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Abel: «Este Sporting é competente» PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sexta, 18 Novembro 2011 12:32

111118_abelA direito! É assim com Abel, seja a caminhar na vida, na escolha do lado da defesa onde corre profissionamente há 15 anos, ou no discurso. O Professor combate a agrura de uma lesão grave no joelho direito, recuperando na Academia, pese estar já contratualmente desligado do Sporting, cinco épocas e meia de leão ao peito, duas Taças e outras tantas Supertaças depois. Porém, física e espiritualmente, enquanto espera que o futuro lhe dê mais bolas para jogar dentro de campo, o penafidelense de 32 anos lança um olhar sobre o clube que o marcou para a vida, em exclusivo a JOGO. As diferenças, entre o Sporting que viveu e o que aí está, já as vê. Não são poucas.

 

Chegou ao fim o ciclo do Abel no Sporting, pelo menos como praticante. Que balanço faz?

Mentiria se dissesse que era sportinguista desde pequeno, mas foram quase seis anos. Não é fácil chegar a um "grande". É ainda mais difícil alguém lá manter-se, mas dei a cada momento o melhor que podia e conseguia, mesmo nem sempre estando ao melhor nível. Aprendi a gostar do Sporting. Ganhei laços afectivos, pois as minhas filhas nasceram quando eu jogava no clube. A mais velha, a Maria Inês, é sportinguista, e além do que vivi enquanto atleta, esses laços ligam-me mais do que a própria profissão. Vim do Norte e criei tudo isto. O balanço é positivo. Fiz parte de um grupo que fez história, mesmo sem ser campeão, que é o meu maior amargo de boca. Ganhámos duas Taças de Portugal e duas Supertaças, fizemos história na Liga dos Campeões.

 

Conheceu fases muito críticas. É assim tão difícil trabalhar no clube?

Por vezes não houve paciência. O Sporting precisava de resultados para ontem. Se repararmos na quantidade de jogadores que ainda agora ajudaram Portugal, isso demonstra a qualidade que havia no clube. Este ano não começou tão bem, mas houve fantástico comportamento dos adeptos. O grupo deu a volta por cima, superando as dificuldades. Neste momento o Sporting é seriíssimo candidato ao título. Que os títulos venham já.

 

Qual a diferença para esse pulo qualitativo?

A actual estrutura é composta por pessoas com experiência no futebol. Isso nota-se até de fora. Nos anos anteriores, foram sucessivas as Direcções e nunca havia uma emenda ao erro. A Direcção quando errava, ia embora. O Sporting é sempre quem mais troca na estrutura, e os dirigentes não chegam a aprender com os próprios erros, como acontece com Benfica e FC Porto. Eles têm experiência acumulada. É o caso destas pessoas agora no Sporting. Deu para perceber isso ainda na época passada quando entraram em funções e adoptaram a competência e organização como pré-requisitos.

 

Mas o Abel diz adeus ou até já?

O ciclo como jogador fechou. Falei francamente com Carlos Freitas antes de me lesionar e ficaram claras as intenções do clube. Além de João Pereira, havia na altura Cédric, João Pereira e João Gonçalves. Eu percebo. Faço 33 anos em Dezembro e a minha prosperidade era reduzida e o João Pereira teria normalmente o lugar.

 

Não falaram sobre o futuro?

Sim. Carlos Freitas e Luís Duque fizeram-me uma proposta para treinar nas camadas jovens, mas não aceitei porque pretendo continuar a jogar futebol.

 

Ficou em aberto um eventual regresso nessas ou noutras funções?

Não falámos mais sobre isso. Fizeram-me a referida proposta e não a aceitei. E ela foi-me feita antes e depois de me ter lesionado. Só tinha e tenho na cabeça recuperar e acabar a minha carreira como jogador de outra maneira. E tenho muito a agradecer o apoio de pessoas como, por exemplo, Sá Pinto, que conhece bem este tipo de lesão.

 

"Artur veio cuspir no prato onde comeu"

 

Se as páginas escritas ao serviço do Sporting são as que melhor adornam o livro da carreira que Abel pretende continuar a escrever, não menos orgulho causa ao defesa nortenho a trajectória no Braga, que lhe abriu as portas de Alvalade. Justamente por isso, não entende nem aceita a reacção de Artur Moraes. O guardião ex-Braga, hoje ao serviço do Benfica, falou de "coisas estranhas, do outro mundo", que sempre acontecem na Cidade dos Arcebispos quando ali os encarnados visitam os arsenalistas. Após o último encontro entre as duas equipas, que empatado terminou, o guardião agora ao serviço dos lisboetas fez as supramencionadas afirmações. Abel reage, aludindo ainda às acusações de Alan, alegado alvo de insultos racistas proferidos por Javi García.

