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Quinta, 09 Dezembro 2021
Soares Franco: «Queremos ser campeões» PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sexta, 10 Outubro 2008 22:00

081010_soares_franco.jpgDERROTAS NA LUZ E COM O FC PORTO NÃO ABALARAM PRESIDENTE

 

R – Os resultados desportivos estão a corresponder ao maior investimento feito este ano?
FSF – É cedo para falarmos sobre o êxito dessa política. Ganhámos a Supertaça e o torneio do Guadiana; se a fase de qualificação da Champions terminasse hoje estávamos apurados; o campeonato ainda está no começo e a Taça de Portugal e da Liga não arrancaram. No fim, veremos se o esforço compensou e se a política seguida nas contratações, que de forma unânime a administração da SAD apoio, deu resultado.

R – As derrotas com o Benfica e o FC Porto não o deixam apreensivo?

FSF – É claro que os resultados não são bons. Não peça ao presidente para ficar contente com duas derrotas com o Benfica e o FC Porto. Não põem é em causa a época nem vão, de maneira nenhuma, abalar a estrutura, a moral, a vontade e a dinâmica de trabalho da equipa.


R – Na permanente avaliação que faz tem de admitir que o Sporting está abaixo dos seus rivais?
FSF – Nestes jogos entre os grandes, o Sporting fez zero pontos. O Benfica e o FC Porto fizeram 4. É uma realidade. É sempre bom ganhar. Embora os resultados entre os três grandes não definam normalmente a classificação final, ganhar é sempre uma almofada para os desaires que se registam durante a época. O objectivo continua a ser o mesmo: ser campeão. E estes resultados não afectam esse propósito.


R – O que lhe tem agradado mais no Sporting esta época?
FSF – O que me agradou no Sporting dos outros anos.

R – O quê concretamente?
FSF – Agrada-me sobremaneira o brio profissional da equipa técnica liderada pelo Paulo Bento. O esforço e a dedicação, a personalidade, a forma aberta como trata dos temas e a preocupação que tem tido sempre nas suas decisões em servir os interesses da Sporting SAD. E agrada-me o espírito de missão que ele tem e a forma como ele pretende cultivar o espírito de grupo competitivo e vencedor.

R – Corta a direito, é isso?
FSF – Para se caminhar num determinado sentido e incutir um conjunto de princípios, valores e metas há momentos em que é preciso tirar algumas pedras do caminho. E às vezes custa fazer isso. Ele, porém, toma as decisões e elas são inabaláveis.

R – Não o sente no entanto mais fragilizado na relação com os adeptos?
FSF – Não sei fazer essa avaliação.

R – Mas sente seguramente o pulsar da massa associativa?...
FSF – O que sinto, hoje, é o mesmo que senti o ano passado, há duas épocas ou até há três. Infelizmente por um lado e felizmente por outro, o futebol é um negócio de emoções. Assim sendo, quando se trilha um caminho vitorioso a emoção é sempre de grande satisfação. Quando há um abanão, a emoção é de não satisfação.

R – Logo...
FSF – Se fizesse um inquérito, após os jogos com o Benfica e FC Porto, era natural que a satisfação fosse menor do que quando ganhámos a Supertaça. Não tenho qualquer dúvida. Mas eu tenho uma enorme admiração por Paulo Bento e particularmente numa vertente: ele confessa os seus objectivos. Traça uma linha de rumo e coloca-a cá fora. Não se acanha nem amedronta e diz claramente: nós estamos aqui para sermos campeões este ano! E esse, de facto, é o objectivo.

R- Essa firme convicção mantém-se.
FSF – Mantém-se nele e em toda a administração da SAD e no presidente. Não há qualquer razão para ser ao contrário.

R – O que é que já lhe desagradou esta época?
FSF – O maior abalo que tive foi o resultado com o Real Madrid, na 1ª parte. Não pergunte porquê, mas tinha uma enorme esperança que íamos fazer um grande jogo e um óptimo resultado em Madrid. Tive por isso um enorme desânimo. Ao intervalo, o resultado era humilhante e nada servia para honrar o emblema do Sporting. Isso afectou-me.

R – O Sporting tem falhado nos grandes jogos. Difícil de aceitar depois de ter havido a preocupação de dotar a equipa com mais experiência?
FSF – Essa avaliação faz-se no final da época. Jogos melhores e piores todos fazem. Ainda na última jornada, o At. Madrid, que tem um orçamento três vezes superior que o Sporting, saiu enxovalhado de Barcelona. Mas certamente que não é por causa disso que os seus objectivos vão ser afectados. Logo, os comentários que hoje se fizerem não são os mais adequados na altura certa.

