Início > Arquivo Noticias > Clube > Realidade informativa
Quinta, 09 Dezembro 2021
Realidade informativa PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 29 Dezembro 2007 01:52
071229_6256No suplemento Sport do Correio da manhã foi hoje publicada uma entrevista, que optámos novamente por publicar na integra:


"- Correio Sport – Por que motivo saiu do Sporting?

- Rui Meireles – O presidente Soares Franco disse-me que o resultado de um estudo pedido a uma empresa externa apontava para uma estrutura empresarial assente na direcção-geral comercial, à qual ficariam subordinadas todas as restantes áreas. Foi entendido não haver espaço para mim.

- Ficou convencido?



- Eu sou uma pessoa incómoda, penso pela minha cabeça e não presto vassalagem. Após a saída de Dias da Cunha, passei a ser um alvo a abater pelo poder que tinha. Foi necessário gastarem largas dezenas de milhares de euros por um estudo que sustentasse a minha saída. A solução foi um fato à medida.

- Sentiu-se traído por Pedro Afra, actual director-geral do grupo Sporting?

- Traído não. Já conheço Pedro Afra há vários anos e conheço a forma insinuante como gere a sua carreira junto do poder. O Sporting não pode funcionar numa base de ‘compadrio’. Quando tal acontece vão chegar pessoas incompetentes a lugares críticos.

- Era preciso fazer um despedimento colectivo na Sporting Património e Marketing?

- Era preciso reduzir o número de efectivos do Grupo Sporting e não apenas da Património e Marketing. O despedimento colectivo foi um acto irresponsável, de falta de coragem, afrontação e de inexistência de argumentos válidos. Quando a vida de pessoas está em jogo, não se pode fazer despedimentos colectivos por um lado e tomar medidas despesistas por outro.

- Colocava limites a Carlos Freitas ou a Paulo Andrade, ex-administrador da SAD, nas contratações?

- Havia um acordo com a banca que implicava limitações, nomeadamente no investimento em novos jogadores.

- Dias da Cunha é arguido no processo João Pinto. Surpreende-o?

- Foi constituído arguido, porque lhe solicitei que na qualidade de administrador procedesse à assinatura de um contrato. Caso fosse administrador, teria sido eu a assinar o documento e seria eu o arguido.

- José Veiga actuou como empresário ou amigo de João Pinto?

- Como empresário. Os amigos, entre aspas, não recebem comissões.

- É verdade que o Sporting pagou a João Pinto de maneira que ele fugisse aos impostos?

- É completamente falso.

- Está preocupado com a cotação das acções do Sporting?

- Estou preocupado com a falta de credibilidade na indústria do futebol. A cotação das acções resulta em parte desta falta de credibilidade.

- Investidores estrangeiros devem entrar na Sporting SAD?

- O projecto de reestruturação que defendo tem na abertura de capital a investidores fortes, nacionais ou estrangeiros, um dos seus principais alicerces. Numa estrutura societária em que considero só haver razão para existir o clube e a Sporting SAD, importa transferir valor para a empresa cotada, nomeadamente através do Estádio e da Academia. Em termos de mercado a sociedade desportiva passará a ser mais apetecível para os grandes investidores. Com a entrada de novos fundos haverá uma melhoria dos capitais próprios, uma redução do endividamento e dos juros bancários, libertando recursos para investir no futebol e nos serviços aos sócios e accionistas.

- Equaciona a hipótese de o clube ter directa ou indirectamente uma participação minoritária na SAD?

- Não é nenhum drama. Sempre defendi que dificilmente conseguimos cativar capitais mantendo o clube a maioria do capital. O clube teria a participação máxima permitida por lei que é de 40 %.

- Defende a extinção de modalidades como meio de contenção de custos?

- Sim. O próprio Soares Franco era um acérrimo defensor desta posição quando não era presidente. Lamento que o presidente tenha optado por uma gestão populista e não por uma gestão racional em prol dos reais interesses do Sporting.

- Está de acordo com o rumo que o Sporting está a tomar?

