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Sexta, 27 Janeiro 2023
Sporting – U.Tomar – 4 - 1: «ENTRA NOS CARRIS» O FUTEBOL «LEONINO» PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 27 Outubro 1975 11:54

751027_m_fernandes_sporting_ut_smallSporting que, há oito dias, ao vencer, nas Antas, o F. C. Porto, já dera sinais de começar a «fazer agulha» para «entrar nos carris». Sporting que, ontem, confirmou esse seu «entrar nos carris», depois de, nas primeiras jornadas deste «Nacional», ter andado muito «tem-te, não caias», à procura do seu entrosamento, do seu ritmo, sobretudo do seu… estilo. Ontem, já nos pareceu que o futebol «leonino» começa a «apanhar» a sua maneira de jogar. Porque o problema da equipa de Juca, pelo que lhe víramos antes deste desafio, era precisamente esse: encontrar um modo de actuar, encontrar o tal estilo, que não poderá ser qualquer dos estilos que a equipa teve (ou não teve…) nas últimas épocas, pela simples razão de que foram substituídos nada menos de sete jogadores…

 

Sobretudo porque o Sporting «de Juca» não tem dois homens-«chave» do ataque que o Sporting «de Lino» e o Sporting «de Riera» tinham> Yazalde e Dinis. Isto é, este Sporting 75-76 não tem um «jogador de grande-área» e não tem um extremo-esquerdo. Logo…

 

…Este Sporting 75-76 surgiu ontem já a começar a «engrenar» o seu novo estilo ofensivo: o «turbilhão». E não se vê que possa ser outro o seu processo de atacar, já que Manuel Fernandes não é um «ponta-de-lança» de estar na grande-área (como Yazalde era) e Chico não tem o enquadramento de extremo-esquerdo (a começar pelo pé esquerdo…)  que Yazalde tinha. Logo, toda-a-gente-tem-de-ser-tudo no «ataque leonino», não estando lá, mas aparecendo lá, num rodopio, na direita, no centro, na esquerda, ora este, ora aquele, ora aqueloutro. Ao fim e ao cabo, um pouco como tem tido tendência para jogar o ataque do Benfica, ressalvadas as proporções de não haver para aí Jordões e Nenés a pontapé… Moinhos também não há muitos, assim, rompendo bem pelos flancos, mas, nesse jeito, o Sporting tem Marinho, que até deverá ir discutir, precisamente com Moinhos, um lugar na selecção…

 

Erro do Tomar: «dar» o meio-campo e não marcar Fraguito!


E, no fundo, contas feitas, constata-se isto: este Sporting 75-76, que começou o campeonato muito hesitante, muito «treme-treme», de quem se terá chegado a pensar que, sem nada menos do que sete titulares, em relação às últimas épocas, não teria a mínima hipótese de discutir o título, este Sporting que só agora parece começar a «embalar», até está (com um jogo a menos, o tal da Tapadinha…) a um só ponto do primeiro lugar…

Depois do triunfo nas Antas ter sido o grande alerta, ontem confirmou-se que há, de facto, que rever pontos de vista em relação às hipóteses do Sporting neste campeonato. Primeiro… mais quatro golos, depois dos três nas Antas. Logo, sete golos nos últimos dois jogos para o «Nacional» numa equipa em que, nas primeiras jornadas, tinha sido precisamente o ataque que não funcionava. Depois, os bons nacos exibicionais ontem conseguidos. Primeiro… Depois… Claro, no fundo, tudo se mistura, vá lá saber-se, nisto de golos e exibição, exibição e golos, o que é que é primeiro, o que é que é depois… Os golos aparecem quando a equipa «engrena», a equipa «engrena» quando os golos aparecem…

 

Ontem, a (boa) exibição apareceu logo no início e, ainda por cima, o primeiro golo não tardou (13.º minuto). Sporting a exibir-se num futebol de «tabelas», bonito, vistoso, sem parecer, no entanto, muito acutilante, porque, lá está, haver ou não um homem «de grande-área» pode ser, muitas vezes, em muitos lances, a grande questão… De qualquer modo, o Sporting pressionava e «envolvia» o adversário, que, aliás, bastante lhe facilitava a tarefa, dado que lhe deixava muito espaço de livre manobra no «meio-campo». Com efeito, o União de Tomar, actuando num «4-2-2-2», com quatro médios, teoricamente, mas dois deles (Calado e Florival) muito «encostados» à sua defesa, entregava todo o «meio-campo» ao Sporting, por ter lá gente a menos (só Sarmento e José Luís), e ficava com gente a mais na defesa para adversários a menos… Adversários que não estavam lá, tipo fixos, mas vinham de trás, embalados, e o problema era esse, de trás, do «meio-campo», os homens do Sporting embalavam à vontade aí, a resistência que encontravam era mínima… Esse um grande erro em que o União de Tomar caiu e que levou a outro erro, esse, então, crasso: ninguém «marcou» Fraguito!

