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Sexta, 06 Abril 2012 11:32
120406_ojogoO Sporting joga sempre para ganhar, todos os jogos são os da vida dos leões, que estariam na Ucrânia humildes, mas destemidos. As ideias-chave lançadas por Sá Pinto na antevisão do encontro com o Metalist não devem ser desenquadradas da conjuntura em que a equipa disputava o apuramento para as meias-finais da Liga Europa e não foram desmentidas em campo, apesar de o Sporting nunca ter dominado - mesmo que tenha chegado ao intervalo em vantagem - e por largos períodos do jogo ter perdido o controlo da partida e ter ficado à mercê da mobilidade dos avançados sul-americanos, que atacam pelos ucranianos, e a permeabilidade dos centrais brasileiros, que defendem pelos de Alvalade, expondo a perigos maiores um guarda-redes que vai ganhando dimensão maior - até para uma Liga Europa: Rui Patrício. A verdade é que, mesmo se acusando precipitação nas transições, perdendo sucessivamente a posse de bola e não conseguindo contrariar o ritmo intenso de jogo imposto pelo Metalist, os leões estavam a jogar para ganhar: entraram assim no jogo, dilataram a vantagem com o golo de Van Wolfswinkel e terminaram-no vencedores - porque, apesar do empate, os leões venceram a eliminatória, que era o triunfo que interessava.

Foi a vitória do pragmatismo coroado com a fortuna que se diz proteger os audazes sobre um conjunto ucraniano organizado, pressionante e crente na capacidade de inverter o resultado que um penálti no último minuto do jogo de Alvalade possibilitava que fosse revertido a seu favor. Ainda sem Rinaudo, sempre sem Elias, e ontem sem Carriço para a posição seis, Sá Pinto optou por aquela que seria a alternativa menos óbvia e surpreendeu ao escalar André Martins para jogar ao lado de Schaars no miolo. Não foi por aqui, porém - ou só - que o Sporting perdeu ascendente sobre o Metalist. A verdade é que a imprecisão no passe - era rara uma sequência de três certos - era agravada pela mobilidade do trio que apoiava Cristaldo no ataque à baliza de Patrício: Sosa, Cleiton Xavier e Taison trocavam de posições e, aos atributos técnicos, aliavam velocidade e profundidade que toldavam o discernimento dos leões nas marcações e deixavam o perigo a rondar o último reduto.

Foi contra a toada do jogo que o Sporting consegue impor... (in)justiça ao resultado: num trabalho notável de Capel e movimentação perfeita de Van Wolfswinkel, os leões chegam ao intervalo a vencer. Após o intervalo, o Metalist abdica do duplo pivô defensivo e compõe uma dupla ofensiva, com a entrada de Devic para jogar ao lado de Cristaldo, por troca com Edmar. Polga e Xandão, em apuros na primeira parte com o carrossel de argentinos e brasileiros à sua frente, ficaram em desequilíbrio com a chegada do ucraniano à sua zona de ação e quando Sá Pinto procura compensar o setor, já o Metalist chegara à vantagem. Com Renato Neto como cabeça de área, o Sporting soube sofrer melhor, expondo-se menos ao perigo, restando o golpe final: o penálti que igualaria a eliminatória e forçaria a prolongamento, foi superiormente defendido por Rui Patrício, que disse a toda a gente que o assunto estava arrumado. E não houve mais discussão.

Ficha do Jogo

Metalist Stadium
Árbitro: William Collum

METALIST: Goryainov, Villagra, Berezovchuk, Pshenychnykh, Obradovic, Edmar, Cleiton, Sosa, Torres, Cristaldo e Taison.

Suplentes: Disljenkovic, Shelayev, Valyayev, Blanco, Marlos, Radchenko, Dević.

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Xandão, Polga, Insúa, Schaars, André Martins (André Santos), Matías Fernandez (Renato), Izmailov, Van Wolfswinkel e Capel (Evaldo).

Suplentes não utilizados: Marcelo, Carrillo, Rubio e Ribas.

Golos: 0-1 Wolfswinkel 1-1 Cristaldo

O Sporting um a um
Com Patrício estão em boas mãos

Rui Patrício 8
Penálti de Alvalade serviu de exemplo

Na primeira mão, em Alvalade, não conseguiu evitar que a grande penalidade marcada por Cleiton Xavier acabasse em golo, mas o lance ajudou-o a estudar melhor os gestos e a forma de bater do brasileiro, conseguindo, ontem, travá-lo com o pé esquerdo para se tornar mais uma vez na figura do jogo. O momento teve lugar aos 64', mas o guarda-redes dos leões entrou em ação desde muito cedo. A primeira intervenção foi logo aos 3', e ainda na primeira parte, aos 29' e aos 32', voltou a brilhar. O golo do Metalist, no início da segunda parte, deixou-o ainda mais em sentido e a partir daí desde punhos, canelas, saídas dos postes... tudo serviu para impedir que os ucranianos empatassem a eliminatória.

