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Sexta, 28 Janeiro 2022
YAZALDE «ESTREOU» BEM A SUA «BOTA DE OURO: U. Tomar - 1 Sporting - 2 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 21 Outubro 1974 11:14

741021_ut_sporting_small UM ROCHA INFLUENTE NO «SPRINT» DO CAMPEÃO”

Depois de ter passeado a sua classe por praticamente todos os campos do país, «cilindrando» aqui, «goleando» ali, o Sporting, campeão nacional, está a fazer, agora, um campeonato descolorido, que nada tem que ver com o brilharete da época passada.

Antes de o campeonato começar, quando se «multiplicavam» os elogios ao «falecido» «Sporting de Di», tivemos a ocasião de ver a equipa jogar no Torneio Internacional do Algarve e desde logo dissemos que, «assim», os «leões» «não iam lá…»

 

Vitória «oferecida»


Agora, já não há «Sporting de Di», mas, jogando já bastante melhor do que aquilo que fizera no Algarve, esta equipa «leonina» ainda não é, em nada, semelhante à grande equipa do ano passado.

Ontem, o Sporting conquistou, finalmente, o seu primeiro triunfo «fora de casa». Devemos dizer, desde já, que foi um triunfo merecido, porque os jogadores de Alvalade não têm culpa dos deslises dos adversários. No entanto, apesar de «merecido», teve muito de «oferecido» por banda dos tomarenses.

A primeira parte foi mal jogada de lado a lado, mas forçoso é dizer que o Tomar foi o menos mau. A defesa não funcionou mal, apesar da ausência de dois jogadores normalmente influentes, como o são Calado e Fernandes: Faustino a fazer o «libero» atrás dos quatro defesas e Florival a jogar, no centro, ao lado de Zeca e a compensar, assim, a pouca altura de Zeca, que vimos agora «regressado» à sua verdadeira posição, após uma fracassada passagem pelo posto de centro-campista que talvez terá custado à equipa a derrota que lhe vimos sofrer perante o Boavista.

Nessa primeira parte, Zeca e Florival foram conseguindo fazer frente a Yazalde e Dé, menos por demérito deste, do que por força dos péssimos passes e lançamentos com que estes jogadores eram «servidos», quer por banda de Valter – muito mal no meio-campo, apenas a «semear» faltas, em vez de lances – e de Dinis, que, no «miolo», «entregou» mal e nunca lutou pela posse da bola, quando esta estava na posse dos adversários.

O jogador mais perigoso do Sporting na primeira parte, foi Chico que, com o seu drible rápido e a sua velocidade, criaram alguns lances de aflição à defensiva tomarense.

 

Tomar mais perigoso


No entanto, estes lances foram em número inferior aos do Tomar que, na primeira parte, foi a equipa mais perigosa. Raul Águas jogou muito bem e Cardoso correspondeu da melhor maneira, servido também eficientemente por Pavão, ainda que com menos requintes técnicos que os outros dois, Águas em especial.

Lá na frente, Bolota que é um jogador em franca evolução técnica, foi, sempre, uma «lança» apontada à baliza de Damas e a criar muito perigo, beneficiando, em especial, da péssima actuação de Alhinho, ontem o grande «buraco» da defesa, a confirmar as últimas exibições que tem feito e que não nos deixam perceber a razão da sua chamada à selecção nacional. Por duas vezes, Alhinho ficou sentado no chão, enquanto Bolota se esgueirava perigosamente para a baliza do guarda-redes sportinguista.

Quanto a N’habola foi, desta vez, um «zero» absoluto. Frente a Baltasar, praticamente nem uma única vez conseguiu levar a melhor e criar lances de verdadeiro perigo.

Mesmo assim, Bolota viria a ser o avançado mais perigoso em campo, durante toda a primeira parte, vindo a pertencer-lhe a melhor ocasião de golo nos primeiros quarenta e cinco minutos, quando saltou com Damas, chegou com a cabeça onde o «keeper» não chegou com as mãos e tocou para Águas. Este, no entanto, com a baliza deserta, não aproveitou o lance, falhando o golo certo.

 

«Obra» de Rocha


Na segunda parte, tudo continuou na mesma, porque os jogadores eram os mesmos e a sua forma de actuação a mesma. Até que, aos dez minutos, Osvaldo Silva começou a ganhar o jogo para o Sporting, ao mandar sair o pior jogador da equipa no meio-campo (Valter) para entrar o jovem Paulo Rocha.