 

…E Fraguito cedo empunhou a «batuta» e seguiu dando «recital» quase todo o tempo. Na primeira parte, muitíssimo bem Fraguito e muito bem o jovem defesa-direito Inácio. E também o «lateral» esquerdo Da Costa. E, depois, Marinho. E Chico. E Zezinho, muito certo, na defesa.

 

Manuel Fernandes – três golos!


…E o 1-0, por Marinho, depois de Manuel Fernandes ter uma grande «perdida», logo no quinto minuto, com «tiro» por alto, na grande-área, sem qualquer adversário próximo. Manuel Fernandes, que falharia segunda vez, de novo não acertando na baliza, sem que, na grande-área, alguém o estorvasse. E falharia Manuel Fernandes ainda a vez terceira, agora num lance dele próprio, em que fez tudo bem feito, o «sprint», o ladear os adversários, excepto o remate… Mas, à quarta, Manuel Fernandes acertou mesmo em cheio! Nesse golo (2-0), veio ao de cima aquilo que muita gente já tinha visto, mas a defesa do Tomar ainda não dera por nada… A maneira como Marinho marcava, por sistema, os «cantos»: a meia-altura, para o vértice mais próximo da grande-área, onde estava sempre a cabeça de Chico, ou para rematar (e já obrigara, assim, Silva Morais a uma bela defesa), ou para desviar o esférico para um companheiro, que rematava, por seu turno. Eram sempre iguais, «a papel químico», esses «cantos». Marinho-Chico, uma jogada nitidamente bem estudada, mas a defesa nabantina esteve sempre muito distraída… E nem com esse golo assim, de «canto», Marinho-Chico-Manuel Fernandes, os defensores visitantes perceberam como era…

 

Aliás, a dizer a verdade, nunca a defesa do União de Tomar «percebeu» o ataque do Sporting, o tal «turbilhão» vindo de trás, e, assim, o futebol «leonino» teve bons períodos de jogo «solto», variado, imaginativo. E Manuel Fernandes, «mala pata» quebrada, faria mais dois golos, somando três, marcando o seu «regresso» como «goleador», que era na Cuf, que parecia andar com certo «enguiço» desde que se transferira para Alvalade.

 

O «Ponto da situação» no futebol «leonino»


Já ficou dito como o futebol «leonino» parece estar a «entrar nos [...] nhado» o seu modo de jogar, à feição dos jogadores de que dispõe. Individualmente, Damas sofreu um golo com boa dose de culpas, pois, mesmo tendo sido um «tirão» o pontapé de Camolas, foi desferido de muito longe e, ainda por cima, não da zona frontal à baliza, mas, sim, bem lá da extrema-esquerda do ataque de Tomar. Damas faria, mais tarde, a remate de Caetano, a defesa, em magnífico golpe de rins, que não fizera aquando do «tiro» de Camolas, este desferido de bem mais longe, mas apanhando o guarda-redes «leonino» à espera de tudo menos daquilo…

No quarteto defensivo do Sporting, bem o defesa-esquerdo Da Costa a «cortar» e a incorporar-se no ataque, tal como os defesas direitos, Inácio (primeira parte) e Tomé (segundo tempo). Inácio com pormenores de técnica preciosos (que belo jogador poderá ser este jovem!, Tomé mais veloz e rompedor. Entre os «centrais», José Mendes certinho, no seu estilo muito sóbrio, e maior destaque para Zezinho, um jovem que se exibiu com muito mais autoridade do que lhe víramos anteriormente, de certo por começar a ganhar confiança em si mesmo. E, ontem, já se percebeu porque razão Juca o manteve na equipa, mesmo nas horas más…

 

…Aliás, o «ponto da situação» na equipa do Sporting pode ser feito assim: o futebol «leonino» começa a «engrenar» precisamente porque há uma clara subida de «forma» (e de confiança!) de jogadores-«chave». Como é o caso de um defesa-central (Zezinho) e dos «laterais», que, ontem, defenderam (bem) e desceram (melhor) ao ataque. Como é o caso de um Fraguito (nota 3) «patrão» do «meio-campo» e «cérebro» da equipa, bem acompanhado, aliás, no «miolo» por um Nelson, que até é um «perigo público» quando rompe na grande-área, sobretudo para cabecear, e por um Valter, sóbrio, mas começando a mostrar, no Sporting, as qualidades que exibia no Barreirense. E, falando em jogadores que ganham confiança em si mesmos, o exemplo mais flagrante será o de Manuel Fernandes, ontem com três golos e outros lances muito bem imaginados, minuto a minuto a demonstrar que «embala» para ser o avançado muito perigoso que era na Cuf. Marinho pareceu «poupar-se» um pouco, mas quase tudo o que fez foi bem feito e Chico, um «falso»-extremo-esquerdo, «sobe» de rendimento exactamente porque assimila o  novo estilo da equipa… e esta assimila como jogar como Manuel Fernandes em vez de Yazalde e Chico em vez de Dinis.

