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Sábado, 16 Outubro 2021
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Segunda, 22 Novembro 2010 23:35
101122yannick_djalo5198d23b_630x354Para se perceber como foi o Sporting-Paços de Ferreira de ontem, o melhor é começar por ler o filme do jogo. É onde se poderá constatar a falta de lances emotivos na partida, tal a dificuldade que houve para preencher aquele espaço. Um espectáculo medonho, de fazer fugir os espectadores do estádio - e, nesse aspecto, a boa notícia foi que estiveram tão poucos. A culpa desta vez não pode morrer solteira. E até tem vários maridos: o Sporting, incapaz de furar defesas cerradas; o árbitro, um melómano do som do próprio apito; e um adversário pequeno a jogar como muito pequenino, recusando-se a discutir o resultado com as próprias armas e a encarar o jogo como se os empates na Taça de Portugal também valessem pontos.


O Sporting lá venceu por 1-0 e está na 5ª eliminatória da Taça de Portugal, aparentemente a escapatória mais curta para que os leões possam salvar a época. E nesta linha se resumem as boas notícias para Paulo Sérgio, que vê a sua equipa afundada em depressão e sem ver remédio para de lá sair. Mesmo que tenha conseguido pela primeira vez quebrar a maldição que o parece perseguir desde que chegou a Alvalade: venceu uma equipa que orientou no passado, depois de ter empatado com o Olhanense e o Beira-Mar e de ter perdido com este mesmo Paços de Ferreira e com o Vitória de Guimarães. Mas no próximo sábado, diante do FC Porto, precisará de fazer bem mais se quiser ter a mínima hipótese de discutir o resultado com o líder do campeonato.

Na noite em que pôde voltar a contar com Liedson, o treinador sportinguista mexeu numa estrutura que se parecia estar a solidificar nos últimos jogos - o 4x2x3x1, com Valdés atrás do ponta-de-lança. Este sistema garantiu duas vitórias efectivas (em Leiria e em Coimbra) e outra moral (a excelente exibição diante do Guimarães até à expulsão de Maniche). Mas ontem, talvez cedendo à tentação de dar confiança ao 31, o técnico voltou ao 4x4x2 que tantos defeitos tem: obriga o meio-campo a trabalhos esforçados, tira fulgor a Valdés (não é peixe para estar na linha...) e rouba protecção ao vaivém ofensivo dos laterais. O resultado era previsível: o Paços de Ferreira, montado num 4x2x3x1 quase sempre mascarado de 4x5x1, ganhou superioridade numérica na zona central e facilmente anulou o ataque do Sporting, que apenas em remates de longe tentava marcar.

Desta vez, a sorte que noutros jogos faltou aos leões caiu mesmo do céu. Sem que nada o fizesse prever, e pelo jogador mais improvável, o Sporting chegou ao intervalo a vencer. O ferrolho do Paços abriu-se por momentos, e Yannick Djaló aproveitou para, quase sem acreditar, se ir aproximando da zona de remate e, ainda com um desvio, bater Cássio. Um golo em tudo feliz: pela forma como foi obtido e, sobretudo, pela altura em que chegou. É que, a perder, o Paços de Ferreira deveria ser obrigado a abrir-se mais na segunda parte.

O problema para o Sporting e para o espectáculo foi que a equipa de Rui Vitória se manteve conservadora, bem fechadinha atrás e à espera de uma correria louca ou um lance de bola parada para empatar. E a segunda parte tornou-se ainda mais aborrecida do que tinha sido a primeira; parecia impossível, mas era verdade. Os castores continuavam à espera de um milagre que lhes permitisse seguir em frente na Taça. Mas, já se sabe, não há almoços grátis.

Foi preciso esperar que o quarto árbitro levantasse a placa a indicar os três minutos de desconto finais para que se visse alma e vontade na equipa do Paços de Ferreira. Neste período, o Sporting fez algo impensável: consentiu um contra-ataque ao adversário e sentiu o calafrio próprio de quem caminha para o cadafalso. Sozinho na área, com tempo e espaço para tudo, Maykon atirou às malhas laterais, desperdiçando a única oportunidade que a equipa nortenha teve em todo o jogo. Pelo menos uma vez, a justiça divina fez uma perninha no futebol e impediu que o jogo fosse para prolongamento e, eventualmente, para o desempate por pontapés da marca de grande penalidade.

