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Quinta, 22 Fevereiro 2024
POR SETE VEZES SE VINGOU O LEÃO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Domingo, 14 Dezembro 1986 23:29
Foto: Sporting - 7 Benfica - 1Dezembro em Lisboa. Frio e doloroso para os benfiquistas, que em Alvalade, na 14.ª jornada do «Nacional» sofreram a mais humilhante derrota da sua história: 1-7 em Alvalade, ante o Sporting! E, para Manuel Fernandes, uma tarde de glória. Disse, feliz, com um sorriso que parecia traquinas: «Naquela tarde mágica dos 7-1, marquei quatro golos ao Benfica, uma sensação inesquecível, mas estou convencido de que se o jogo durasse mais algum tempo... A minha filha faz nove anos e eu vou-lhe oferecer a bola do jogo, que, como é óbvio é a melhor prenda que lhe poderia dar. E o resultado nem sequer se pode considerar injusto»...

Os adeptos do Benfica queimaram cachecóis e bandeiras e rasgaram cartões em público. Mortimore, lívido, mal conseguia sussurrar. Como se saísse de um terrível pesadelo: «Como é possível?!»

Silvino, o guarda-redes humilhado, repetiu a frase: «Como é possível?! E, desculpem, não consigo dizer mais nada, não quero falar com ninguém, desculpem, desculpem». Ferreira Canais, vice-presidente do Sporting, exultante, mandou um funcionário comprar uma... «caixa de champanhe, porque um resultado histórico não se festeja com uma garrafa». Manuel José não entrou na toada da euforia e avisou: «Ganhámos ao Benfica por 7-1, mas não podemos embandeirar em arco, não nos podemos esquecer de que houve muitas facilidades da defesa do Benfica».

O treinador teve uma «conversa muito dura» com os seus pupilos. Carlos Manuel admitiria que, nessa noite, se sentiria «envergonhado, que só lhe apetecera «fugir de tudo, fugir do mundo». Silvino contaria que «mal conseguia dormir», mas que não se considerava, sequer, culpado único do fracasso. «Culpados fomos todos, mas não adianta inventar bode-expiatórios, até porque aquilo foi obra do acaso, é história que jamais se repetirá». Três dias depois, com Mortimore mantendo Silvino na baliza, o Benfica foi às Antas jogar parta a festa de rebaixamento das bancadas. E empatou a um golo. Fernando Martins mandou o aviso: «provámos contra os campeões que o que aconteceu em Alvalade foi um acidente. Nem daqui a 100 anos se voltará a repetir coisa assim. Houve quem pensasse que por perdermos por 1-7 com o Sporting despediríamos o treinador, mas as chicotadas psicológicas não são nosso hábito». E premonitório, atirou: «Ainda hei-de ver gente que tentou humilhar Mortimore considerá-lo bestial»...

Com o Natal à porta, quando se começavam a perceber manobras de contestação à sua Direcção, Fernando Martins anunciou, pomposamente, que decidira aumentar em 150 mil contos o orçamento do futebol. Assim, para apetrechamento da equipa poderia contar com 300 mil. Mas houve quem, apesar disso, considerasse que era um «orçamento de fome».

 

Ficha de jogo

Época 1986/87
I Liga - 14ª jornada
14 de Dezembro de 1986
Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Vítor Correia (Lisboa)

Sporting - 7
Damas; Gabriel, Virgílio, Venâncio e Fernando Mendes (Duílio, 79); Oceano; Litos (Silvinho, 79), Zinho e Mário Jorge; Manuel Fernandes e Meade
Treinador: Manuel José (português)

Benfica - 1
Silvino; Veloso, Dito, Oliveira e Álvaro; Shéu (cap.) (Nunes, 58); Diamantino (César Brito, 72), Carlos Manuel, Chiquinho Carlos e Wando; Rui Águas
Treinador: John Mortimore (inglês)


Marcadores: 1-0, Mário Jorge (15); 2-0, Manuel Fernandes (50); 2-1, Wando (59); 3-1, Meade (65); 4-1, Mário Jorge (68); 5-1, Manuel Fernandes (71); 6-1, Manuel Fernandes (82); 7-1, Manuel Fernandes (86).


In abola.pt




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