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Sexta, 27 Agosto 2010 22:44
100827brondby_sportingFoi um triunfo épico do pragmatismo que fez o Sporting resgatar o favoritismo académico com que partira para a eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga Europa com o Brondby, desvirtuado no jogo de Alvalade com a tão cínica como potencialmente comprometedora vitória dos dinamarqueses. Foi com a consistência defensiva sem falhas que faltou na primeira mão e a eficácia na concretização que tem faltado nos últimos jogos que os leões fizeram história ao reverter em apuramento uma eliminatória desfavorável desde uma derrota em casa. Foi, em suma, com muita cabeça fria para resgatar a sorte do triunfo que os leões conquistaram de pleno direito um lugar na fase de grupos da Liga Europa.


O jogo começou com a aparente confimação de que Paulo Sérgio se decidiu em definitivo pelo 4x4x2 como plano principal para o Sporting 2010/11 - pelo menos, foi esse o figurino ontem asssumido, com Postiga ao lado de Liedson, na frente, André Santos com Maniche, no miolo, Djaló à direita, Vukcevic à esquerda - e a evidência do bluff de Henrik Jensen, com o Brondby a tentar surpreender nos minutos iniciais, com grande ascendente nos primeiros instantes, sem deixar que o Sporting tivesse a bola. A aposta no jogo directo e na transição rápida para o ataque, como em Lisboa, tal como o técnico dos dinamarqueses perspectivara, ficaria para depois já que, à entrada, os nórdicos surgiam dispostos em resolver logo tudo: um golo a abrir, decidia a eliminatória.

A primeira investida do Sporting até à área dinamarquesa foi aos 12'. Daí não resultou propriamente grande perigo, mas marca o assumir em definitivo do jogo - que teve excepções, como veremos à frente. André Santos foi a âncora que segurou a equipa da eventual tentação de resvalar no desnorte, em articulação com o experiente Maniche, o Sporting ganhou o meio-campo e partiu, sem ser à toa, como determinara de véspera Paulo Sérgio, à procura do golo. Chegou ao cair do pano da primeira parte - chegara antes, por Liedson, mas o lance foi mal invalidado pelos árbitros checos (ver mais informação nesta página) - da cabeça do reforço Evaldo em resposta a livre superiormente convertido da esquerda pelo reforço - cada vez mais efectivo - André Santos.

No reatamento, com metade do caminho da recuperação cumprido, os leões mantiveram a certeza da calma e resistiram mesmo ao assédio avassalador movido pelos dinamarqueses à passagem da hora de jogo, em que as situações de perigo junto à baliza de Rui Patrício se iam sucedendo, sem retirar serenidade à equipa que sabia ser mais forte. Chegou, então, a audácia protegida pela sorte: Nuno Coelho avançou, disparou de onde ninguém esperava, nem o guardião nórdico que acariciou a bola para o fundo da baliza no golo que pôs tudo... a zero. Os anfitriões perderam o arrojo da vantagem, os visitantes eram premiados pelo alento até então comprovado. Já com Matías - perdeu o ensejo de matar o jogo em contra-ataque, aos 78', com os leões em vantagem de quatro para um - e Valdés em campo, acabou por ser o entendimento entre Liedson e Djaló a resolver tudo quando já todos esperavam o prolongamento.

O Sporting foi consistente e eficaz como nunca, provando a superioridade que se sabia ser real. Teve a personalidade e a frieza para acabar por ser feliz. A Liga Europa está garantida. É seguir em frente.

Brondby, 0 - Sporting, 3
Brondby Stadion, Dinamarca
Árbitro: Jiri Jech (Rep. Checa)
-
Brondby
Andersen; Wass, Bischoff, von Schlebrugge e Rasmussen; Nilson e Jensen; Kristiansen, Krohn-Dehli e Larsen; Jallow.
Suplentes: Tornes, Randrup, van der Schaaf, Frederiksen, Farnerud, Bruno Batata e Madsen.
Treinador: Henrik Jensen.

Sporting
Rui Patrício; Abel, Daniel Carriço, Nuno André Coelho e Evaldo; Simon Vukcevic, Maniche, André Santos e Yannick Djaló; Liedson e Hélder Postiga.
Suplentes: Tiago, Anderson Polga, Carlos Saleiro, Matías Fernandez, Jaime Valdés, Leandro Grimi e Alberto Zapater.
Treinador: Paulo Sérgio.
-

Golos: Evaldo (46'), Nuno André Coelho (74'), Djaló (91').

Paulo Sérgio
"Tínhamos razão, valia a pena acreditar"

Paulo Sérgio entende que o Sporting justificou o apuramento pelo que fez no conjunto das duas mãos, realçando a crença que moveu os jogadores. "Tínhamos razão, valia a pena acreditar. Sabíamos que ia ser difícil, mas acreditámos até final e acabámos por ser premiados. Tivemos muita cabeça fria, carácter e personalidade para, primeiro, não sofrer golos, e depois, para os conseguir marcar", salientou o técnico dos verdes e brancos, lembrando a frase profética que tivera domingo, no final do jogo com o Marítimo: "Como eu dizia, de um momento para o outro, íamos marcar três ou quatro golos!"