R – Diverte-se a ver os jogos do Sporting?
FSF – Sim, embora às vezes com excessiva ansiedade.

R – O que lhe pergunto é se o futebol do Sporting o diverte?
FSF – De uma forma geral, sim. Sinto muito o jogo e o resultado. Nem sempre tenho a lucidez de olhar para a qualidade técnica do jogo tal é a intensidade com que vivo o resultado, pois ele está directamente relacionado com a minha actividade de presidente.

R – Lamentou a fraca afluência de público ao estádio. A fraca qualidade do espectáculo oferecido pode ser uma das razões?
FSF – Sim.

R – Admite que isso acontece em Alvalade?
FSF – Às vezes oferecemos um fraco espectáculo. Há encontros em que jogamos bem e outros mal. E o que é mau... é mau. Ninguém gosta de ver um mau filme ou um mau teatro. Por muita paixão que tenham, as pessoas não gostam de ver maus jogos de futebol. Só que isto não é uma ciência exacta. É um jogo.

R – Neste negócio também tem, como presidente, uma acção importante: a capacidade de dotar a equipa de jogadores que entusiasmem os adeptos. O FC Porto roubou Rodriguez ao Benfica e o Benfica contratou estrelas como Reyes, Aimar, Suazo. Isso ajuda...
FSF – E nós trouxemos jogadores com elevado potencial já demonstrado no mercado para se juntarem aos jovens jogadores que o Sporting tem no seu plantel para fazermos uma equipa muito mais forte dentro dos condicionalismos que temos. E já agora acrescento: essa sua observação faz-me lembrar a opinião dos comentadores que ouvimos ao longo da época. Quando as empresas apresentam as contas e os resultados são negativos referem que o futebol português gasta mais do que pode; quando chega a pré-época, dizem que as sad’s não investem aquilo que devem investir para darem sustentabilidade aos seus sócios e por isso é que as pessoas não vão aos estádios; depois classificam muitas vezes a participação nas provas da UEFA como um flop, esquecendo que o futebol português é aquilo que pode ser e compete com um futebol muito mais rico e que tem outras potencialidades e maiores capacidades que o nosso.

R – Insisto na comparação com os seus rivais internos e não europeus.
FSF – O Sporting em relação ao FC Porto e ao Benfica tem uma concepção diferente. Nós apostamos na formação, enquanto o FC Porto tem uma filosofia que passa pela rotatividade de alguns activos. O Benfica passou por vicissitudes no futebol que o impeliu para uma política de enorme investimento. No final, veremos qual é o que tem mais sucesso.

 

Soares Franco: «Não gostei do que ouvi de Moutinho»
AINDA O DESEJO DO CAPITÃO EM SAIR...

 

R – O desejo de sair de João Moutinho desiludiu-o?
FSF – Na altura, não gostei. Depois procurei entender o problema e dentro de alguma relatividade tentei percebê-lo. Hoje, é um assunto arrumado. O João Moutinho também percebeu e aceitou muito bem as razões que a administração da SAD lhe comunicou pelas quais as suas palavras não podiam ter qualquer tipo de acolhimento. Está completamente integrado. É um profissional de mão cheia e um excelente capitão do Sporting.

R – No final da época, pode negociar o Moutinho abaixo da cláusula de rescisão?
FSF – O Moutinho não é questão.

R - ...
FSF – Se me perguntar se algum jogador do Sporting pode sair nessas condições, então eu respondo: depende muito das circunstâncias e do jogador que for. As clausulas de rescisão têm dois efeitos. Um: marcar um preço para uma negociação. Dois: marcar o período da negociação. Mas uma cláusula de um jogador de 20 ou 21 anos, que vai renovando o seu contrato e depois chega aos 26 ou 27 anos, não é a mesma coisa de quando tinha 20. O impacto, o valor e a margem de progressão são muito diferentes. Depois também depende do sucesso e do comportamento ao longo do ano e da importância que esse activo tem para a equipa técnica.

