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Sexta, 12 Agosto 2022
Nélson. «Schmeichel era um fenómeno. O melhor defesa? André Cruz, claro...» PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 02 Setembro 2010 16:20

100902_nelsonGuarda-redes bicampeão no Sporting acaba a carreira aos 34 anos. Agora quer ser treinador

 

Idolatrado no balneário, respeitado pelos adversários e acarinhado pelos adeptos, Nélson pôs um ponto final na carreira. Do início no Torreense, onde até era avançado e marcava golos, aos problemas nos joelhos, passando pelas nove épocas em Alvalade, o guarda-redes que trabalhou com Damas, Schmeichel ou Baía recorda os melhores e piores períodos no futebol com uma certeza: o ponto final é só um parágrafo. E depois de anos e anos a aprender, chegou a altura de ensinar.



O fim da carreira era mesmo inevitável?

Tinha uma lesão no joelho esquerdo mas tive de ser operado ao direito. Tentámos todos os tratamentos possíveis, factores de crescimento, correcção do ligamento lateral mas nada resultou. E acabou...

E como foi o primeiro dia pós-anúncio?

É uma sensação estranha, desde sempre me dediquei muito à causa dos guarda--redes, estava a atravessar um bom momento, era feliz mas a lesão acabou com isso.

E agora, como vai ser o futuro?

Vejo-me mais como técnico de guardiões do que principal. Posso dizer que sou um estudioso da matéria, dei inclusive aulas numa faculdade em Odivelas, numa pós--graduação de treino de guarda-redes. E vou fazer uns estágios de observação...

Quem foram as principais referências?

Schmeichel, Vítor Baía, ainda joguei contra o Preud''Homme. Senti-me um privilegiado e consegui retirar muito deles.

Era fácil trabalhar com Schmeichel?

Muito, muito fácil... E bom! Era bastante interventivo connosco e ainda tinha o Silvano Di Lucia, treinador de guarda--redes. Era dois em um! Schmeichel tinha sido o melhor do mundo, era muito exigente mas a imagem que passava cá para fora era bem diferente dos treinos...

Mas só a mão dele metia respeito...

Ah, a onze e meio... Ele conseguia agarrar na bola e pô-la no meio-campo com uma mão como se fosse uma bolinha de andebol. Era um fenómeno, ensinou-me muito na colocação e posicionamento.

Alguma vez pensou começar no Torreense e passar por Sporting e selecção?

Nunca. Até por uma razão: comecei como avançado. Mas um dia faltava um guarda-redes e o meu irmão insistiu para que fosse eu. Depois deu nesta carreira...

Com dois campeonatos em Alvalade...

Foram nove épocas fantásticas no Sporting e fazer parte da equipa que quebrou o jejum de títulos enche-me de orgulho! Tínhamos um grande grupo, mesmo não sendo uma equipa tão boa como em 2002, mas foi essa união que resultou no título. E eu era quase um desconhecido...

Viveu mais esse título ou o de 2002?

São ambos especiais, mas o primeiro foi o fim do jejum... Lembro-me que, quando o Schmeichel se lesionou e entrei na equipa, havia dúvidas mas essa fase coincidiu com o arranque da senda de triunfos rumo ao título. Em 2002 era uma vitória anunciada: tínhamos a fenomenal dupla Jardel-JVP, André Cruz e Beto em grande forma, Rui Jorge, Paulo Bento, Barbosa, Niculae, os miúdos Quaresma e Hugo Viana... Era demasiado valor!

E em 2006 acaba por sair do clube...

Nem sei bem o que dizer sobre isso... O contrato acabava. Em vez de ser convidado para renovar, propuseram-me que passasse para técnico de guarda-redes da formação. Tinha 30 anos, conseguia jogar - apesar de às vezes ter de levar injecções no joelho - e fui embora. Agora, se entenderem que tenho competências para integrar os quadros, veremos...

Quantos convites recusou nas nove temporadas que esteve no Sporting?

Um, do Everton. Estive em Inglaterra, fiz treinos, a proposta era boa mas somei todos os prós e contras e entendi que era preferível ficar onde gostava: Sporting.

Passou depois por V. Setúbal, E. Amadora e Belenenses. Foi aí que teve contacto com o outro lado do futebol?

Eu tinha vindo de uma segunda divisão mas nunca sentira tantos problemas com salários em atraso e afins... Muita gente não tem noção do que é o futebol e, extra grandes, trabalha-se com tostões e muitas vezes nem isso pagam. É difícil...

Qual foi o máximo de meses em atraso?

Nove meses, no E. Amadora. Só não senti mais porque tinha a vida organizada. E se não fosse pelos outros companheiros tinha saído logo, mas se começasse a debandada o clube podia fechar e não queria ser responsabilizado por isso...

Mas aí houve situações dramáticas...

Alguns atletas tiveram problemas gravíssimos. Íamos tentando ajudar mas foi complicado... A certa altura, passava mais tempo em reuniões para tentar resolver os problemas do que a treinar, às vezes nem sabia se teria tempo para trabalhar. Consegui estar este tempo todo no futebol, tive alguns momentos altos mas também passei por dificuldades. Isso fez-me crescer muito como homem e pessoa.

Qual foi o melhor guarda-redes que viu?

Português, o Vítor Baía; estrangeiro, de forma mais global, o Schmeichel!

E o melhor defesa com quem jogou?

Essa é mais fácil: o André Cruz, claro...

E qual foi o avançado mais temível?

Ui, complicou... Em Portugal, Jardel, no FC Porto, e JVP, no Benfica - que depois jogaram comigo e só tinha de defrontar nos treinos... Ah, o Liedson nos treinos... É difícil mas aquele ataque do Real Madrid, em 2002, com Figo-Morientes-Raúl, foi terrível. E estreava-me na Champions...

 

In ionline


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