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Quarta, 20 Outubro 2021
Polga. A mobília da casa também se pode trocar PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 10 Maio 2012 11:27

120510_sportingCentral chegou ao Sporting em 2003 como campeão do mundo e agora parece estar prestes a encerrar ciclo

 

Anderson Polga tem 33 anos e está há nove no Sporting. Em final de contrato, o cenário da saída volta a estar em cima na mesa. É apenas mais uma vez que isso acontece desde que o brasileiro chegou a Alvalade. Esta época tinha tudo para ser diferente: Godinho Lopes tinha prometido uma mudança e Domingos Paciência preparava uma revolução de plantel. Cansados do brasileiro, os adeptos esperavam que as contratações de Rodríguez e Onyewu fechassem de vez a era de Polga no Sporting. O que aconteceu foi muito diferente: o central continuou de pedra e cal, foi o menos afectado por lesões e esteve nas duas melhores duplas da época – com Onyewu no período de Domingos e com Xandão durante a impressionante campanha na Liga Europa.

Com a época a acabar, Polga já só poderá fazer mais um jogo, na final da Taça de Portugal, já que a expulsão no Dragão o impede de defrontar o Sp. Braga no sábado. A necessidade de pensar no futuro surge naturalmente, mas o empresário Gilmar Veloz garantiu esta semana que não há novidades para já: “Obviamente que vai dar prioridade ao Sporting. Primeiro verá se o clube manifesta algum interesse e só se isso não acontecer veremos o que poderá ser melhor para ele. O Sporting conhece a postura do atleta. É um clube que respeitamos e que nos respeita. Vamos esperar pelo momento que o clube achar mais correcto para mostrar se quer renovar contrato ou terminar o vínculo.” Certo é que, se Anderson Polga deixar Alvalade, será o fim de um ciclo que começou há dez anos.

Brasil, Maio de 2002. Um jovem Anderson Polga com 23 anos joga no Grémio de Porto Alegre e faz parte dos eleitos de Luiz Felipe Scolari para a selecção brasileira que vai disputar o Mundial-2002. Na Coreia do Sul e no Japão, o central não se limitou a ser uma figura de corpo presente e estreou-se logo na segunda jornada do grupo C, frente à China, com a titularidade e 90 minutos disputados. Cinco dias depois foi novamente titular, com a Costa Rica. E depois tudo mudou. Não foi titular com a Bélgica, nem com a Inglaterra, nem com a Turquia, nem com a Alemanha, mas um mérito ninguém lhe poderia tirar: o de campeão mundial de 2002. Algo que seria durante quatro anos.

Um ano bastou para Polga rumar à Europa. O Benfica foi o primeiro a mostrar-se interessado, mas o central acabou em Alvalade, sob as ordens de Fernando Santos. A época de estreia serviu de espelho para todo o legado: quando estava bem conseguia ser um dos melhores, mas a instabilidade das exibições deixava os adeptos preocupados. No total foram 35 jogos realizados, 3006 minutos disputados e, um cenário que seria praticamente eterno: nenhum golo marcado.

Novato em 2003, Anderson Polga foi ficando, ano após ano, tornando-se um dos jogadores mais experientes do plantel e com mais anos de Sporting. Era o primeiro central brasileiro desde a saída de André Cruz, mas nem por isso se preocupou com essa herança (só este ano se aventurou a espaços na marcação de livres). Ao lado dele muitos jogadores foram passando. No primeiro ano havia Beto, Hugo e Quiroga, mas foi a chegada de Enakarhire, em 2004/2005, que ajudou a protagonizar um dos momentos mais negros do brasileiro em Alvalade. José Peseiro preferiu o nigeriano para fazer dupla com Beto na final da Taça UEFA em Alvalade, Polga não gostou e quatro dias depois, com o Nacional, recusou-se a jogar.

O episódio poderia ter marcado o fim da linha em Alvalade, mas o defesa foi ficando. Com a chegada de Paulo Bento, Anderson Polga criou raízes e não mais deixou o lugar no eixo da defesa, fosse ao lado de Tonel, de Caneira ou de Carriço. Outra curiosidade que se foi notando foi a inabilidade total para marcar golos no campeonato. Ainda hoje, nove anos depois, a estatística se mantém. Mas em 2007 o brasileiro ajudou a acabar com a piada, pelo menos com parte dela, ao marcar um dos golos na vitória em Kiev frente ao Dínamo na Liga dos Campeões. Na segunda volta voltou a marcar aos ucranianos e depois disso também já marcou ao Lille e ao Atlético Madrid, ambos na Liga Europa.

Esta época, Anderson Polga perdeu um dos estatutos que mantinha intocáveis em Portugal: o de ser o único campeão do mundo a actuar no campeonato nacional. A contratação do espanhol Joan Capdevila pelo Benfica acabou com essa estatística, mas dentro de campo o domínio foi sempre do brasileiro. Apesar de ser um habitual mal-amado, os adeptos foram percebendo que Polga estava a fazer uma boa época, ao contrário de Capdevila, que nunca conseguiu cair nas boas graças de Jorge Jesus.

Com ou sem contestação, Anderson Polga tem um lugar na história do Sporting. É o central com mais golos pelos leões nas competições europeias e nos últimos 20 anos só um jogador tem mais minutos no campeonato do que ele – curiosamente é Beto, o seu primeiro colega no eixo da defesa. Com mais de 20 mil minutos na liga, a experiência e a idade de Anderson Polga poderão funcionar como mais-valia para o plantel na época que vem. O próximo mês ajudará a esclarecer tudo. O ex-colega de equipa, Sá Pinto, tem a palavra.

 

In ionline.pt

 

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