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Quarta, 20 Outubro 2021
ALMEIRIM NÃO FOI PROBLEMA E A «LÓGICA» ACONTECEU: U. Tomar – 0 Sporting – 1 Taça de Portugal PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 02 Junho 1969 22:52

690602-u_tomar_sporting_taca_portugal_smallNa planície ribatejana, jogou-se a segunda «mão» dos quartos-de-final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o União de Tomar, jogo que não se efectuou na também ribatejana cidade do Nabão pelos motivos que são de todos conhecidos – o rectângulo do Estádio Municipal está em obras que o aprontarão para receber relva.

Planície toda verde, iluminada e aquecida por um sol que quis deixar boa recordação de um Maio antipático, quase todo ele feito de chuvas, frio e ventania.

Como ilha no meio de árvores de fruto, cultura de ervilhas vinhedos, que se perdiam até a vista topar com a linha azulada dos montes, o campo do Almeirim, chamado de novo, porque naquele local, ainda em Agosto, nada havia que fizesse supor a construção de um parque desportivo de certo interesse, com o seu rectângulo alizado e regado, a bancada impecável de limpeza, com capacidade para setecentas pessoas, mas onde se meteram muitas mais, e o peão areoso a transbordar, sugeria dia grande.

 

A bancada, com uma nota de modernismo nas instalações, foi, de facto, feita para outro escalão de jogos e daí se ter enchido de forma a duvidarmos se teria havido o necessário respeito pela sua lotação. E os bilhetes eram bem caros, pois, duas horas antes do encontro começar, não havia uma bancada nas bilheteiras e os «contratadores (?) vendiam-nas a oitenta escudos, para as aumentar para cem poucos minutos antes das quatro horas.

O rectângulo mereceu a nossa atenção. Fomos pisá-lo, muito antes dos jogadores, e não temos em dúvidas em afirmar que é melhor do que era o do União de Tomar, coberto de areia do rio.

Quanto às dimensões as de qualquer estádio: 105×74.

 

É claro, teria sido melhor para todos se o jogo se tivesse realizado num relvado, mas já que eram aquelas as condições em que as duas equipas tinham de actuar, ao menos que não se encontrasse como solução um terreno de dimensões mínimas e com o público em cima dos futebolistas.

E não vamos também admitir que toda a falta de qualidade que especificou o jogo teve origem no facto do rectângulo ser pelado. Bom jogador, joga também na terra batida. Pode é não jogar tão bem. Mas sempre terá oportunidade de mostrar o que sabe e o que vale, começando até por se ambientar ao campo.

Um exemplo? José Morais. Para ele não houve problemas. Jogou, correu, foi útil a médio, foi útil na frente, teve actividade que justifica chamada especial. Outro?? Pois bem, temos Caló, porventura o melhor no terreno.

 

A actuação de uma equipa pode depender do valor do desafio que vai disputar e do adversário, como é evidente.

Esta ideia foi-nos sugerida pelo comportamento dos «leões». Comportamento que nos trouxe algumas dúvidas sobre o «momento da equipa». Pensávamos (e tínhamos motivos para isso) que o Sporting tinha encontrado, neste fim de época, um caminho para grandes cometimentos, que podiam culminar com o triunfo na Taça. Os jogadores mantinham (mesmo nos treinos) certa frescura e, nesta altura da temporada, esse trunfo é muito importante. Ao fenómeno físico, tinha-se juntado a moralização que os resultados conseguidos também justificavam.

Ontem, a turma «leonina» pouco fez para confirmar o que dela se tem dito. E daí a dúvida que nos assaltou sobre o seu grau de possibilidades, agora que vai entrar nas meias-finais.