 

Soares Franco: «De nada vale desenterrar cadáveres»
PRESIDENTE CONSIDERA QUE AINDA EXISTE ESTIGMA DO PASSADO

 

R - Tem havido uma maioria que o apoia, mas também existe uma minoria que o crítica. Tem sentido algum bloqueio?
FSF – Não, mas tenho acusado algum desgaste. Há um sentido crítico muito apurado dentro do Sporting, mesmo quando as ideias são sistematicamente votadas por uma maioria muito qualificada, ainda que não chegue aos 66.6 por cento. Mas é uma larga maioria que tem sempre apoiado estes projectos.

R – E então a minoria?...
FSF – Tem de ser respeitada, mas é preciso que essa minoria perceba que se ela também apresentar projectos eles só serão aprovados se conseguir conquistar a maioria. O bom senso é fundamental na vida e é importante não esquecer que os interesses da organização Sporting têm de estar acima de quaisquer outros interesses, sejam de grupos organizados ou não. O fundamental é que o Sporting ande para a frente e seja um clube vencedor.

R - O Congresso pode dar um contributo nesse sentido. Em que moldes?
FSF – O Congresso pode dar um enorme contributo, embora deva ter matérias específicas seleccionadas para o efeito. Não se pode querer debater tudo num congresso. O Sporting, que estatutariamente está obrigado a fazer congressos de xis em xis tempo, nos últimos dez anos nunca o fez. É, pois, logo à partida mais uma iniciativa que vamos corporizar. Espero que seja um local de debate com os olhos no futuro. Ainda existe no Sporting um estigma sobre o passado.

R – Como assim?
FSF – Ainda existe muita gente que quer apurar e ajustar contas do passado e imputar responsabilidades. Não contem comigo nesse filme. Não entro nele nem como actor nem como espectador. Importante é saber analisar o presente e trabalhar para o futuro ser melhor, mesmo que tenhamos ideias diferentes sobre os assuntos. A realidade está cá. Ir agora desenterrar cadáveres para mostrar que este é o responsável por isto ou por aquilo, não serve para nada.

 

Soares Franco: «Sporting TV não é negócio possível»
EM CAUSA DÚVIDAS SOBRE RETORNO

 

R – Sporting TV é um projecto viável?
FSF – É um dos temas que está sobre a mesa para ser estudado. Tenho no entanto a percepção que no Sporting ainda não deve ser um negócio possível e ideal a ser montado. Os sportinguistas não gostarão do que vou dizer, e percebo que não apreciem, mas a verdade é que há mais clientes-Benfica do que clientes-Sporting. E isto é claramente um negócio de clientes. Quando avançarmos para um negócio destes temos de garantir que ele tem retorno.

 

Soares Franco: «Paulo Bento é excepcional a gerir recursos humanos»
OS CASOS STOJKOVIC E VUKCEVIC NA ÓPTICA DO PRESIDENTE

 

R – O sociólogo Paquete de Oliveira comentou que Paulo Bento gere mal os recursos humanos, referindo-se concretamente aos casos Vukcevic e Stojkovic. Concorda?
FSF – Com todo o respeito, estou em total desacordo. Aliás, para alguém pronunciar-se sobre temas tão delicados como este, é preciso ter conhecimento e informação séria para fazê-lo. Digo-lhe claramente: o Paulo Bento tem grande qualidade e que é precisamente a forma como gere os recursos humanos. Não é boa, é excepcional!

R – Não lhe causa espécie ver um guarda-redes como Stojkovic, que custou 1 milhão de euros e é titular da Sérvia, estar completamente à margem?
FSF – Vamos ser sérios. Stojkovic teve a liberdade total da administração da SAD para durante a pré-época sair do Sporting. Foi informado que a equipa técnica não contava com ele. A partir daí, não é da nossa responsabilidade que ele não tenha encontrado clube. Não pretendíamos um euro de mais valia e estamos a cumprir religiosamente as nossas obrigações com o Stojkovic. Por isso...

R – Mas a verdade é que a cada momento que o Rui Patrício tem uma intervenção menos feliz as pessoas perguntam-se: porque não joga Stojkovic...
FSF – A responsabilidade dessa matéria é totalmente da equipa técnica (ET) e não do presidente. Não faço por isso mais comentários além daqueles que fiz para explicar porque razão Stojkovic está integrado no plantel do Sporting. Inclusivamente tem o seu nome na lista que enviámos para a UEFA por causa da Liga dos Campeões o que quer dizer que não marginalizamos o jogador. Agora, há questões de ordem técnica e de integração de grupo que tem de ser a ET e gerir e não o presidente.