- Tenho assistido a uma gestão populista, de exteriorização de muita vaidade e de pouca contenção verbal. Não consigo identificar motivos para satisfação da actual gestão. O processo com a Câmara de Lisboa tarda em concretizar-se, a receita da venda do património não desportivo não proporcionou a redução prevista no passivo financeiro, as dificuldades financeiras e de tesouraria agravaram-se, os resultados desportivos tardam em aparecer e a aproximação aos sócios e adeptos do Sporting continua a ser uma aposta adiada.

- Soares Franco disse que o Projecto Roquette deu um prejuízo de 50 milhões de euros.

- Foi um projecto pioneiro, mas o Sporting está a pagar erros crassos, alguns decorrentes desse pioneirismo, outros pelos excessos cometidos e que a vaidade dos principais mentores não deixou estancar.

- Quando saiu estava prevista uma renegociação do Project-Finance do Sporting?

- Comecei a dar passos importantes para fazer ajustamentos aos planos da dívida financeira, no entanto surgiram iniciativas novas que entorpeceram o processo e um ano e meio depois do início das minhas iniciativas não se conhecem os resultados.

- O Sporting depende da Banca?

- Já devia ter uma gestão equilibrada, em que o peso do serviço da dívida financeira fosse cada vez menor na estrutura dos fluxos de tesouraria. A gestão seguida em nada abona a favor de uma redução da dependência da banca.

- O Sporting ainda precisa de alienar mais património?

- A construção de um Estádio exclusivo do Sporting foi um erro e que muito está a penalizar a actividade desportiva com a dispersão dos recursos financeiros. A alienação do restante património (Estádio e Academia) é um cenário possível, mas só deve ser ponderado depois de esgotadas outras alternativas como é o caso do naming do Estádio.

- Pedro Barbosa só entrou no Sporting pela amizade com Carlos Freitas e Paulo Bento?

- Não sei o que ele faz no Sporting para além daquilo que vejo nos jogos. No entanto, estou convicto de que não foi o factor amizade que prevaleceu na sua contratação, até porque Pedro Barbosa viu a remuneração-base ser duplicada no espaço de um ano.

- Concorda com o prémio de 86 mil euros pago a Carlos Freitas?

- Foi Soares Franco que me pediu para o pagar. Mas os prémios de gestão devem ser atribuídos. Eu próprio recebi 29 mil euros, prémio que teve a ver com a minha intervenção num acordo com a Banca. Foi o único em 12 anos.

- Admite candidatar-se à presidência do Sporting?

- Não, mas o futuro a Deus pertence.

- Arrependeu-se de ter jantado com Abrantes Mendes.

- De maneira alguma. Depois das eleições acedi a um convite de um amigo comum para que jantássemos juntos e a primeira coisa que Abrantes Mendes fez foi pedir-me desculpa pelos ataques pessoais. E nunca me fez uma pergunta sobre a vida interna do Sporting.

- Abrantes Mendes dava um bom presidente para o Sporting?

- Se conseguir arranjar uma boa equipa, o que não foi o caso na última candidatura e ele sabe disso, poderá ser um bom presidente do clube.

- Soares Franco deve recandidatar-se?

- Há poucos meses disse que não sabia se ia acabar o mandato, o que constituiu um factor de instabilidade evitável, agora vem dizer que já está a trabalhar na recandidatura.

- O Sporting tinha necessidade de um estádio com 50 mil lugares?

- Para o nível médio de assistências é excessivo. Defendi que o Estádio do projecto inicial, com 42 mil lugares, era a melhor solução, não só porque teria um custo substancialmente mais baixo, como teria permitido a construção de um pavilhão multidesportivo no espaço onde foi erguido o Alvaláxia (solução de recurso) e também porque o Estádio seria ainda mais acolhedor com o público praticamente em cima do recinto de jogo, à inglesa, com uma forte pressão dos adeptos em geral e das claques em particular.

- Soares Franco foi insultado pelas claques...

- Durante vários anos tive a responsabilidade de gestão das claques que conduziu à criação de um protocolo, actualmente suspenso. Sou favorável à existência de claques mas de acordo com um conjunto de regras e responsabilidades para ambas as partes. Mas sou completamente contra as reacções desencadeadas no jogo com o Louletano para a Taça de Portugal. As claques têm o direito à indignação mas a forma como o fizeram é condenável.

