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Virgílio. "Os alicerces do futebol foram-se destruindo e agora tudo abana ao mínimo sopro" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 27 Janeiro 2011 10:29

110127_virgilioO ex-jogador foi um dos muitos símbolos contactados por José Eduardo para "A solução do futebol do Sporting", clube que "está só adormecido"

 

"Símbolo do Sporting? A sério?". Às vezes o entrevistador é que ouve as perguntas. Mas antes também tinha respondido com a total garantia dos números - um campeonato, duas Taças, duas Supertaças e 201 jogos depois, entre 1976 e 1988 (com três anos de empréstimo ao Famalicão), Virgílio é um símbolo. E, por isso, transporta uma cultura leonina "que não se perdeu mas anda adormecida". "Quem é do Sporting sabe o que é; quem não é, nunca perceberá".

Do presente, o antigo médio (e lateral direito, e defesa-central, e líbero...) ressalva que "só quer deixar os homens trabalhar e evitar ruído exterior"; do passado, recorda a "fantástica época de 1981-82"; do futuro, só pede uma coisa: "que a nau tenha um rumo". "Até pode sofrer pequenos desvios pelas circunstâncias mas deve seguir sempre um caminho. Só isso reavivará o clube".

Mais de 20 anos depois, o que recorda da longa passagem pelo Sporting?

É uma parte fundamental da minha vida. Tenho dúvidas se era primeira ou segunda casa, pelo tempo que lá passava... Fiz amigos, tive alegrias, tristezas, trabalhei com pessoas que respeito. Ah, saudades...

Qual é o episódio mais marcante que guarda? Ou, no estilo i, o episódio mais caricato que passou em tantas épocas?

Eh pá, nunca me lembro. Mas basta estar com os outros e é só histórias, algumas impublicáveis. Há uma recordação marcante - 1981-82, quando regressei e ganhámos tudo. Era das melhores equipas da Europa, foi tudo bem feito, trabalhado e havia uma grande amizade entre todos.

E Oliveira-Jordão-Manuel Fernandes.

Tem graça - um dia destes, puseram uma fotografia nossa num fórum do Sporting. O primeiro comentário destacava o ataque; o segundo, o meio-campo [Virgílio, Ademar e Nogueira]; o terceiro, a defesa [Barão, Carlos Xavier, Eurico e Mário Jorge]. Assim se prova que era um conjunto de individualidades bom mas que formava uma grande equipa. E quando era para trabalhar, era mesmo a sério.

E como vê hoje o futuro do Sporting?

É motivo de preocupação: foram-se destruindo os alicerces do edifício que alberga o futebol e agora por mínimo que seja o sopro tudo abana. Não existem nomes providenciais para mudar, interessa mesmo é reconstruir esses alicerces de forma firme, segura, como já chegou a ser.

Acha que o clube perdeu identidade?

Todos os clubes têm uma identidade própria. O Sporting tem! Pode estar diluída mas deve ser reavivada, tendo outra vez um futebol à Sporting. O que é isso? Não consigo bem explicar. Quem não é sportinguista não entende. Não se deve pensar no que os adeptos podem fazer pelo clube mas sim exactamente o contrário.

Como - a pergunta que todos fazem?

O Sporting tem três milhões de adeptos espalhados pelo mundo mas o sentimento está adormecido. E isso não tem nada a ver com populismos - o Sporting tem uma história riquíssima, a obrigação não deve ser falar do passado mas sim acrescentar algo mais. E isso ainda é possível.

Foi uma das várias pessoas contactadas por José Eduardo para o projecto desenvolvido para o futebol do clube. Acredita que pode acrescentar algo?

Foram muitas pessoas e muito trabalho - logo, a resposta está na pergunta. Conheço o José Eduardo há muitos anos, tem um conhecimento profundo do Sporting e, quando se mete num projecto assim, tenta chegar à perfeição. Desta conjugação de saberes, experiência, sportinguismo sairá um trabalho meritório. É importante colocar as pessoas a discutir sobre o clube, contribuindo com ideias. E não é o papel, cor ou a letra que devem interferir de falar do essencial: o conteúdo.

Portanto, acredita nesta "Bíblia"...

Prefiro chamar-lhe matriz de processos e boas práticas. Ideia: depois de ser traçado um rumo consolidado e sério, mantê-lo. Sem isso, não é possível gerir o futebol do Sporting com estabilidade. E olhe que o futebol não é tão subjectivo como se diz por aí... Se sair daqui e for para o Brasil, até posso fazer pequenos desvios por algumas circunstâncias mas a manter o rumo, sem alterar a rota. Caso contrário, ainda vou parar à África do Sul...

 

In ionline.pt


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