R – Não questiona em nenhum momento a acção do treinador?
FSF – Não e digo-lhe mais: uma a administração da SAD e o seu presidente têm ou não confiança na ET. Se têm, devem manifestar e dar essa confiança. A partir daí, o treinador tem legitimidade para seguir pelo caminho que considera ser o mais correcto. Mesmo que eu eventualmente não estivesse de acordo com uma determinada decisão da ET, nunca a comentaria e muito menos em público.

R – Não vai sequer admitir que houve dois pesos e duas medidas no tratamento de Moutinho e Vukcevic.
FSF – De todo, até porque isso não é verdade. Nem pouco mais ou menos.

R – Apreciou a troca de galhardetes entre jogadores como aconteceu entre Caneira e Moutinho e Derlei e Vukcevic?
FSF – São questões que têm de ser totalmente geridas pelo grupo e dentro de casa. Repito: mesmo que não gostasse, não comentaria.

R – Se avançar para a recandidatura, Paulo Bento vai voltar a ser a sua aposta?
FSF – Odeio falar em ses. Quando tomar uma decisão, responderei a essa pergunta.

R – Reformulo: pela forma como fala de Paulo Bento, até hoje só tem razões para convidá-lo a continuarem juntos?
FSF – Se tivesse que decidir hoje, obviamente gostaria que ele ficasse por cá.

 

Soares Franco: «Passivo podia estar nos 120 milhões»
COM PROJECTO INICIAL E SEM PROBLEMA COM A CML

 

R – Em que pé está a reestruturação financeira?
FSF – Está praticamente fechada. Falta aprovar no Conselho Directivo e eventualmente ir a nova AG, a aprovação da emissão dos Valores Imobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC). Mas há outras decisões que os sportinguistas têm de tomar.

R – Nomeadamente...
FSF – Por exemplo, uma que foi chumbada na última AG que dificultou o fechar da equação da reestruturação.

R – Refere-se à passagem da Comércio e Serviços para a SAD. Admite voltar a colocá-la à aprovação da AG?
FSF – Sim. É importante perceber o seguinte: existe o Sporting Clube de Portugal – que é o Sporting das modalidades, do museu, do jornal, etc -- e o Sporting do futebol -- que é a SAD. Esta paga tudo o que está directa e indirectamente relacionado com o futebol. Isso implica que tudo o SAD utiliza para a sua actividade deve ser suportado por essa mesma empresa.

R - O que acha que pode levar os sócios a mudar de opinião?
FSF – O impacto que o ano 2008 teve nas famílias portuguesas que perceberam que ter dívida sai muito caro. Percebem que para governar a casa é preciso racionalizar de forma a libertar verbas para honrar os seus compromissos ou para compras algo extra. Numa instituição como o Sporting, passa-se o mesmo: tem de dever menos para poder investir mais no seu negócio.

R – Com a questão da Câmara resolvida, como fica o passivo do Sporting?
FSF – Sem o problema dos VMOC’s, o endividamento deveria situar-se à volta dos 190/200 milhões de euros. Daqui a 5 anos, com a conversão dos VMOC’s em capital, poder estar nos 140/150 milhões. Era o valor que tínhamos estimado há dois anos para o endividamento saudável do Sporting. Se a reestruturação tivesse ficado fechada de acordo com o projecto inicial e se o dossier da câmara não tivesse demorado mais dois anos a resolver, diria que a dívida do Sporting neste momento estaria nos 120 milhões.

 

Os telefonemas de Pinto da Costa
EM RELAÇÃO A MOUTINHO E VUKCEVIC

 

R – Pinto da Costa disse que Moutinho é jogador à Porto e Vukcevic dói desejado pelo FC Porto. Agradou-lhe o comentário e confirma os telefonemas do presidente portista?

FSF – Confirmo que falei com o presidente do FC Porto depois de ele ter encontrado o Moutinho num restaurante. E que me voltou a falar há dias por causa de uma notícia que dizia que o FC Porto tinha sondado o Vukcevic. Desta última vez, disse mesmo a Pinto da Costa que ele escusava de me ter ligado, pois partia do princípio que o FC Porto não teria aquela postura para com o Sporting. Disse-lhe mesmo, e ele concordou, que se a notícia fosse verdadeira não valeria a pena falar-me, pois as relações teriam terminado ali. Espero, aliás, que não voltemos a conversar por causa de situações destas pois o Sporting nunca agiria desse modo e naturalmente parto do princípio que o FC Porto, ou qualquer outro clube, também não.