Sporting, 1 - P. Ferreira, 0

Estádio José Alvalade
Relvado Razoável
Espectadores 8748
Árbitro Bruno Paixão

Golos 1-0 Yannick Djaló 45'+2'

-
Sporting

Rui Patrício, João Pereira, Polga, Carriço, Evaldo, André Santos, Pedro Mendes, Yannick Djaló (Vukcevic, 61), Valdés (Saleiro, 93), Liedson (Diogo Salomão, 80) e Hélder Postiga.

Treinador Paulo Sérgio

Suplentes: Tiago, Torsiglieri, Abel, Zapater, Diogo Salomão, Vukcevic e Saleiro

Paços de Ferreira

Cássio, Baiano, Bura, Samuel (Leonel Olímpio, 66), Jorginho, André Leão, Filipe Anunciação, Bruno de Paula, Manuel José (Pizzi, 74), Nuno Santos (Maykon, 46) e Romeu Torres.

Treinador Rui Vitória

Suplentes: Coelho, Leonel Olímpio, Pedro Queirós, David Simão, Maykon, Pizzi e Padraíd Amond

-

Cartões amarelos Nuno Santos (41'), Evaldo (57'), João Pereira (58'), Pedro Mendes (82') e André Leão (87')



O Sporting um a um
André de ferro, equipa sem fogo

Rui Patrício 5

Um quase assistente na etapa primeira, limitando-se a saídas acertadas dos postes e a uma defesa segura. Nos segundos 45 minutos, a pouco mais trabalho foi sujeito, tal a inépcia dos castores.

João Pereira 6

Paulo Sérgio não só admite que é como lateral-direito que o 47 se sente em casa como ontem o fez revisitar o lar. Tardou a colar o pé no acelerador, muito por culpa da falta de entrosamento com Djaló. Chutou cruzado aos 22' para Cássio defender, num momento alto, e conseguiu manter alguma intensidade no corredor.

Carriço 6

Evitou os males costumeiros em Alvalade nas bolas paradas, cortando ele próprio o jogo aéreo dos castores na primeira parte. O mais esclarecido dos centrais verdes e brancos, soube manter o sangue-frio quando o Paços cresceu na fase final do encontro.

Polga 6

Alguns trejeitos de nervosismo na etapa inicial não tiveram a dimensão bastante para manchar o papel do internacional brasileiro. Atento na vigilância a Romeu Torres, cujas aproximações soube anular com relativa facilidade.

Evaldo 5

Não tão veloz sobre o flanco quanto João Pereira, prestou como pôde algum auxílio ao mais lento Jaime Valdés. Só depois do intervalo foi mais assertivo na abordagem ao jogo, mas passou alguns calafrios com o surgimento de Pizzi na sua área de jurisdição.

Pedro Mendes 6

De volta à titularidade, o comandante do meio-campo leonino fez o habitual. Sereno à frente da linha defensiva, bem a antecipar as investidas pacenses, ainda arrepiou o público leonino quando na segunda parte tombou tocado, mas terminaria bem o embate.

A ESTRELA: André Santos (7)
Um aluno que já vai dando lições

Um poço de arreganho e aplicação salpicado de qualidade técnica, André Santos foi o mais bravo entre leões sem chama. De novo ao lado do "professor" Pedro Mendes, o jovem 26 é cada vez menos aluno. Agressivo a defender e sagaz a empurrar a equipa para a frente nas transições, não se encolheu ao chegar à área visitante: após primeiro tiro aos 28', acertou um petardo de fora da área que chocou com o ferro da baliza, esquentando um jogo frio. Muito bem!

Yannick Djaló 6

Altamente improvável a forma como foi referência no jogo. Antes e depois de fazer o 1-0 aos repelões, o 20 roçou a quase total atrapalhação, abordando mal inúmeros lances, a ponto de estorvar a acção dos companheiros de equipa. Mas para a história fica o golo que marcou, a manter o Sporting na Taça. Substituído aos 61'.

Valdés 6

Voltou a parecer desperdiçado na esquerda, mas foi valoroso o seu contributo a bombardear a área contrária, especialmente quando convidou Postiga a marcar num belo lançamento largo. Mostrou-se mais nos deslocamentos para o interior e tentou a sua sorte, mas em vão, pois o remate saiu-lhe ao lado (54').

