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Sporting: Maniche é o despertador no acordar para a realidade PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Terça, 21 Setembro 2010 11:11
100921_manicheCinco jornadas e 12,4 milhões de euros em reforços depois, o Sporting é uma equipa sem personalidade, sem atitude e sem golos. Maniche não é capitão, mas a sua voz toca nas feridas

Um dia, quando jogava no Atlético de Madrid, Maniche virou-se para o treinador Javier Aguirre, abriu a boca e pôs fim às possibilidades de continuar a jogar no clube espanhol. "Disse-lhe que era fraco, que era má pessoa e muito fraquinho como treinador. Depois tive de ir para o Inter de Milão", recordou o futebolista numa entrevista ao i, em Novembro do ano passado, quando ainda jogava no Colónia, na Alemanha. Maniche nunca foi rapaz de ficar calado e não é agora, aos 32 anos, no auge da experiência e com a carreira já feita que vai mudar, muito menos se estiver a jogar no Sporting, o clube do coração, onde o pai o inscreveu como sócio quando ainda era um miúdo. Maniche nem sequer é o capitão leonino, mas no final do dérbi com o Benfica falou como se fosse - e pôs o dedo nas feridas. Todas.


PRIMEIRA FERIDA "Houve bom futebol, sem casos. Faltou no entanto um pouco de personalidade ao Sporting para jogar no campo do Benfica." Maniche chegou à zona mista do Estádio da Luz e abriu a torneira para os jornalistas, assim de forma surpreendente, num discurso pouco habitual. Por responsabilidade, coragem ou porque já não têm nada a perder, os futebolistas com mais anos nas pernas têm esta facilidade de dizer aquilo que os mais jovens costumam enrolar. E o médio lá apontou a falta de "personalidade" para justificar aqueles 90 minutos em que o Sporting produziu pouco mais de uma oportunidade de golo. Faltou carisma para enfrentar o ambiente da Luz? Pareceu. Com uma dupla de centrais a estrear-se num dérbi, com André Santos a assumir aos 21 anos a posição de trinco e Yannick ainda longe de conseguir serenar as suas cavalgadas inconsequentes, o Sporting raramente conseguiu assumir o domínio do jogo. Aliás, o próprio treinador, Paulo Sérgio, apontaria depois o mesmo problema. "Faltou-nos personalidade para tratar a posse de bola." Conclusão: 12,4 milhões de euros de reforços depois (Evaldo, Nuno André Coelho, Torsiglieri, Valdés, Zapater e Salomão - sem contar o custo zero de Hildebrand e Talles), o Sporting é à quinta jornada uma equipa sem personalidade.

SEGUNDA FERIDA "Espero que o Sporting mude a atitude e a forma de pensar." Maniche continuou a descarregar e toda a gente deu importância às suas palavras, aliás, capazes de fazer passar para segundo plano a minientrevista dada pelo capitão, Ricardo Carriço. Se de um lado estava a coragem para assumir o momento, do outro faltava eventualmente a experiência para o fazer. "Não foi por falta de atitude que perdemos frente ao Benfica", disse Daniel Carriço. Como? O que não bate certo?

A generalidade das crónicas apontaram ao Sporting uma derrota não apenas no jogo mas desde logo nos duelos individuais. O treinador, Paulo Sérgio, de resto, assumiu no final da partida que poderia ter errado ao escolher um onze inicial onde os leões ficaram abaixo dos encarnados em média de altura. Essa diferença notou-se, principalmente na forma como Cardozo (1,93 m) conseguiu ser referência no jogo aéreo, junto de Carriço (1,82 m) e de Nuno André Coelho (1,90 m). No meio-campo, Javi García (1,87 m) também definiu o seu território à vontade. Maniche, no entanto, queria ir muito mais longe. O Sporting esteve foi pouco incisivo. Mais parecia uma qualquer equipa impressionada pelo ambiente que um grande com capacidade de combater o adversário (e o resultado adverso que entretanto apareceu). O Sporting, apesar da desvantagem, acabou a ver jogar e a cometer menos faltas que o adversário (18 contra 28), o que num dérbi pode dizer muito acerca do empenho, ou da intensidade.

TERCEIRA FERIDA. "Jogámos separados uns dos outros, não conseguimos chegar ao último terço do terreno e mais uma vez não marcámos golos." O Sporting ficou a zero e Maniche não o podia deixar em claro. Nem que isso, no limite, possa ser entendido não apenas como uma crítica à equipa mas também como uma crítica ao homem que lhe constrói o mapa de jogo, o treinador Paulo Sérgio, que apareceu no Estádio da Luz com algumas inovações tácticas de efeito duvidoso, como aquele posicionamento de Yannick como falso ala direito. Sem conseguir descobrir o caminho para a baliza, o Sporting do dérbi e destas cinco jornadas é uma equipa com apenas quatro golos marcados (o Benfica e o Braga levam oito, o FC Porto nove à entrada do jogo com o Nacional), tantos como os golos sofridos. Liedson marcou só uma vez e, entre os jogadores que estiveram no Campeonato do Mundo, parece ser daqueles que mais tempo demoram a voltar à normalidade. Ou porque não está em forma ou, o mais provável, porque a bola não lhe chega em condições.

Conclusão: a crise bate à porta de Alvalade. A única boa notícia é que por enquanto o Sporting ainda tem mais um ponto (7) que o Benfica (6).

 

In ionline


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