"Depois de as coisas se passarem, devem morrer dentro de campo, sem bate-boca cá fora. Tem de haver ética. 'A posteriori' é fácil vir para fora dizer que chamaram preto ou branco a alguém, agora dizer que se passam coisas estranhas... Se o Benfica ganhasse, porventura nem se questionava nada. Como o resultado não agradou, acabaram por falar, o próprio Artur que já esteve no Braga, ao serviço do qual foi catapultado, veio depois, entre aspas, cuspir no prato onde comeu... Detesto falta de gratidão", considera o lateral, consubstanciando: "Não estão em causa a dedicação e o profissionalismo do Artur, mas estar num sítio e dizer depois que ali se passam coisas estranhas... Não sei se é encomendado por quem lidera. Sempre que lá estive como atleta da casa ou adversário, nunca vi nada que não tivesse visto noutro sítio."

Abel não esquece ainda ter feito parte do início do agigantar do Braga, enaltecendo: "Falar do Braga é falar do presidente António Salvador e da sua ambição. Até 2005, quando de lá saí para o Sporting, o clube já estava em crescimento. Hoje, o Braga corre para estar entre os três primeiros classificados e ganhou dimensão europeia graças ao trabalho, curiosamente, do actual técnico do Sporting."

 

Leões são favoritos contra o Braga

 

Vem aí um Sporting-Braga para a Taça, e a conversa não ficaria completa sem uma antevisão de Abel. Para o grande desafio da IV eliminatória da segunda mais importante das competições internas, o lateral-direito aposta claramente numa vitória dos leões, contando, como está bom de ver, com um Braga interessadíssimo em dificultar a vida aos anfitriões. "Prevejo um jogo equilibrado e uma equipa a assumir e outra a jogar no erro. O Sporting deverá assumir as despesas de jogo, e o Braga espero ver a apresentar um bloco baixo, para sair depois em contra-ataque", considera o experiente jogador, que confia no crescendo leonino, ressurgido após um começo de época titubeante, frente ao tal Braga impossível de menosprezar: "Temos sentido um Sporting forte, seguro, sólido e com vontade enorme de vencer. Isso torna-se notório pela forma como a equipa tem jogado. Há um poderio enorme que se manifesta. Embora o Braga também se apresente forte, o Sporting é favorito e acredito sinceramente que sairá vencedor, com maior ou menor dificuldade."

 

"Indentifico-me com Paulo Bento"

 

O gozo sentido com o apuramento de Portugal para o Euro'2012 não se esgota no patriotismo. Paulo Bento é uma referência para Abel pelos anos passados em conjunto em Alvalade. O nortenho fala com desassombro: "Sem desprimor para outros, foi o treinador com maior abertura que conheci, com o qual cresci mais como jogador. Tive com ele uma relação que não consegui ter com outro. Digo isto sem ser graxista. Revejo-me em muitos dos seus princípios humanos. Se é disciplinador? Ele prefere perder um jogador e ganhar 23. Na Selecção, perdeu Ricardo Carvalho e Bosingwa, mas ganhou os outros."

 

"Ter Izma à frente era um descanso"

 

Abel tem a resposta a sair-lhe como uma flecha quando é para saber qual o melhor que teve ao lado: "Izmailov!" O ex-78 verde e branco luta hoje contra o castigo das lesões, as mesmas que não largam o russo, lembrando quão valioso era jogar com ele. "Foi o jogador mais completo com que joguei. Ficava à minha frente e era um descanso, pela forma como atacava, segurava a bola e defendia. Tem passado um calvário com lesões sucessivas. Sei e senti o que ele passa. Quando se quer e não se consegue... Ele tem uma vontade interior enorme, é uma pessoa de quem gosto e com a qual falo. Que volte rápido!"

 

"Domingos deu-me força e ânimo"

 

Mesmo com a vida a seguir outro rumo, Abel foi dos primeiros a interagir com Domingos na primeira visita deste à Academia, iniciava ali o lateral o seu restabelecimento. O defesa só encontra qualidades humanas e profissionais no técnico leonino. "Ele teve o mesmo problema que eu. Disse-me que ia sofrer, mas não me podia deixar abater. Deu-me força e ânimo. No Sporting está a ter sucesso, sem abdicar dos princípios que lhe permitiram ter sucesso em clubes de menor dimensão. É visível a todos e o Sporting merece. Lá está, foi escolhida a competência."