João Pereira 6

Deu o primeiro sinal de perigo com um remate fraco de pé esquerdo (22'), mas não conseguiu subir muito no terreno, como gosta, já que Taison e Cleiton Xavier não lhe deram descanso.

Xandão 6

Fez uso da sua capacidade atlética para se impor no eixo, embora no início do jogo tenha tremido e acusado o nervosismo provocado pelo ambiente no estádio.

Polga 5

Empregou como tática defensiva e de marcação a pressão rápida e as antecipações. No golo do Metalist demorou a reagir e a marcar Devic, que fez a assistência.

Insúa 5

Não teve muita sorte, já que depois de quase presenciar à distância a primeira parte a desenrolar-se maioritariamente na zona de João Pereira, na segunda provocou, com um encosto sobre Devic, um penálti que podia ter complicado a qualificação.

André Martins 6

Em missão de sacrifício na primeira parte, a jogar a trinco, correspondeu à aposta de Sá Pinto na sua velocidade para fazer dobras e "cair" em cima dos adversários. Nas saídas para o ataque não foi tão eficaz. No reatamento adiantou-se no terreno, não se impôs, e saiu aos 72'.

Schaars 6

Foi obreiro, a correr quilómetros e a preencher espaços, muitas vezes sem bola.

Izmailov 5

A atuar no lado direito do meio-campo, passou a primeira parte em missão defensiva no auxílio constante a João Pereira. Resultado: o desgaste impediu-o de ajudar mais no ataque.

Matías Fernández 5

Com a equipa praticamente sem bola na primeira parte (saiu aos 60' por gestão tática...), só apareceu a criar perigo com a sua condução do futebol de ataque leonino em lances isolados: primeiro (8') a romper até à área rival, depois (30') em tabela com João Pereira. Podia ter feito a diferença se uma brilhante desmarcação para Capel aos 43' fosse aproveitada pelo espanhol, e num livre aos 56' que saiu ao lado.

Capel 7

"Afastado" do jogo durante quase toda a primeira parte, soltou um cruzamento venenoso segundos antes do intervalo, com o pé direito (!) com régua e esquadro, para Van Wolfswinkel mostrar serviço e fazer sonhar.

Van Wolfswinkel 7

Quase abandonado no ataque do Sporting, foi letal numa das poucas oportunidades de que dispôs: aos 45' saltou com um defesa ao segundo poste e cabeceou para o poste mais distante, fazendo a bola voar por cima do guarda-redes ucraniano. Lutou muito.

Renato Neto 6

Rendeu Matías com o objetivo de dotar o miolo de mais força e capacidade defensiva, e cumpriu na íntegra a função que lhe foi destinada... muitas vezes já no espaço dos centrais.

André Santos 5

Aposta para guardar a bola, também ganha por Sá Pinto. Não marcou como em Légia, mas até podia ter ficado na cara do guarda-redes se Capel lhe tivesse endossado a bola quando se desmarcava na direção da área adversária, aos 79'.

Evaldo 4

Reforçou e refrescou a defesa leonina para os minutos finais.

Sá Pinto
"Sem favoritismo na Liga Europa"

Garantida a presença nas meias-finais da Liga Europa, Ricardo Sá Pinto recusa a ideia de que o Sporting se possa apresentar como um "favorito à conquista da prova" e mantém o acento tónico na humildade e entrega, jogo a jogo, para que o sucesso frente aos ucranianos tenha consequência até à final de Bucareste, na Roménia. O técnico leonino puxou dos elogios para os seus jogadores, lembrando que souberam "cumprir a estratégia definida" para conseguir "segurar uma equipa complicada e difícil".

As dificuldades estiveram sobretudo, sublinha Ricardo Sá Pinto, na "mobilidade dos jogadores mais ofensivos". "Jogámos contra uma grande equipa, com jogadores de enorme talento que são muito difíceis de parar nas suas ações ofensivas. Soubemos sofrer, preparei a equipa para isso. Sabíamos que teríamos grandes dificuldades, que estávamos perante uma equipa que ia apostar tudo nesta competição, pois no campeonato estão na 3ª posição. Tentámos fechar os corredores, central e laterais, mas começaram a usar as bolas longas. O nível físico de alguns jogadores nossos também não permitia muito mais. Estas finais são para se ganhar com inteligência, ambição e determinação. Não somos candidatos a vencer a Liga Europa, de maneira nenhuma. Agora, vamos preparar o próximo jogo. Conseguimos um feito histórico, num clube centenário e os jogadores foram extraordinários. Não conheço equipas que ganhem este tipo de finais sem sofrer", defendeu.