Com Paulo Rocha, tudo passou a ser diferente para os «leões». Dos seus pés, começaram a sair excelentes lançamentos, quer para Yazalde, quer para Dé, e o Sporting, então, pareceu outro, beneficiando, também, nessa altura da «falta de pernas» e de «caixa» de alguns elementos da defensiva tomarense lá atrás.

O Tomar começou a passar, então, por lances de perigo como até aí ainda não lhe acontecera, mas cremos que, apesar de tudo, poderia ter resistido mais tempo, senão fora o incrível «brinde» de Florival a «meter» mão a uma bola da qual não resultaria qualquer perigo.

A perder por 0-1, o Tomar nem mesmo assim se entregou e, a seguir ao golo, desfrutaria, mesmo, de soberana ocasião de marcar, quando Bolota, com Damas batido, rematou de cabeça contra a barra. Seria o empate que, nessa altura, talvez o Tomar já não merecesse.. No entanto, o Sporting também não merecia estar a ganhar por 2-0, que foi o que aconteceu quando Vagner (que contagiado por Paulo Rocha jogou na segunda parte como não o fizera no primeiro tempo) em jogada portentosa, ofereceu a Yazalde o segundo golo. E o argentino, que «estreou» ontem a «bota de ouro», entregue em Paris três dias antes – jogou à altura da fama do troféu que com tanto brilho conquistou na época passada e para o qual também vai bem lançado este ano – marcando o segundo golo da sua equipa.

Parecia a «machadada» final no Tomar, equipa que, lá atrás, parecia agora definitivamente sem pernas. No entanto, lá na frente, foi tudo bem diferente, pois a seguir ao 2-0, «arrancou» o Tomar para o melhor naco da sua exibição, encurralando, então, o Sporting na rectaguarda, chegando ao 2-1 e desperdiçando ainda o 2-2, quando Bolota nitidamente extenuado, não teve já fôlego para esticar a perna não conseguindo evitar que a bola fosse embater no corpo do guarda-redes, caído no relvado.

 

Neste período final do encontro – desde que Paulo Rocha entrou em campo – o Sporting foi superior durante maior número de minutos. Nesse período em que o seu meio-campo esteve em pleno (apenas com algumas fífias de Dinis) e, lá na frente, Yazalde foi igual a si próprio, o Sporting fez dois golos e até poderia ter ido mais além. É importante não esquecer que o Tomar reagiu, sempre, bem e, aproveitando-se dos constantes deslises da defensiva sportinguista – no período final, o pior sector da equipa – chegou ao 2-1 e poderia até ter chegado ao empate. Talvez parecesse injusta a igualdade se se atender, apenas, ao período «pós-Paulo Rocha» mas não nos podemos esquecer que, até lá, os tomarenses estavam, também, a ser superiores ao Sporting. E se nos lembrarmos que, para o excelente período de aceleração final do Sporting, também contribuiu (e muito) o «penalty» oferecido por Florival; e se nos lembrarmos que o Tomar teve uma bola devolvida pela barra da baliza de Damas, talvez tenhamos que chegar à conclusão de que, afinal, o empate talvez não estivesse tão mal como isso…

 

Rocha, Vagner, Yazalde


Na equipa do Sporting, há a referir o desnorte de que Damas deu mostras nalguns lances, complicando o que parecia fácil. No lance do golo, não saltou como era sua obrigação e, antes, já tinha conseguido chegar com as mãos mais baixo do que Bolota com a cabeça.

Lá atrás, Alhinho esteve, também, muito mal. Teve falhanços sucessivos, os mais graves dos quais foram a apatia de que deu mostras no lance do golo, deixando Bolota saltar à vontade, e duas vezes em que ficou sentado na relva com Bolota a esgueirar-se para a baliza.

Quanto aos restantes, assinalemos a feliz adaptação de Tomé ao novo posto e a actuação muito igual de Baltasar. Também Da Costa, do outro lado, atacou muito bem (tal como Tomé) mas foi menos feliz a defender. Nos minutos finais, até pareceu algo «contagiado» por Alhinho.

Do meio-campo do campeão nacional, já se disse que não engrenou enquanto Valter esteve em campo. Sucessão de faltas e de picardias, quando, afinal, não era isso do que a equipa precisava. Criou constantes hiatos na transplantação de jogo da frente para trás, e, como Dinis também não o auxiliou bem, Vagner acabou por ser mais vítima do que culpado, No entanto, quando Paulo Rocha entrou, viu-se um «novo Vagner». Como se sabe, o brasileiro, precisa, a seu lado, de alguém que colabore consigo, correndo mais do que ele. Paulo Rocha foi esse homem e a actuação de ambos chegou a um nível que ainda não se conhecera até então.