 

União de Tomar tem de valer mais…


Pouco a dizer da equipa do União de Tomar, cujo grande problema foi não «entender» como jogava o Sporting (atrás, já se referiu a questão «n.º 1» de a equipa ter gente a mais na defesa e gente a menos no «meio-campo»), mas o conjunto nabantino tem de valer mais do que, ontem, mostrou, para conseguir os pontinhos que já conseguiu. E, claro, ontem, faltou-lhe Pavão, «pedra» importante na manobra do contra-ataque. No entanto, o «buraco» foi a defesa, e o «meio-campo» também deixou muito a desejar. Individualmente, destaque positivo só para o «ponta-de-lança» Camolas, muito isolado, mas sempre perigoso, com um «golaço» e não só…

Boa arbitragem da equipa chefiada por Jaime Loureiro. Não é dizer muito? É dizer tudo…»

 

Estádio de Alvalade, em Lisboa

Árbitro – Jaime Loureiro, do Porto

SPORTING – Damas, «cap.» (1); Inácio (2) (45m – Tomé (2)), Zezinho (2), José Mendes (2) e Da Costa (2); Nelson (2), Fraguito (3) e Valter (2); Marinho (2), Manuel Fernandes (3) e Chico (2) (68m – Jesus (1))

U. TOMAR – Silva Morais (1); Kiki (1), Zeca (1) (62m – Barrinha (1)), Faustino, «cap.» (1) e Carvalho (1); Calado (1) e Florival (1); Sarmento (1) e José Luís (1); Camolas (2) e Bolota (1) (33m – Caetano (1))

 

1-0 – Marinho – 13m
2-0 – Manuel Fernandes – 40m
2-1 – Camolas – 49m
3-1 – Manuel Fernandes – 59m
4-1 – Manuel Fernandes – 65m

 

Suplentes: Matos, Tomé, Amândio, Baltasar e Jesus.

Suplentes: Quim Pereira, Cardoso, Alcino, Barrinha e Caetano.

 

Substituições:  no Sporting, no regresso do intervalo, Tomé (2) ocupou o lugar de Inácio, e, aos 23 minutos da segunda parte, saiu Chico, «tocado», entrando, no minuto seguinte, Jesus (1); no União de Tomar, aos 33 minutos da primeira parte, Caetano (1) entrou para a posição de Bolota, que saiu do terreno a coxear, e, aos 17 minutos do segundo tempo, Barrinha (1) rendeu Zeca, mas ocupando um lugar no «meio-campo», enquanto Calado recuava para defesa-central.

 

Ao intervalo: 2-0.

 

1-0, aos 13 minutos. Assédio do Sporting à baliza do União de Tomar, a defesa nabantina não conseguiu, em várias tentativas, de cabeça, aliviar, acabou por haver um ressalto para Chico, na pequena-área, a tentativa de remate deste gerou mais confusão, houve novo ressalto e Marinho, da linha de cabeceira, perto do poste esquerdo da baliza, desferiu, muito sereno, o remate enviesado e certeiro.

2-0, aos 40 minutos. «Canto» marcado por Marinho, do lado direito do ataque «verde», cabeça de Chico  a desviar a bola e remate de Manuel Fernandes, na pequena-área.

 

Na segunda parte: 2-1.

 

2-1, aos quatro minutos. Violento «tiro» de Camolas, no flanco esquerdo do seu ataque e desferido de muito longe da baliza, a meio do meio-campo do Sporting… Damas dirá que esperava tudo menos aquilo, e, quando saltou, não conseguiu mais do que tocar muito ao de leve na bola, não evitando que ela entrasse a um canto alto da baliza, mesmo, mesmo, rente à barra. Damas fez-se tarde para a defesa, mas o «tiro» de Camolas foi… «à Eusébio»!

3-1, aos 14 minutos. Remate frontal de Manuel Fernandes, de fora da grande-área, a bola tabelou num poste e anichou-se nas redes, com o guarda-redes Silva Morais a ver…

4-1, aos 20 minutos. Da Costa fugiu pela extrema-direita, bateu Kiki, internou-se, entrou na grande-área, foi à linha de cabeceira, centrou, atrasado, e Manuel Fernandes, na zona frontal à baliza, fez o golo, com um pontapé não muito forte. Silva Morais e um defesa nabantino ainda tocaram na bola, mas ter-se-ão atrapalhado um com o outro e ela seguiu, lentamente, para a baliza.

Resultado final: 4-1.

 

In http://uniaotomar.wordpress.com - (“A Bola”, 27.10.1975 – Crónica de Santos Neves)


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