- Diz ser favorável à existência de claques...

- No caso do Sporting as claques têm sido a principal mola de incentivo para os jogadores, acompanham a equipa a todo o lado. Em tempos fiz-lhes um desafio, sem sucesso, para que se unissem e formassem uma só claque no topo sul. Seria a maior claque portuguesa que faria de Alvalade um autêntico inferno. Tenho esperança de que um dia isso venha a acontecer.

ERROS DE CÁLCULO (Opinião do jornalista João Querido Manhã)

Uma polémica de bastidores entre um director financeiro e um grupo de administradores pode ter um efeito devastador para a imagem de uma instituição bancária, mas é praticamente insignificante na vida de um clube de futebol.

Pouco ou nada preocupados com o processo entre o presidente Soares Franco e o ex-director financeiro Rui Meireles, os sportinguistas por estes dias só querem perceber e avaliar o alcance do ‘levantamento’ do seu goleador contra a disciplina férrea do treinador Paulo Bento. De algum modo, porém, uma coisa tem a ver com a outra.

Rui Meireles foi uma figura cinzenta escura ao longo dos doze anos que serviu o Sporting, numa área administrativa, mas com salário de futebolista mediano, beneficiando de uma posição estratégica ao serviço do presidente José Roquette, o homem que introduziu no Sporting o conceito de clube empresa em que, num quadro de autêntico caos orgânico, acabaram por florescer os conceitos administrativos e multiplicar-se as empresas e serviços, um prometido paraíso de gestão que redundou no agravamento do quadro geral das finanças do clube, em consequência dos resultados negativos acumulados por toda essa actividade improdutiva, parasita do futebol.

Conhecido como o ‘homem do BES’ nos ‘mentideros’ do clube, cultivou o low profile característico da rapaziada das finanças, mas não deixou de sentir o apelo do futebol, já na gestão de Dias da Cunha, quando a equipa leonina ficou nas mãos da linha burocrática. Sem sensibilidade desportiva, cometeu o erro fatal de abandonar um jogo marcante, quando a equipa perdia copiosamente, em Paços de Ferreira, deixando os jogadores e o treinador José Peseiro à mercê da fúria dos adeptos.

Esse erro de cálculo foi-lhe fatal, bem como o alinhamento com o candidato Abrantes Mendes, derrotado nas eleições que se seguiram à demissão de Dias da Cunha. O seu profundo conhecimento da crítica condição financeira do clube permitiu-lhe manter o emprego durante mais dois anos e agora ameaça prolongar-se como uma sombra da restruturação empreendida por Soares Franco.

O presidente do Sporting veio anunciar uma redução do défice na ordem dos 28,5 milhões de euros, mas o ex-director financeiro desmente-o e ainda levanta suspeitas sobre o destino de mais 24 milhões resultantes da venda do património imobiliário.

Sem as consequências dramáticas, inclusive para a estabilidade económica do clube, de um possível confronto entre Liedson e Paulo Bento, as alegações de Rui Meireles lançam uma nuvem de descrédito sobre uma instituição cotada em bolsa, com custos irreparáveis sobre a sua imagem, aos olhos dos investidores.

Quando Meireles foi afastado, embora negando a indemnização milionária que tanto indispusera os membros do Conselho Leonino, o presidente Soares Franco elogiou o profissional e desmentiu a ideia de um confronto entre as partes, resultante do alinhamento declarado dele com uma lista opositora, no processo eleitoral. Percebe-se agora a fragilidade dessa cordialidade, em contraste com as ameaças de procedimento cível e de expulsão de sócio. Outro clamoroso erro de cálculo, com um lesado único: o Sporting.

Nuno Miguel Simas "

 

In http://resistencia06.blogspot.com


Ítems Relacionados:

 

Redes Sociais

  • Facebook Page: 204936909525135
  • Twitter: scpmemoria
  • YouTube: scpcpmemoria

Escolher Campeonato

RSS Notícias

rss_videos Notícias

Siga-nos no Facebook

header_wikisporting