 

Soares Franco: «Queiroz é assunto arrumado mas sem desculpas»
CONFLITO COM O SELECCIONADOR "ESTÁ MORTO"

 

R – O que fez mudar de ideias relativamente à sua presença no Portugal-Dinamarca por causa da má relação com Carlos Queiroz?
FSF – O facto de ser o anfitrião e da minha relação institucional com a FPF a isso me obrigar. Não seria uma questão que se passou com o prof. Carlos Queiroz, quando ele não se encontrava ao serviço da selecção, que poderia ter influência na decisão de estar ou não em Alvalade no dia do Portugal-Dinamarca.

R – O que é que Carlos Queiroz tem de fazer para deixar de ser persona non grata?
FSF – É um assunto que já morreu. Prof. Carlos Queiroz fará aquilo que entender se quiser aproximar-se do Sporting. Mas é um tema que está ultrapassado.

R – Então já não é persona non grata?
FSF – Não disse isso, o comunicado está como estava. Não mudámos de posição. Lastimo que as coisas tenham chegado a esse ponto, pois não sou pessoa de conflitos na vida. Aprendi, quanto mais não seja por ter passado por uma escola de formação fantástica que é o Colégio Militar, que na vida se deve saber enfrentar as responsabilidades, analisar os actos e pedir desculpa quando é preciso fazê-lo. Se há coisa que não me custa fazer é pedir desculpa quando não tenho razão.

 

Um novo conceito de clube
ESFORÇO DE ADAPATAÇÃO AOS TEMPOS MODERNOS

 

AS IDEIAS PARA UM NOVO SPORTING

REFERENDO


R – Para um novo ciclo que novas propostas?
FSF – Tenho ideias mas não quero que pensem que são condições para me recandidatar. Vou tomar uma decisão antes do congresso que deverá realizar-se no primeiro trimestre. Uma organização como o Sporting deve olhar para o futuro e pensar num novo conceito de clube onde as pessoas participem mais.

R – Por exemplo?
FSF – O Sporting tem de chegar mais longe e portanto tem de activar os sportinguistas adeptos que estão espalhados pelo país e pelo mundo fora. Não se pode pedir que sejam sócios efectivos do Sporting, uma vez que não podem desfrutar de serem membros efectivos do Sporting, pois não tem a possibilidade de participar na vida associativa do clube e porque não vêm a jogos. Temos de levar o Sporting mais perto dos associados. É necessário criar uma dinâmica enorme para o sócio correspondente. Mas além de captá-los tem de fazer com que participem na vida do clube.

R – Como?
FSF – Alterando o modelo das assembleias. Não podemos esperar grande adesão dos sócios quando as assembleias realizam-se às quintas ou sextas-feiras à noite, terminando às duas da madrugada. Devíamos, por isso, alargar a um referendo uma série de matérias, permitindo que os sócios correspondentes votassem e sentissem ter um papel importante na vida do clube. É também a única maneira de darmos vida aos núcleos do Sporting que sentem a sua vida muito limitada. Pretendemos que os núcleos, além de pólos de desenvolvimento e de representatividade nas diversas regiões e países, sejam participativos.


CONSELHO LEONINO ALARGADO


R – Outras medidas?
FSF – Deveríamos criar um novo figurino do Conselho Leonino. Em vez de ser 50 sócios poderia ser formado por 200 ou 300 associados com poderes instituídos para aprovar um conjunto de operações, designadamente as mais correntes e banais da vida do clube, designadamente orçamentos, as contas do clube e outras matérias.

R- Acredita que essas propostas seriam bem aceites?
FSF – Tenho a consciência de que uma série de sportinguistas vão estar totalmente em desacordo com as minhas ideias. Não vem mal ao mundo por isso. Mas se não procurarmos inovar, as organizações ficam paradas. Temos pois a obrigação de pelo menos fazer com que as pessoas debatam os temas para saber se as ideias são boas ou más.

R – O Sporting não tem tido medo de assumir rupturas. Será mais uma?
FSF – Não acho que deva ser considerado uma ruptura. Tem de ser visto como evolução que vai no sentido de acompanhar o progresso da sociedade, descobrindo como é que pode estar mais próximo das pessoas.

