreu um pouco com a questão do posicionamento. Ele precisa de espaço para exprimir o seu melhor, não é um jogador para actuar fixo na área. Não reúne esse tipo de características." Igual opinião tem Paulo Sérgio, absoluto crente nas capacidades de um jogador no qual apostou em 23 partidas, 18 delas no onze inicial. Isto na sequência de uma pré-época promissora. O passado recente foi prova disso, como sublinha o homem que comandou os leões até Fevereiro último: "O facto de a equipa não ter tido o sucesso esperado não o ajudou em termos individuais, por forma a que se destacasse e exprimisse todas as suas potencialidades, como é óbvio. Além disso, passou por azares com lesões. As nossas próprias dificuldades em formar o grupo levaram a que nos socorrêssemos da sua polivalência. Ele alinhou muito como extremo, embora, no meu entendimento, assente melhor no conjunto a jogar como segundo avançado."

Mas a confiança sentida é das condições que mais peso ganham. Carlos Pereira volta a enunciar exemplos, do plano mental aos rudimentos técnicos: "Quando foi primeira opção, se calhar sentiu sempre no subconsciente que no próximo jogo poderia não o ser, o que mexe sempre com a confiança do atleta, que é vital. A sua auto-estima fica fragilizada. Havia situações no jogo em que ele tinha dificuldade no simples domínio da bola, e esse não é um defeito do jogador, mas antes o reflexo da ansiedade e da pressão a que a equipa esteve especialmente sujeita nesta temporada. O Yannick não é uma parede onde a bola bate. Tem atributos técnicos."

Para o psicólogo Jorge Sequeira, não restam dúvidas sobre a importância do estado de alma, neste caso dividido em três partes: "Quando as pessoas sentem autoconfiança, confiança nos outros, transmitem a confiança para o exterior; são estes os três tipos de confiança aplicáveis a Djaló. A partir do momento em que o treinador lhe dá total confiança, isso faz com que a ansiedade diminua, fazendo, por consequência, que o jogador se sinta mais confortável perante o risco. Um ponta-de-lança corre riscos em situações de decisão que são especialmente visíveis, num remate, por exemplo."

No divã do treinador

A boa relação de Yannick Djaló com os técnicos tem ajudado à causa e a uma terapia tantas vezes necessária. Até pela própria estabilidade e defesa do jogador um dia descoberto pelos leões na Covilhã, quando, ainda iniciado, batia a concorrência com facilidade veloz em defesa da camisola do Estação. Mesmo quando as coisas não saem de feição, o 20 tem sabido manter a calma, sem reacções extemporâneas, quer no banco, quer na enfermaria, quer até dentro de campo sob assobios... e de tudo isto se viu nesta época. De Paulo Sérgio vem a confirmação: "Estamos a falar de um jogador profissional, humilde, de bom trato, que sabe ouvir, e esse perfil só o pode beneficiar."

Já com Couceiro ao leme, o luso-guineense tornou a ser submetido a "sessões" particulares no divã do técnico. O seu caso foi novamente examinado à lupa e desta feita, em dez partidas, com a equipa a subir, Djaló conciliou o afinco no trabalho com a concentração nas tarefas dentro de uma equipa a jogar pelo orgulho. Não raro, o avançado era visto a conversar à parte com o director convertido em treinador. Com a titularidade garantida e o andar dos jogos, os golos surgiram - dois de belo efeito à Académica e o decisivo em Braga -, e o Sporting entrou nos eixos (possíveis) à custa de muita reabilitação psicológica.

Carlos Pereira congratula-se: "Vá lá que foi assegurado o terceiro lugar, e logo graças ao Yannick. Como sportinguista, fiquei muito satisfeito e aliviado por se ter conseguido o objectivo mínimo possível nesta temporada com um golo dele."