 

Bem sabemos que as circunstâncias em que se actua, tem o seu quinhão de influência na produção de jogo, no empenho dos futebolistas e, por reflexo no trabalho global da equipa. Exigir que o Sporting se tivesse batido ontem como, de certo, lutaria se precisasse forçosamente de ganhar, é utopia. O tempo em que uma equipa entrava para o campo para ganhar, sempre para lutar, sempre para correr, já passou. A economia de esforços e a sua utilização têm de fazer parte da bagagem de um «team», se ele quer ser grande e saber competir nas bases em que, actualmente, se joga: épocas sobrecarregadas com desafios oficiais, do calendário interno e do internacional, partidas nos «espaços livres», que começam logo a seguir ao descanso obrigatório de vinte dias, ou até antes das férias, se for necessário.

Equipa económica pode durar mais do que a que não se preocupa com economias, porque não tem mais do que cumprir o seu calendário oficial, porque, por norma não tem um lote de jogadores com técnica suficiente para se desempenharem a contendo de um papel que não é nada fácil de representar.

Para os jogadores das equipas de ….. lidade da descida –  o que conseguiu com certo brilhantismo.

Portanto, tudo o que lhe está sucedendo, tem a lógica das coisas inevitáveis.

 

Verdadeiramente, a turma de Tomar nunca se impôs por um fio de jogo, por um esquema, por um conteúdo revelador de organização. O União de Tomar de ontem não foi o mesmo dos jogos do «Nacional», o mesmo que defrontou e venceu o Sporting, em Tomar, e empatou em Lisboa. Está, como se diz na gíria futebolística, nas «lonas».

Fez, realmente, um esforço gigantesco para salvar as aparências. E conseguiu salvá-las até certo ponto. A sua resistência valeu, afinal, o jogo. Sem ela, o desafio ter-se-ia tornado de uma monotonia difícil de suportar.

Quando lhe faltou o estimulante, que representava o golo (um golo alcançado com o marcador em branco, entenda-se), faltou-lhe tudo. O ponto dos «leões» a alargar ainda mais o fosso que ao espectador neutral já parecia enorme antes dele, o conjunto desmoronou-se. Ficaram apenas de pé os que ainda mantinham uma réstea de força alimentada pelo temperamento.

 

Todavia, a equipa soube valorizar o espectáculo e manter durante uma hora certinha umas certas dúvidas quanto ao desfecho da partida. Já não foi nada mau.

Numa análise ao trabalho dos jogadores, diremos que Conhé esteve bem, não se lhe podendo assacar responsabilidades no golo sofrido. O mesmo não se pode dizer de Santos que fez grande parte do primeiro tempo em missão impossível de sustentar e que até ao golo, altura em que saiu, não destoara.

Kiki e Barnabé não jogaram mal. Melhor, o segundo. Mas, no sector defensivo, esteve o melhor elemento do União e talvez o melhor em campo. Trata-se de Caló. Grande jogo. Autoridade, poder físico, excelente visão e tempo de entrada nos lances. Boas entregas também. Índice magnífico, realmente.

Ferreira Pinto foi o jogador mais lento do conjunto. Não conseguiu ter influência. Cláudio esteve uns furos acima dele e foi exímio nas jogadas em que fazia a bola correr. O seu segundo tempo foi, porém, muito mais fraco.

 

Os dianteiros não estiveram felizes. Alberto, muito combativo, desperdiçou oportunidades e destruiu, por isso mesmo, toda a sua aparente utilidade como lutador. Lecas também não foi feliz. Totoi alternou jogadas bem executadas com outras menos perfeitas.

Dui jogou pouco tempo e quando entrou já o Sporting tinha marcado o golo. Já era um jogo sem interesse.

Quanto ao Sporting, a opinião já manifestada. E onde está a verdade? Pouca iniciativa, pouca velocidade, por interesse próprio? Ou porque alguns jogadores não colaboram mesmo numa melhor produção de jogo? Talvez, realmente, no meio termo esteja a verdade.

E a verdade é que os «leões» tiveram defeitos e erros de palmatória. Que nada têm a ver com uma possivelmente projectada economia de esforços.