R – Isso mexeria com os estatutos?
FSF – Claro e nada disto pode ser feito sem ser aprovado numa assembleia geral normal. Nada é feito contra a vontade dos sócios. Mas estas são meras ideias que nasceram da reflexão que tenho feito sobre o que é esta organização hoje em dia e que resultam das obrigações naturais de um presidente.



O MODELO DA SAD


R – No modelo de gestão do clube não encontra outras falhas que com medidas imediatas poderia ser capaz de colmatar? Falo por exemplo do distanciamento que existe entre as diversas sociedades da organização, sendo evidente que o futebol é um mundo à parte.
FSF - Já disse que o Sporting tem de perceber que há um Sporting clube e modalidades e um Sporting profissional que está organizado numa SAD. Essa SAD deve gerir todo o contexto do futebol profissional, gerindo também todos os activos que tem do futebol profissional. Uma mudança substancial, relativamente ao modelo que hoje está montado, é a SAD deixar de subcontratar quase tudo. Se calhar, era melhor encaixar tudo lá dentro.



CONSELHO DIRECTIVO E EXECUTIVO


R – O órgão de topo não mereceria adaptações?
FSF – O Conselho Directivo do Sporting também deveria ser reduzido, talvez para cinco elementos, pois não faz sentido que seja composto por onze. Ou então optar por um conselho directivo mais alargado mas composto por elementos executivos e não executivos. Os elementos do CD executivos deveriam ser administradores das sociedades do Sporting e até poderiam ser profissionais e pagos. Não há razão nenhuma para que elementos do CD que dedicam 50 ou 60 por cento do seu tempo à actividade do Sporting, que não é do Sporting amador mas sim do Sporting profissional, vivam em amadorismo. Só agora me apercebo que o Sporting ganharia muito se todas as sociedades tivessem sempre administradores elementos do CD.

R – Mas o que é que o impede de avançar já para essas medidas?
FSF – Parti para este mandato com uma determinada realidade e acho que assim devo conclui-lo. São ideias que deixo eventualmente até como legado se porventura não me recandidatar.


MODALIDADES


R – Falou das modalidades amadoras. Nesse novo Sporting admite voltar à ideia primitiva: encarar o ecletismo numa óptica não-profissional?
FSF – Mais do que isso. Sejamos honestos: não há modalidades amadoras. Não há nenhum atleta de atletismo, andebol, futsal que não seja profissional e até os jogadores de ténis de mesa são semiprofissionais. O que acontece é que o custo e o profissionalismo dessas modalidades não se encaixa com os proveitos que têm. Logo, são sistematicamente deficitárias. Só deviam de viver das receitas que o clube tem: os 25 por cento da quotização e os patrocínios que angariam. Quem não se enquadrar nestes parâmetros não pode existir, porque cada euro que aqui gastarmos a mais é um euro que tiramos na competitividade da modalidade nobre que é o futebol. Não é possível que só o futebol é que se autosustenta e ainda sustenta todos os outros. Isso não impede que o Sporting esqueça do seu lema de ser uma escola de fomento e formação do desporto. Por isso, o Sporting deve encarar com naturalidade o regresso de modalidades que já perdeu desde que as enquadre na área da formação e que comecem por aí. Podemos inclusivamente trazer para casa outros desportos que actualmente não praticamos, como os desportos radicais: os 29 mil metros quadrados onde não vamos poder fazer nada pode ser um parque de desportos radicais.

R – É então possível ao Sporting voltar a ter basquetebol, por exemplo?
FSF – Temos hóquei em patins mas só de formação. Queremos voltar a ter volei e basket de formação. E parar aí! No dia em que passar para o profissionalismo tem de encaixar no modelo que não pode custar dinheiro. Não pode ir roubar dinheiro à actividade fundamental que é o futebol que é o motor de todo este clube.

PAVILHÃO


R – E quando é que haverá um pavilhão?
FSF – É um tema que deve ser muito bem debatido e equacionado, nomeadamente no Congresso. É preciso esclarecer quanto é que custa fazer um pavilhão, para que serve, quais são as receitas que podemos obter e quais os custos de manutenção.
R – Pelos vistos, o melhor é não pensar nisso...
FSF – Não digo isso. Mas vale a pena sermos confrontados com a equação, enquanto não temos fundos próprios para fazer esse tipo de investimento, e perceber outra vez se queremos gastar euros em activos que ficam activos ou euros na competitividade e na promoção do desporto.

 

In www.record.pt


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