Hélder Postiga 5

Discreto, o artilheiro-mor leonino ameaçou no começo e reapareceu no fim em boa posição para marcar, mas a pontaria não o acompanhou.

Liedson 2

Provavelmente das suas mais apagadas exibições de sempre. Passou ao lado da primeira metade por completo (!) e mal se viu na segunda parte. Infelicíssimo retorno à competição. Saiu aos 80'.

Vukcevic 2

Pouco mais fez do que bater um livre directo... para as mãos de Cássio.

Salomão 1

Sem nada poder mostrar.

Saleiro -

Nas boas graças do seu treinador, o avançado entrou para queimar tempo.

Paulo Sérgio
"Segunda parte sem chama nem alegria"

Pragmático, Paulo Sérgio assumiu que, nesta fase, o mais importante é ganhar. "Não foi um jogo brilhante, mas é preciso ter este espírito. O brilhantismo vem de forma normal para quem trabalha como eles. Fizemos uma boa primeira parte, em função das dificuldades apresentadas pelo nosso adversário, que jogou com um bloco baixo. A equipa circulou bem a bola, mas deveria ter havido mais rapidez. Conseguimos criar três, quatro situações de golo sem que a nossa baliza tivesse corrido perigo", analisou o técnico leonino, justificando alguma quebra na etapa complementar. "Na segunda parte faltou chama, alegria. Houve uma tentativa do Paços e, com os jogos das selecções a meio da semana, os jogadores não voltam com a mesma disponibilidade e alegria", comentou Paulo Sérgio, que, ainda assim, entende que a formação leonina foi "inteligente e bem posicionada". "Tivemos grande entrega e postura. Soubemos gerir o jogo, embora o Paços pudesse ter levado o jogo para prolongamento no final, após uma perdida nossa", reconheceu Paulo Sérgio, satisfeito com a atitude defensiva nos lances de bola parada.

O treinador assumiu mudanças e falou em concreto de Valdés, que nos últimos jogos tem sido um jogador-chave. "O nosso adversário jogava com dois pivôs defensivos, e os espaços não abundam. O Valdés teve de recuar para criar desequilíbrios; defendeu sobre o lado esquerdo e criou desequilíbrios na zona interior do terreno. Só aqui é que tem jogado a dez, mas por natureza é um jogador de corredor, que tem dado óptimo contributo a dez", sublinhou Paulo Sérgio, sem esquecer o regresso do Levezinho. "As minhas escolhas iniciais tiveram a ver com o desgaste de alguns jogadores a meio da semana. [Liedson] vem de um mês de paragem, mas não posso dizer que não tenha feito bem o seu trabalho", prosseguiu, relembrando que Pedro Mendes só voltou ontem a jogar 90'. Quanto ao clássico com o FC Porto, foi sintético. "Vamos estar prontos e capazes para esse grande jogo. Golearam o Benfica, mas hoje [ontem] ganharam com grande dificuldade em Moreira de Cónegos. Cada jogo é um jogo."

Adepto leonino perde três dedos com um petardo

Faltavam cerca de 20 minutos para o final do desafio quando, no Topo Norte do estádio José Alvalade, rebentou um petardo na zona que é habitualmente ocupada pelo Directivo Ultras XXI, uma das três claques leoninas, provocando um ferido. O engenho explosivo acabou por originar ferimentos com alguma gravidade numa das mãos do adepto, que, segundo foi possível apurar, terá ficado sem três dedos. O espectador em causa foi de imediato amparado pelos colegas que estavam por perto, ainda mal refeitos do susto geral que o estrondo provocou nos 8742 espectadores presentes, que o retiraram do local, recebendo os primeiros cuidados num dos túneis de acesso às bancadas, onde foi efectuado um curativo por parte dos elementos da Cruz Vermelha que estavam nas proximidades do sector e, consequentemente, do sucedido. No entanto, o adepto do emblema verde e branco acabaria o mesmo por ser direccionado para o Hospital de Santa Maria, onde a assistência médica foi complementada. No local, os elementos da Cruz Vermelha recusaram-se a prestar quaisquer declarações sobre o estado de saúde do adepto em causa, desconhecendo-se as condições exactas em que o mesmo chegou à unidade hospitalar.

 

In ojogo.pt

 


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