Para o técnico, a equipa revelou "a consistência e a eficácia" que lhe faltavam e quer que o jogo de ontem seja modelo para o futuro. "Demonstrámos, nas duas mãos, que somos superiores, mas no futebol nem sempre as equipas mais fortes ganham, as equipas mais pequenas trabalham cada vez melhor e adoptam estratégias que são legítimas. Foi assim que o Brondby venceu em Alvalade, onde fomos penalizados pela falta de eficácia e alguns erros", admitiu, acrescentando: "Fomos à procura do que nos interessava, contra uma barreira difícil de ultrapassar, uma equipa mais alta do que nós, bastante física, mas tivemos esse carácter de trabalhar bastante, sem perder a cabeça. Sabíamos que tínhamos 90'. Tivemos um excelente espírito, é o que queremos. Hoje [ontem] fomos felizes porque concretizámos. Parabéns aos meus jogadores."

Paulo Sérgio recusa ainda que o facto de ser o primeiro treinador do Sporting a vencer uma eliminatória depois de uma derrota em casa lhe garanta um lugar na história do clube, confessando que quer esse lugar, sim, mas à custa de metas… mais significativas. "Quero muito entrar na história do Sporting, mas por objectivos muito mais altos. Já disse que nunca me vou pôr em bicos dos pés quando as coisas correrem bem, mas também não vou enterrar a cabeça na areia quando as coisas correrem mal", frisou, antes de um alerta aos jogadores. "Toda a gente está empenhada na conquista do sucesso. Também já disse que os jogadores não podem estar sentados na poltrona. Têm de estar dispostos a jogar hoje, como a ser suplentes amanhã", vincou. Quanto a reforços, ou se ainda espera por mais, Paulo Sérgio respondeu assim: "Tenho aqui os meus reforços."

Djaló
"Golo com sabor especial"

Yannick Djaló resolveu a eliminatória com um belo chapéu, já nos últimos minutos, golo que diz ser para mais tarde recordar. "Com certeza. Foi um golo que teve um sabor especial", referiu o avançado sportinguista, explicando que a equipa verde e branca entrou em campo "com muita vontade" e assim foi capaz de dar a volta à eliminatória.

"O Brondby é uma boa equipa, difícil, mas fomos fortes e justificámos. Estamos muito felizes", confessou o camisola 20 dos leões. "A vitória foi muito importante para toda a equipa. A vitória e a garantia de disputarmos a Liga Europa dão mais confiança e ânimo para o resto da temporada", realçou Djaló, dedicando o feito ao ausente João Pereira.

Nuno Coelho
"Mostrámos do que somos capazes"

Autor do segundo golo do Sporting, na altura a empatar a eliminatória, Nuno Coelho fez uma descrição... curiosa do lance: "Acreditei, rematei e aconteceu!" O central lembrou que a situação não era fácil, o que só valoriza o feito dos leões. "Conseguimos dar a volta ao resultado e isso é que interessa. Sentimos muita alegria, não é fácil estarmos a perder 2-0 e virmos aqui ganhar 3-0. Foi com muito esforço, muita dedicação dos jogadores", destacou o camisola 44. "Em Lisboa não correu bem, mas aqui demos outra imagem do que somos capazes", acrescentou.

Quanto a objectivos na Liga Europa, Nuno Coelho prefere um discurso prudente. "Vamos pensar devagar. Conseguimos entrar na fase de grupos e o nosso objectivo é passá-la", afirmou o reforço ex-FC Porto, para quem esta vitória reforça a confiança do grupo. "Qualquer vitória dá um alento maior, dá-nos mais confiança e é disso mesmo estamos a precisar, de confiança em nós mesmos", reconheceu, satisfeito por ter conseguido a titularidade: "Com muito esforço. Trabalhei para isso todos os dias e é isso que vou continuar a fazer", afirmou, sem dar importância ao facto de dois dos golos terem sido de defesas e dedicando ainda a vitória a João Pereira.

O Sporting um a um
Empurrados por Carriço

Rui Patrício 7

Num momento memorável, evitou o golo do Brondby com um golpe de rins inacreditável: aos 65', após um canto, Bischoff aparece solto a desferir um potente tiro que parecia indefensável; o guardião estica-se todo e desvia para canto, mantendo os leões na corrida. Já tinha sido decisivo um pouco antes, aos 55', quando saiu da baliza para se antecipar a Jallow, que surgia isolado em corrida. Para os colegas, foi sempre um Rui Patrício de confiança.

Abel 6

Uma surpresa no onze... e das boas. João Pereira há muito que agarrou o lugar, mas este Abel mostrou ser um suplente à altura. Subiu com pertinência à área contrária, contribuindo para a fluência do jogo ofensivo verde e branco. Tranquilo e concentrado, esteve bastante bem a defender.

