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Terça, 04 Outubro 2022
“O meu ídolo Vítor Damas” por Carlos Severino PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 15 Setembro 2010 10:19

DamasNa passagem do 7º aniversário da morte de um ídolo, amigo e colega, permitam-me, no Sporting, quero partilhar convosco momentos vividos com o GRANDE DAMAS.

No final dos anos 60, jogava eu nos juniores do Sporting Clube de Pinheiro de Loures, filial do Sporting ainda hoje, despontava em Alvalade um miúdo que de repente aparece como titular das redes dos leões, tirando lugar ao Joaquim Carvalho. O “puto” não enganava. Elegante, seguro e espectacular a defender, o Vítor depressa ganhou a simpatia dos adeptos leoninos. Ao domingo, à tarde, lá estava eu, em Alvalade, a ver o Sporting e o meu ídolo Damas a fazer defesas impossíveis.

 

Os duelos com Eusébio foram inesquecíveis, embora o Vítor não chegasse para evitar algumas derrotas provocadas por aquele predestinado que sendo Sportinguista haveria de ser “desviado” para o Benfica em, má hora para o Sporting. Também me recordo de numa noite europeia Damas ter defendido 3 ou 4 penalidades que acabaram por não valer, ao abrigo dos novos regulamentos da altura. Foi com o Glasgow Rangers. Na Escócia derrota por 3-2, em casa vitória por 4-3.Toda a gente saiu feliz de Alvalade, mas no outro dia os jornais traziam a má nova.

 

Ainda estava longe de imaginar que um dia haveria de ser “companheiro” de Damas numa causa comum, o Sporting, quando vi o desespero do atleta, guarda-redes, que se sente impotente para dar a volta aos acontecimentos e agarra na bola desatando a fintar toda a gente para ver se fazia o que os colegas não conseguiam: golo! Foi num jogo com a Académica, que, salvo erro, haveria de ser o derradeiro encontro daquela fase, em 1975, com Damas na baliza do Sporting. Uns dias antes encontrei-o a estacionar o seu carro na Estefânia, em Lisboa, e fiquei ali parado como que a olhar para um Deus. Nada disse. Apenas observei um ídolo meu e de tantos outros, que nem sabia da minha existência, que nem deve ter reparado naquele “miúdo” que estava ali a olhar, embasbacado, para ele.

 

Damas, contou-me ele mais tarde, chegou a assinar pelo FC Porto, mas João Rocha, o presidente, não o deixou ir. O bom do Vítor foi parar ao Racing de Santander, onde acabou por perder a titularidade na selecção e o estatuto de figura de proa do futebol português. Isto apesar das suas boas exibições em Espanha. Só que o Santander era, e ainda é, um clube sem os pergaminhos dos grandes emblemas espanhóis e portugueses e houve até uma época em que passou  pela 2ª divisão.

Quando regressou a Portugal, Damas jogou ainda no Guimarães e no Portimonense antes de regressar ao seu Sporting. E é no Sporting, onde terminou a carreira de jogador, aos 41 anos, que o vou reencontrar. Agora eu como jornalista, numa altura em que Damas assumiu o comando técnico da equipa principal substituindo Pedro Rocha. Confesso que não o achei simpático. Pareceu-me algo arrogante, desfazendo um pouco a magia que sempre temos daqueles que admiramos e que são inacessíveis. Estávamos em Maio de 1990

 

Em 1995 fui ao Brasil e toda aquela impressão menos positiva passou. Eu fazia parte de uma equipa de jornalistas que representou o CNID num encontro com a congénere do país irmão. Pois, o seleccionador era o Vítor Damas e o adjunto, Manuel Bento, pois então. Os momentos que partilhei com ele daquela vez, mostrara-me o homem sensível, fraterno, bem-disposto e compincha que jamais imaginava. Foram dias fantásticos, apesar de termos perdido 5-0 no Estádio de Curitiba. Na equipa brasileira despontava esse grande “jornalista” chamado: Paulinho Cascavel!!! Na nossa equipa “despontavam” esses grandes “jogadores” como: Jorge Gabriel, José Carlos Soares, Tito Nascimento, Lobo Pimentel, Paulo Quental, João Paulino e Carlos Boto entre outros.

 

Em 1998, tive o privilégio de poder partilhar a sua companhia nas instalações do Sporting e no acompanhamento da equipa, então liderada por Carlos Manuel, por esse país fora. Para além de tudo o mais era delicioso assistir aos duelos no final dos treinos, entre Damas e… Paulinho. Ó “sôr” Damas vou-lhe marcar um golo, dizia o Paulinho. Às vezes até marcava. E depois trocavam. O Damas rematava e, às vezes, o Paulinho… defendia. Parecia um mundo perfeito.

No final da época Carlos Manuel foi dispensado, e lá foi Damas fazer de “bombeiro” como técnico principal, numa digressão pelos Açores e pelo norte do Continente. Como homem do futebol, Damas soube gerir um momento muito difícil, com o jogadores saturados e psicologicamente abatidos por uma campanha frustrante, com o Sporting a apurar-se para a UEFA graças a um golo de Vidigal, perante um Belenenses que até desceu de divisão.

 

Em 98/99 Damas foi “chutado” para o Lourinhã, era a equipa B do Sporting, e depois haveria de ser dispensado pela SAD dirigida por Ribeiro Teles.

No final da época de 2002/03 foi-lhe feita uma homenagem no velhinho Alvalade onde, já muito doente, Damas agradeceu os muitos aplausos que os Sportinguistas lhe tributaram. Nessa altura manifestou o desejo de estar presente na inauguração do Alvalade XXI. Lá esteve no dia 6 de Agosto. Foi a última vez que falamos. Mesmo muito doente não deixou de mostrar uma felicidade enorme por estar na sua “casa”.

 

Mesmo contando com a indiferença e o abandono de dirigentes que nunca o aproveitaram como um verdadeiro símbolo do Sporting, Vítor Damas é daquelas personalidades que da lei da morte se libertou, por feitos e glórias ao serviço do Sporting Clube de Portugal.

 

Carlos Severino In sportingapoio.com


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