Damas, no entanto, jogou bem, se lhe descontarmos aquela saída, na primeira parte, que deixou a bola nos pés de Lecas para um golo que este não soube marcar. De resto, fez um jogo regular, sem grandes rasgos, mas sempre atento e seguro.

 

Não foi correcto quando, no findar do encontro, chutou uma bola contra o público. Calculamos, porém, que parte desse público (atrás da baliza) também não tenha sido muito simpático para com ele. De qualquer forma, devia limitar-se a solicitar ao árbitro que pusesse as autoridades ao corrente do que se passava e não agir, por sua conta, numa demonstração de força absolutamente dispensável.

Os defesas do Sporting brilharam e comprometeram. Brilhou Pedro Gomes, o defesa mais em forma, andou pela regularidade Hilário, ainda longe do Hilário normal, comprometeram Alexandre e Armando, que não se entenderam e perderam lances que defesas têm obrigação de ganhar. Alexandre Baptista ainda logrou subir. Armando é que não.

 

Médios a jogar, na maior parte do tempo, a meio gás. Pedras alternou o bom com o mau. No entanto, sempre que punha mais um pouco de alma no seu jogo, tudo melhorava. Excelentes o golo e o passe que fez a Chico e que também teria dado golo se…

Gonçalves ainda não está em forma. Tem de jogar. José Morais é hoje, o grande motor da equipa. Jogou bem a médio e jogou bem na linha dianteira. Onde ele está, há vida.

Chico não tomou iniciativas. Deu seguimento a parte do jogo que lhe foi endossado. Não foi muito além. Marinho também não esteve em dia feliz. Oliveira Duarte, ainda menos. Mas o extremo-esquerdo do Sporting não pode ainda encontrar-se em perfeita forma física.

Finalmente, João Carlos não teve actuação que o destacasse dos colegas mais mal classificados.

 

Ficámos com dúvidas


Ficámos com dúvidas sobre o valor do trio de arbitragem. A primeira parte foi mesmo um desastre: foras-de-jogo sem motivo justificado, decisões erradas, um golo mal anulado, marcação de faltas com a bola em movimento. Enfim, tudo muito mau.

A segunda parte foi melhor. Por que não surgiram problemas? Por que tudo foi mais fácil. Ou por que o árbitro soube dirigir os últimos quarenta e cinco minutos como não conseguira dirigir os primeiros? Ficámos na dúvida. E ainda a temos.»

 

Campo Novo, em Almeirim

Árbitro – Rogério Moreira, de Braga

U. TOMAR – Conhé; Kiki, Caló, Faustino e Barnabé; Santos (60m – Dui), Ferreira Pinto (cap.) e Cláudio; Lecas, Alberto e Totoi

SPORTING – Damas; Pedro Gomes, Armando, Alexandre Baptista (cap.) e Hilário; Gonçalves, José Morais e Pedras; Chico, Marinho e Oliveira Duarte (45m – João Carlos)

0-1 – Pedras – 60m

 

«Ao intervalo: 0-0.

O único golo da partida ocorreu ao quarto de hora do segundo tempo.

Falta contra os tomarenses, que estes protestaram (e ficaram a protestar mesmo depois da bola ter sido movimentada), cobrada por Chico que tocou a bola na direcção de José Morais. Este, utilizando o calcanhar, solicitou a entrada de Pedras, que entrou na grande área do União, sem adversário a impedir-lhe a movimentação, teve tempo de parar e atirar, aliás muito bem para o canto esquerdo da baliza de Conhé, sem dar ao «keeper» quaisquer possibilidades de defesa.

Substituições: uma para cada lado. No União de Tomar, Dui entrou para o lugar de Santos, aproveitando a interrupção de jogo, quando do golo sportinguista. No Sporting, Oliveira Duarte foi substituído por João Carlos durante toda a segunda parte.

 

In http://uniaotomar.wordpress.com - (“A Bola”, 02.06.1969 – Crónica de Homero Serpa)


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