A Estrela: Carriço (8)
A Dinamarca foi conquistada por um guerreiro viking

Trouxe para Copenhaga um espírito de conquista que contagiou toda a equipa. Pela forma decidida como se fazia a cada bola, pela inteligência com que conquistava espaços vazios e pela atitude destemida que lhe permitiam roubar bolas sem fim aos avançados contrários, ele foi um autêntico... viking. Chegou a ser exuberante na forma como se antecipava aos adversários, ganhando lances decisivos, entre outros, aos 8' (corrige erro de Abel), aos 54' (grande corte de cabeça no centro da área), aos 65' (dá o corpo à bola no último instante), aos 66' (rouba a bola a Wass em zona-limite) e aos 76' (mais um corte de cabeça).

Nuno Coelho 7

Se estava sempre no sítio certo, com rigor apreciável, foi no ataque que mais se distinguiu, nomeadamente no decisivo lance que deixava o Sporting igualado na eliminatória. Agarrou a bola à saída do meio-campo, progredindo e atirando às redes. Foi um enorme frango de Andersen, mas Nuno Coelho merece os parabéns por ter acreditado na jogada. Podia ter passado a um colega, mas não: seguiu em frente e rematou, revelando que já perdeu a timidez e está bem integrado neste grupo.

Evaldo 7

Foi um dos dois defesas a facturar, num tento que fez por merecer graças à constante vontade de transportar a equipa para a frente. Fez cinco cruzamentos na primeira parte, o que reflecte a sua (já habitual) apetência ofensiva. O golo que apontou de cabeça deve também ser realçado pela altura em que aconteceu: à beira do intervalo deu novo espírito à equipa.

André Santos 7

Começa a impor-se com grande categoria neste conjunto. Com uma crença absoluta nas suas capacidades, encheu o meio-campo, sustendo todos os ímpetos do Brondby pelo centro do terreno. Marcou com exactidão o livre para a cabeça de Evaldo no 0-1.

Maniche 7

Ninguém o viu a correr como um louco, mas terá sido essa a atitude ideal, a proporcionar-lhe a distinção de ter sido um dos melhores de conjunto. Ponderado, pausado, revelou maturidade sem limites. Sempre sensato no sítio (e no tempo) que escolhia para passar a bola, impressionou também porque, em todo o jogo, não se lhe viu um único erro.

Vukcevic 6

Exibição positiva do montenegrino. Mesmo sem ter participado nos lances capitais do encontro, merece elogios pela atitude lutadora, pela insistência com que tentou fazer a diferença na ala direita. Nem sempre foi totalmente feliz, mas em nada pode ser criticado.

Yannick Djaló 6

Jogo de contrastes, tendo em conta que parecia absolutamente desinspirado, perdendo inúmeras bolas com fintas despropositadas. Esteve mal, mas só até ao momento em que fez explodir os leões de alegria. Nesse lance, já nos descontos, ganhou finalmente no um-contra-um. Em vez de uma finta, decidiu-se por um chapéu certeiro.

Postiga 5

Nem sempre tinha a noção - ou a disponibilidade física - para estar no sítio certo, transmitindo por vezes a ideia de que se poderia esforçar um pouco mais. O treinador compreendeu a tempo que o seu ritmo não estava ao nível dos colegas e substituiu-o... bem.

Liedson 7

Esforçado e aplicado na reviravolta, acreditou nas capacidades dos colegas e por isso trabalhou como um louco, sempre atrás dos adversários, na esperança de uma aberta para poder decidir. E decidiu. Não a marcar, como habitualmente, mas com uma abertura genial a permitir que Djaló fizesse o golo da noite (e da eliminatória).

Matías Fernández 6

Entrada com imediato reflexo positivo na exibição de toda a equipa. Finalmente, a equipa leonina tinha um homem que conseguia desequilibrar com a bola controlada no último terço do terreno.

Valdés 5

Sobretudo pela frescura, também dinamizou a equipa.

Saleiro -

Entrou para queimar tempo.

O Momento: 90+1' [0-3]
O chapéu que gelou o norte antes de chegar o Inverno

O ambiente era de euforia desde o primeiro momento, os cânticos nas bancadas não paravam e os adeptos do Brondby, mesmo com o Sporting a ganhar por 2-0 e a eliminatória empatada não esmoreciam o entusiasmo que se preparavam para prolongar por mais meia hora. A derradeira investida surgiu: Djaló arrancou, combinou com Liedson, que fez assistência primorosa na devolução que isolou o 20. Imperturbável, ante a saída de Andersen e a perseguição dos centrais, Yannick fez o chapéu perfeito que gelou Copenhaga e colocou ao rubro os leões. Estava garantido que a Liga Europa se jogava em Alvalade.

 

In ojogo.pt

 


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