Entre descrença e palmadas nas costas

A montanha-russa que foi esta época para Djaló até começou em excitante alta velocidade e com o reconhecimento de quem sabe da poda. Tal como a equipa, o 20 entrou a toda a brida na promessa de outro Sporting. Em Julho passado, o avançado leonino armou o bom e o bonito frente ao Manchester City durante um torneio de pré-temporada nos Estados Unidos. Rendido, como O JOGO noticiou, Emmanuel Adebayor - então ainda nos citizens - fez questão de cumprimentar o internacional sub-21 português na zona dos balneários. Porém, quando o enlevo aparentava ser total, tudo se esfumou. A crise interna que corroeu a estrutura directiva leonina e os fracos resultados colectivos consequentes não pouparam presidente, treinador, jogadores.

Depois de enfrentar a perda de paciência das bancadas e lesões - chegou a parar um mês, em virtude de uma lesão muscular -, só nos últimos meses os níveis desejados foram atingidos e se conjugaram. Jorge Sequeira aborda a estabilização de Djaló num prisma científico. "Djaló surgiu agora mais concentrado, dando atenção ao relevante, e isso fez disparar a autoconfiança. Também confere mais orgulho, aumenta a coesão da equipa em relação ao próprio jogador. Há um suporte social maior, mais palmadas nas costas, e os aspectos comunicacionais são feitos numa base de maior empolgamento e menor receio. A motivação atinge pontos altos, o quadro mental passa a funcionar de forma positiva", sustentou o psicólogo docente na Universidade do Minho, que não deixa de sublinhar a relevância da correlação entre os diversos quadros mentais, mesmo os potencialmente nocivos. "Quando a ansiedade, a confiança, a motivação e a concentração se coadunam, aumenta claramente a probabilidade de um bom desempenho. A própria investigação já o demonstrou", finaliza.

Couceiro insistiu na movimentação e finalização

Também ele ciente de que Yannick ainda não atingiu a plenitude das suas capacidades, dispondo de uma margem de progressão interessante, apesar dos 25 anos constantes do BI do atleta nascido em Bissau, José Couceiro mostrou desde o primeiro instante em que assumiu o banco leonino que, com ele a tomar opções, não faltariam oportunidades para o avançado. Se tal já sucedera com Paulo Sérgio, com o seu sucessor a utilização do 20 foi uma constante, sempre na condição de titular, mas com trabalho redobrado no plano técnico. O trabalho específico ministrado ao camisola 20 recaiu em dois aspectos-chave, por insistência clara do treinador que já o orientara na Selecção Nacional sub-21. A movimentação recebeu atenção especial. Couceiro procurou inculcar ainda mais no dianteiro uma rápida e eficaz busca pelas diagonais que lhe possibilitassem fácil enquadramento com a baliza, num claro atalho para o golo. A finalização era outra pecha de Yannick, que necessita ainda de melhoramentos. Em Braga ficou a última imagem de Djaló: a farejar o golo desde o apito inicial - facturou o único da partida aos 5', carimbando o terceiro posto no campeonato -, foi ele o principal rosto do perigo que Artur enfrentou em quase todas as situações de golo geradas pelos verdes e brancos.

Paulo Sergio: "Com uma boa equipa, ele vai rebentar!"

Pesem todas as dificuldades em encontrar um rumo, que redundaram na renúncia ao cargo de treinador em mais uma temporada de abalos quase constantes, nem por isso deixa Paulo Sérgio de falar deste Sporting como algo em boa parte seu, para bem ou mal. Assumindo todo o trabalho desenvolvido sem problema e nutrindo admiração pelas faculdades do ex-pupilo, Paulo Sérgio aproveitou para tornar a fazer votos públicos pelo rápido reencontro dos leões com o sucesso... do qual poderá sair um beneficiado especial. "O Yannick está a chegar a uma altura da carreira em que se deve impor em definitivo. Tem potencial para isso, dada a sua versatilidade, que lhe permite jogar ora pelos corredores, ora em espaços interiores do ataque. Desejo que, para o ano, o Sporting possa construir uma grande equipa e que o Yannick possa rebentar e dar finalmente o salto que naturalmente ambiciona", revelou.


In ojogo.pt

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