 

"Sá Pinto vai ter sucesso"

 

Depois de conhecer Sá Pinto como colega de equipa e director-desportivo, Abel vê agora o Coração de Leão em alta no comando dos sub-19. Onde chegará no Sporting nessas funções é algo que Abel não prevê: "Está a começar agora, a fazer um trabalho excelente, mas o futuro... é difícil. Sabendo a vontade e garra do Sá, ele quer ser um treinador de sucesso. Se o será no Sporting ou noutro clube, não sei."

 

"Mérito nos 5-3 foi de Paulo Bento e do seu discurso"

 

Os 5-3 no dérbi com o Benfica para a Taça em 2007/08 configuram "o mais épico" jogo do lateral, que revela: "Derlei nunca falou, isso é falso. Deve ter sido das palestras mais curtas de Paulo Bento ao intervalo, quando perdíamos 0-2. Em termos técnico-tácticos falou zero! Disse para lhe mostrarmos que não queríamos voltar a passar por maus momentos e mostrámo-lo."

 

"Pior que a cena triste entre Liedson e Sá só mesmo aquilo saber-se logo a seguir"

Outra cena de balneário, mas infame. O então director Sá Pinto e Liedson à pancada após jogo de Taça, contra o Mafra. Abel estava ao lado do 31 e lembra: "Era colega de cacifo do Liedson. Foi triste, mau, mas pior foi aquilo saber-se logo a seguir. Não duvido que coisas iguais se passaram noutros clubes e não saíram cá para fora. Gerou-se desconfiança. Não se sabe até hoje quem foi que disse. Lembro-me de ler os jornais e estar lá tudo, letra por letra. Não havia blindagem."

 

"Nunca acreditei ver Moutinho de azul e branco"

Traumática foi a debandada do capitão Moutinho para o FC Porto no Verão de 2010. Abel ficou incrédulo: "Não acreditava que ele podia vestir de azul e branco. Só mesmo quando vi. Admiro-o muito e percebo as razões financeiras, mas vender um jogador assim a um rival... Como adepto, também não gostaria."

 

Professor avalia reforços

 

Van Wolfswinkel
"Adoro-o! é o meu modelo de avançado"

 

Adoro-o! Pelas movimentações que faz, pela sua fantástica margem de progressão. É um finali-zador que actua bem de frente ou de costas para a baliza e que segura a bola e joga bem de cabeça. É o meu modelo de avançado. Fica espetado no meio dos centrais, sabendo procurar e criar espaços.

 

Schaars
"Tem caractér. Li e reli a sua entrevista"

 

Schaars é um líder e mostra em campo qualidade como médio. Além disso, o seu carácter também se viu na entrevista a O JOGO. Adorei. Há muito tempo não lia uma entrevista onde um jogador enfrenta a realidade assim. Li, reli e gostei muito. Demonstra uma cultura diferente.

 

Rinaudo
"Há muito não via um jogador tão bravo"

 

Para a posição de médio-centro, há muito não via no Sporting um jogador tão bravo. Esperemos que melhore rapidamente da sua lesão.

 

Diego Capel
"É um puro acelerador de jogo"

 

Outro bom reforço que traz um grande acrescento: é um acelerador de jogo puro. Empolga muito as bancadas, dá espectáculo.

 

Maldita lesão é para vencer

 

A rotura do ligamento cruzado anterior e do menisco que parou abruptamente a carreira de Abel teima em travá-lo. O Professor sofre: "As hipóteses que tinha de arranjar clube reduziram-se. O Sporting acompanha a minha recuperação, mas vêm-me as lágrimas aos olhos quando a minha filha me pergunta quando vou jogar."

 

"Vukcevic não era jogador de colectivo"

 

Abel fica incomodado ao ver "talento desperdiçar-se por egos". Embora não associe a ideia a nomes, quando a questão foi repicada e ao falar-se em Simon Vukcevic, talentoso, mas controverso ex-leão, o penafidelense admitiu: "É um futebolista com enormes capacidades, mas teve problemas com todos os treinadores. Não era jogador de colectivo. Tinha quase tudo para ser 'top', fez coisas fantásticas, especialmente quando o Liedson se lesionou e ele jogou à frente, onde eu acho que devia, e fez muitos golos."

 

"Treinador de futebol? Um dia, Quem sabe..."

 

Após declinar a hipótese de abraçar a carreira como técnico dentro do clube de Alvalade, Abel, formado em Educação Física, continua a valorizar-se nas áreas de comunicação, liderança, formação. À espera da janela de Janeiro para voltar a jogar, ser treinador é cenário assim encarado: "Um dia... Quem sabe?"

 

In ojogo.pt


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