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Guerra entre Benfica e Sporting? A culpa é deles PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 14 Abril 2010 15:39

100414nicolau_trindadeA rivalidade de Portugal sobre a qual leu nas páginas anteriores nasceu nos anos 30. Na berma da estrada

 

Ajeitam as boinas na cabeça e procuram a sombra da vegetação. O sol está a pique, impiedoso sobre a terra àquela hora do dia. Este ano vai ser ainda melhor, comentam na berma da estrada de terra batida, enquanto aguardam o pelotão que tarda em chegar. "As bicicletas pesam, por isso é que demoram", asseguram com a sapiência de um treinador de bancada. Estamos em 1933, e este ano Alfredo Trindade volta a vestir as cores do Sporting, um clube qualquer da capital que começa a ganhar uma legião de fãs um pouco por todo o lado. Juntamente com José Maria Nicolau, o benfiquista que parecia ter caído nas graças de todos, os dois ribatejanos protagonizaram na década de 30 o início de uma rivalidade que agora não tem fim.



Nicolau e Trindade, uma dupla que arrancava "bravos" e palmas por Portugal inteiro, espalhava pelas estradas do país as cores e os emblemas dos dois clubes da capital, na altura ainda desconhecidos para a maior parte das pessoas. Assistir a um dérbi de futebol estava reservado aos habitantes de Lisboa e arredores. Já a Volta sempre teve um cariz mais social, era o desporto do povo, de fácil acesso a todos. Assim, os dois rivais na estrada, mas compadres fora dela, foram conquistando adeptos para os clubes um pouco por todo o país. E eram, volta e meia, fotografados abraçados em cima das respectivas bicicletas, em sinal de um companheirismo inesgotável.

A liça entre ambos começara anos antes. Nicolau, ferreiro de profissão, estreou-se pelo Carcavelos em 1928. Três anos depois vence a segunda edição da Volta a Portugal, inaugurando a supremacia de ambos nos quatro anos seguintes. Nicolau venceu em 1931 e em 1934 e Trindade em 1932 e 1933.

O sportinguista nasceu a poucos quilómetros do Cartaxo, terra de Nicolau, e era operário antes de se render ao ciclismo. Venceu a primeira Volta ao serviço do União Clube do Rio de Janeiro, em 1932. O contra-ataque de Trindade começa na etapa que liga Castelo-Branco a Viseu. Nicolau vence sete vezes, mas a camisola amarela já lhe tinha definitivamente escapado do corpo para o rival, que se vingou da afronta do ano anterior.

Com a transferência de Trindade para o Sporting, em 1933, a competição entre ambos ganhou ainda mais expressão. Nesse ano, o benfiquista começa a acusar problemas musculares e renais, e perde a Volta. Trindade torna-se o primeiro homem a repetir uma vitória na maior prova de ciclismo português. Em 1934 Nicolau é um homem novo. Também o ciclismo pode ser um jogo de sorte ou azar. Perto de Castro Verde um motociclista invade o pelotão derrubando vários ciclistas, entre os quais o antigo operário. Nicolau volta a ganhar, pela última vez. Em 1939 retiram-se definitivamente da competição deixando, contudo, uma marca indelével no desporto português.

 

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