Desse facto, viria a beneficiar Yazalde que, finalmente, teve lá na frente, os lances que esperava.

(Na primeira parte, o próprio «Chirola» tivera que recuar substancialmente, para, assim, contrabalançar o «buraco» Valter e até fora ele o autor do melhor lançamento do desafio, quando de meio-campo, isolou Chico. O próprio Chico, o próprio Dé, que tão bem estavam no primeiro tempo, tiveram na segunda parte lances em muito maior número, «fornecidos» quer por Vagner, quer por Rocha, mas nunca mais se viram no jogo os sensacionais lançamentos compridos do argentino.)

Em suma, o Sporting acabou por conseguir chegar à vitória, apesar da falta de alguns homens muito influentes na manobra da equipa, como Nelson, Manaca e Bastos.

 

«Ferrolho» e «brinde»


Quanto ao Tomar, melhorou substancialmente em relação àquilo que víramos a equipa fazer frente ao Boavista. O seu guarda-redes Quim Pereira esteve muito bem, parecendo francamente superior a Silva Morais.

A defesa saiu-se bem do «ferrolhos» montado, só mostrando nos minutos finais, compreensível quebra física, motivada pela aceleração imposta por Paulo Rocha.

Florival não estava a jogar mal – mas foi de um falhanço seu indesculpável que saiu o golo que «atirou» o Sporting para o triunfo. A mão, naquelas circunstâncias, foi não só despropositada, como desnecessária e, sem ela, talvez o golo do Sporting ainda tivesse demorado muitos minutos mais…

No meio-campo, Cardoso esteve muito bem, e Raul Águas ainda melhor, sendo espectaculares alguns dos seus lances. Quando o meio-campo do Sporting começou a jogar mais depressa, ressentiu-se Águas com isso. Era natural. Mesmo assim, perto do fim, o Tomar esteve prestes a empatar.

Pavão luziu menos mas lutou mais. N’habola não «justificou», agora, as últimas exibições. Quanto a Bolota, evidenciou nítidos progressos. Marcou um belo golo e foi um quebra-cabeças para Alhinho.

 

Desatenção


O árbitro Mário Borges falhou sobretudo por, ao longo dos noventa minutos, nem uma única vez ter medido a distância regulamentar que deve separar, nos «livres», os jogadores da equipa castigada em relação à bola.

Apesar de tudo, no entanto, os jogadores não quiseram criar problemas, o que é meritório – para eles (jogadores).»

 

Estádio Municipal de Tomar

Árbitro – Mário Borges, do Porto

U. TOMAR – Quim Pereira (2); Faustino (1); Carvalho (1), Zeca (1), Florival (0) e Raul (1); Cardoso (2), Pavão (1) e Raul Águas, «capitão» (2); N’habola (0) e Bolota (2)

SPORTING – Damas (0); Tomé (2), Baltasar (2), Alhinho (0) e Da Costa (2); Vagner, «capitão» (2), Valter (1) (55m – Paulo Rocha (3)) e Dinis (1); Chico (2), Yazalde (3) e Dé (2)

0-1 – Yazalde (pen.) – 65m
0-2 – Yazalde – 71m
1-2 – Bolota – 85m

 

«Suplentes: Machado, Kiki, Barrinha e Camolas.

Suplentes: Paulo Rocha (3), Matos, Carlos Pereira, Zezinho e Garcês.

Ao intervalo: 0-0.

Na segunda parte: 1-2.

Aos dez minutos, Valter foi rendido por Paulo Rocha.

Aos 20 minutos, bola lançada por sobre a área dos tomarenses e Florival a meter, despropositada e desnecessariamente, a mão à bola. «Penalty» indiscutível que Yazalde transformou com um grande pontapé a fazer a bola entrar de baixo para cima, junto à barra transversal.

Aos 25 minutos, «centro» de Águas e cabeça de Bolota à barra, com Damas batido.

No minuto seguinte, 0-2. Grande jogada de Vagner que, sempre na passada, driblou portentosamente três adversários, e «ofereceu» a Yazalde à boca da baliza. O argentino fez o golo como quis.

Aos 40 minutos, 1-2 por Bolota. «Corner» apontado do lado esquerdo por Pavão. Alhinho e Damas a fazerem-se mal ao lance e Bolota a cabecear para a baliza.

Resultado final: 1-2.

 

In http://uniaotomar.wordpress.com - (“A Bola”, 21.10.1974 – Crónica de Jorge Schnitzer)


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