Rui Patrício, pela grande penalidade que parou, foi destacado com a moderação pela primazia dada ao grupo. "Da defesa do Rui Patrício não dependia o resultado. Podíamos chegar à vitória, mesmo que sofrêssemos o golo. Sabíamos por onde atacar. Tive de fazer algumas alterações pela fadiga, tivemos muita personalidade e caráter", frisou, elogiando André Martins: "É um jogador de muita qualidade, sabíamos que tinham talento e precisávamos de qualidade quando recuperássemos a bola. Fez um grande jogo e mereceu a minha confiança. Temos boas soluções." Quanto ao Benfica, rival de segunda-feira: "Será difícil, temos de recuperar fisicamente, ter a mesma humildade e forma de estar."

Rui Patrício
Com raça vamos chegar à final"

Rui Patrício defendeu uma grande penalidade, mas desvalorizou o facto, realçando que o importante foi o coletivo ter dado mais um passo rumo à final da Liga Europa, em Bucareste. O guardião já tinha sido decisivo contra o Manchester City na ronda anterior. "Os penáltis são lances onde tentamos fazer o nosso melhor. Defendi, foi bom para nós, mas o importante foi o espírito que a equipa demonstrou. Estamos de parabéns, agora é continuar o nosso caminho e o sonho é a final. Teremos dois jogos complicados com o Bilbao, mas com raça e determinação vamos conseguir a passagem à final", referiu Patrício. Sobre o jogo, o guarda-redes elogiou a capacidade defensiva do grupo. "Sabíamos que o Metalist ia entrar forte no jogo. Estivemos concentrados a defender e chegámos à meia-final com mérito. Conseguimos um golo muito bom para nós antes do intervalo e, mesmo depois de termos sofrido um também, defendemos bem", disse. A próxima partida será contra o Benfica e vencer é o objetivo. "É um jogo difícil mas vamos para todos eles para ganhar. Mas hoje vamos desfrutar desta passagem...", disse.

Polga
"Mística tem passado"

O capitão do Sporting, Anderson Polga, explicou o porquê de a equipa leonina estar mais forte. E, mesmo sem o nomear, acaba por elogiar Sá Pinto. "A equipa tem vindo a crescer e a mística está a ser passada. Quando jogamos com uma determinação muito forte e cumprimos o que o treinador nos pede as coisas tornam-se mais fáceis. Temos de levar para dentro de campo a determinação que o treinador nos passa", disse. Quanto ao Sporting chegar à final, Polga promete "lutar até ao fim". Frente ao Bilbao, há mais uma "guerra": "É uma excelente equipa como têm sido as outras. O grupo tem qualidade e, trabalhando, temos grandes possibilidades". Segue-se agora o Benfica. "O campeonato também é importantíssimo. Amanhã começamos a pensar no adversário seguinte [Benfica] porque temos de apresentar-nos fortes", disse.

João Pereira
"Alcançar grandes feitos só a sofrer..."

Na eliminatória anterior, João Pereira viu em Lisboa o sucesso alcançado pelo grupo de trabalho de que faz parte, devido ao castigo de um jogo que cumpriu em Manchester, mas desta feita teve oportunidade de "saborear o sofrimento" com a entrega que se reconhece ao lateral-direito. O internacional português lembrou precisamente que os grandes feitos, como aquele que a formação verde e branca tinha acabado de alcançar, "não se conseguem sem sofrimento".

Aliás, João Pereira vai mais longe e já olha, ainda em sonho, para a final da Liga Europa em Bucareste, na Roménia. "Foi um apuramento sofrido e saboroso, mas a verdade é que os grandes feitos não se conseguem sem sofrer. Agora é normal que, à medida que vamos passando as eliminatórias, passemos a sonhar com a presença na final da competição", disse, ressalvando: "Mas convém manter os pés bem assentes no chão. Vamos aproveitar e desfrutar a viagem de regresso."

Os olhos para o dérbi de Lisboa e mais um clássico do futebol luso ficam guardados para amanhã e domingo de Páscoa: "Temos esses dois dias para podermos preparar o jogo da próxima segunda-feira com o Benfica."

Wolfswinkel
"Estamos mais perto"

Wolfswinkel estava feliz da vida no fim do jogo. O avançado sente que a sua equipa está bem e cada vez "mais perto" do objetivo nesta competição, que é chegar à final. O holandês apontou o golo dos leões, mas mantém a humildade e já arregaça as mangas a pensar no dérbi de segunda-feira com o Benfica. "Estamos na próxima fase, mas este jogo já pertence ao passado e, agora, estamos focados no Benfica. É evidente que vamos gozar a vitória, mas começar a pensar no próximo jogo, que é contra o Benfica", explicou.

Wolfswinkel esteve em foco na partida de ontem ao conseguir iludir o guardião adversário, através de um golpe certeiro de cabeça.

In ojogo.pt

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