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Segunda, 06 Dezembro 2021
Damas. É possível sofrer cinco golos e ser eleito o melhor em campo? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 27 Dezembro 2010 23:17

101227damasÉ possível, sim senhor. Se não acredita, leia o relato do Benfica-Sporting (5-1) de há 40 anos, a 27 de Dezembro de 1970

 

Quando Eusébio chega a Portugal, em Dezembro de 1960, o Sporting é o maior clube nacional e os 10-9 ao Benfica em matéria de títulos de campeão conferem essa (ligeira) superioridade. Quinze anos depois, com a saída de Eusébio, o futebol já não era o mesmo, e o Benfica goleava o rival por expressivo 21-14. Nesse período, a táctica era bem simples: por cada três títulos seguidos de campeão dos benfiquistas, o Sporting enchia-se de brio e interrompia a saga, que calhava sempre em ano de Mundial. Foi assim em 1966, 1970 e 1974. A leitura também pode ser feita ao contrário: quando o Sporting irritava o vizinho, eram três anos de jejum. E foi precisamente o que aconteceu em 1970.


Na época 1969-70, o Sporting só perdeu uma vez em 26 jornadas (0-3 em Coimbra) e foi campeão com oito pontos de avanço sobre o Benfica, segundo classificado - uma vantagem altamente dilatada e nunca antes vista entre os rivais da Segunda Circular. Na época seguinte (70-71), o Benfica foi campeão e pelo meio espezinhou o Sporting - invencível há 30 jogos para o campeonato, desde o tal atropelo em Coimbra -, com um concludente 5-1 na Luz, a 27 de Dezembro de 1970. Faz hoje 40 anos, portanto.

Eusébio abriu a conta aos 24 minutos e Artur Jorge aumentou a contagem aos 31'', na primeira parte. Após o intervalo, outro festival de golos, com Nené (50'') e Artur Jorge (57'' e 90'') a castigarem o guarda-redes leonino: Vítor Damas, de seu nome.

O que é de espantar neste dérbi não é o cabaz de Natal dos benfiquistas, nem o hat-trick de Artur Jorge. Concedemos, é meritório, mas o mais incrível destes 5-1 (estávamos tão empolgados com os golos do Benfica que nos esquecemos de mencionar o ponto de honra dos leões: José Carlos, de penálti, aos 70'') é que Damas foi eleito o melhor em campo pela imprensa desportiva, "A Bola" e "Record". Atenção que não é o melhor do Sporting, mas sim o melhor do jogo, de todos os jogadores em campo. E atenção que não foram 26, e sim 24, porque o Benfica de Jimmy Hagan não fez qualquer substituição (inglesises...).

Posto isto, é caso para perguntar como é possível sofrer cinco golos, nenhum deles de penálti, e ainda assim ser eleito o melhor em campo. Os laterais do Sporting têm a resposta na ponta da língua. O esquerdino Hilário, por exemplo, deu-se conta da evolução de Damas. "Acompanhei os treinos de captações, na Rua do Passadiço, em campos de basquetebol pelados. Os miúdos faziam torneios lá e o Damas foi por aí fora até ser meu colega de equipa. Lembro-me perfeitamente desse jogo na Luz, em que perdemos 5-1 e o Damas foi eleito o melhor em campo. Sem ele na baliza tínhamos levado muitos mais golos. Nesse dia, ele sofreu cinco golos mas fez milagres para evitar outros tantos."

O MONÓLOGO Pedro Gomes também estava presente na Luz nessa tarde inglória, como defesa-direito, do lado oposto ao de Hilário. "Yashin era o Aranha Negra. Damas era o Homem-Aranha. Tinha elasticidade, impulsão e reflexos apuradíssimos. Era seu costume fazer defesas impossíveis. Aliás, os bons guarda-redes são aqueles que defendem as bolas de golo. Nesse jogo com o Benfica, os Eusébios, os Nenés, os Artures Jorge, os Jaimes Graça, os Simões vinham de todos os lados e nós nem sabíamos de que terra éramos. Às vezes um Benfica-Sporting dava nisto. E foi o Damas que evitou um resultado ainda mais dilatado. Ao ponto de ter sido eleito o melhor em campo. Pouco há a dizer quando se perde 5-1 e o elogiado é o guarda-redes!"

Pedro Gomes não quer ficar por aqui, puxa pela memória e continua a falar de Damas. "Além de tudo o que representava na baliza, o Damas era bastante bom com os pés. Nas peladinhas que fazíamos durante a semana, notava-se uma habilidade fora do comum para um guarda- -redes. Nos tempos que correm, Damas não teria qualquer dificuldade em jogar com os pés. Estava, portanto, avançado para o seu tempo. Aliás, sei que ele chegou como avançado nos treinos de captação do Sporting. Como era o mais novo, lá foi para a baliza. O Sporting e Portugal ganharam um guarda-redes!"

Queremos interromper outra vez mas Pedro Gomes continua no túnel do tempo. "Joguei com ele e também o treinei, na era-Toshack [84-85], quando eu era adjunto do John. Conheci-o bem e ele detestava perder. Até empatar! Uma vez empatámos com a Académica [4-4, a 20 de Janeiro de 1985], em Alvalade, e ele chegou ao balneário a dizer que não queria jogar mais. ''Diga isso ao Toshack'', disse-me ele zangadíssimo. Era um jogador inconstante quando as coisas não corriam bem à equipa. Tinha receio de ser cúmplice. Alguns minutos depois falei calmamente com ele e já estava tudo bem. Foi uma irritação do momento."

 


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