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Quinta, 09 Dezembro 2021
Entrevista a Dias Ferreira “Poderei fazer a ponte entre os extremos e ser o presidente de todos os sportinguistas” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 24 Março 2011 21:51

110324_dias_ferreira"Concentrei-me a montar um projecto com uma equipa, com um treinador, com um director desportivo, porque o futebol é a mola real do clube"

 

Ex-presidente da mesa da assembleia-geral do mandato de José Eduardo Bettencourt, Dias Ferreira rejeita qualquer colagem às lideranças leoninas dos últimos anos. Promete mudar o clube e trazer um novo rumo, com uma aposta forte no futebol, mas rejeita cortes radicais com o passado.

Depois de duas candidaturas à presidência do Sporting em que desistiu, à terceira foi de vez. Porque decidiu avançar?


Candidatei-me agora mais decididamente do que nas ocasiões anteriores. Resolvi que não tinha de ouvir nada nem ninguém, nem tinha de pedir autorização, fosse a quem fosse. Concentrei-me a montar um projecto com uma equipa, com um treinador, com um director desportivo, porque o futebol é a mola real do clube. As minhas ideias, que tenho vindo a defender há vários anos, são estas, e, para cumprir o meu projecto, as pessoas principais são estas. Constituí também a minha equipa para as outras áreas fundamentais do clube, procurei escolher pessoas novas e, para tal, andei a “pescar à linha”: a juntar sportinguistas que, embora nunca tivesse desempenhado qualquer cargo no clube, eram pessoas de grande qualidade e estatuto. Uma mais-valia para o clube. Sou alguém que quer mudar, mas não do avesso.

A sua presença na presidência da mesa da assembleia-geral de José Eduardo Bettencourt também o cola um pouco à continuidade…

Não. Presidi um órgão independente e não executivo, só solidário com a direcção do ponto de vista ético. A acusação de ser um elemento da continuidade pretende apenas colar-me ao projecto Roquette, que eu efectivamente, e não tenho vergonha de o dizer, comecei por apadrinhar. Tenho também a humildade de reconhecer que este projecto falhou e não foi aquilo que, inicialmente, apresentaram aos sócios, que parecia, nos seus princípios, consensual: rentabilização do património e deixar de depender da bola que bate na trave. Foi assim que a coisa foi apresentada, tudo acompanhado de desenhos, mapas e projectos. Em 2005, veio a verificar-se que tudo isto não era verdade e, a partir desse momento, manifestei a minha discordância. Mas critiquei sempre, propondo soluções alternativas, que não foram aceites porque as pessoas preocupam-se mais em escolher pessoas do que a escolher ideais.

Já em relação ao candidato Godinho Lopes não hesita em colá-lo à continuidade?

Não tenho dúvida nenhuma disso. Com a agravante de ter junto de si pessoas que, anteriormente, estavam em manifesta oposição ideológica e até pessoal. Há incoerência nos elementos que integram esta candidatura. Não auguro nada de bom no caso, pouco provável, de esta lista ganhar as eleições.

Porque recusou o convite deste candidato para vir a ser o representante do Sporting junto da Liga e Federação Portuguesa de Futebol?

Recusei liminarmente, concluindo que esta era a prova provada de que Godinho Lopes não tinha perfil para ser presidente do Sporting. Aparentemente nem ele, nem um futuro administrador delegado da SAD [Sociedade Anónima Desportiva], que é quem gere todos os assuntos relacionados com o futebol, parecem querer desempenhar essas funções, porque não têm capacidade para o fazer, convidando alguém, com a categoria de assessor. Essa seria uma função do presidente, que ele delega por não perceber nada do assunto. Juntou-se pessoas para ganhar eleições e não com qualidade e capacidade para desempenhar funções importantes.

Foram questões estruturais ao nível do futebol que o levaram a não unir esforços com o candidato Bruno de Carvalho?

Não. Acho que estamos em posições diferentes. As sondagens que têm surgido, sem grande base científica, procuram bipolarizar estas eleições, o que não tem em conta as pessoas que não querem os pólos opostos. É por isso que estes estudos têm também vindo a demonstrar a existência de muitos indecisos, que são, na minha opinião, os sportinguistas da bancada, que sentem as coisas extremadas. Mas uma coisa é inequívoca: a esmagadora maioria dos sócios do Sporting entende que é preciso mudar. Há, no entanto, duas formas de mudar: ou mudar do avesso o clube; ou mudá-lo fazendo as reformas necessárias, dentro dos seus princípios e valores e com projectos construtivos que permitam estabilidade. Tudo dentro dos objectivos que o clube deve ter e de de acordo com a tradição dos fundadores.

Bruno de Carvalho significaria uma mudança “do avesso”?

Na minha opinião, sim. Seria uma mudança completa, fora do habitual. E mais: parece-me uma mudança em que as decisões fundamentais do Sporting, sobretudo no que respeita ao futebol, seriam condicionadas. Mas esta situação seria idêntica para as duas candidaturas que estão nos pólos opostos. No caso de Godinho Lopes, seria condicionado pela banca credora; no caso de Bruno de Carvalho, pelo fundo.

Esperaria há um mês atrás a popularidade deste candidato?
É a questão da bipolaridade. A popularidade de Bruno de Carvalho é potenciada pela existência de um candidato da continuidade que, dia a dia, se mostra cada vez mais derrotado. É um pouco a imagem do futebol actual do Sporting. A comunicação social tende a considerar Bruno de Carvalho como a única alternativa para a mudança e têm atirado para ele muitos dos sócios com vontade de mudar. Esquece que há outro candidato, que se sente capaz de mudar, com capacidade e experiência, com propostas concretas e que dá rostos aos seus modelos. Essa pessoa sou eu.

Com tantas candidaturas e na eventualidade de uma dispersão de votos, o próximo presidente terá a vida complicada pela oposição?
Se qualquer um dos extremos ganhar, posso dizer, quase seguramente, que não ganhará com maioria absoluta, portanto o desequilíbrio será muito grande. Se com grandes maiorias, como a que teve Bettencourt, o mandato durou um ano e meio, imagine no cenário actual. Isso será prejudicial para o próprio clube e quero chamar a atenção dos sócios do Sporting para isso: não vão para situações extremas, mas dêem a maioria a quem pode fazer a ponte entre os pólos e ser o presidente de todos os sportinguistas. Comigo isto muda com firmeza, mas não de forma extremada.

Uma das principais críticas à sua candidatura é estar demasiado centrada nas questões do futebol e esquecer a componente financeira…

Tem de ser assim. Eu tenho de cuidar do meu negócio. O que realmente está mal no Sporting é o futebol, com a sua crise de sucesso a contaminar o clube. E o Sporting só pode sair da situação onde está com sucesso desportivo, a única forma de atrair mais gente ao espectáculo, mais sócios, mais merchandising, mais participação em provas internacionais que dão dinheiro. Agora, se eu não invisto no meu negócio, porque tenho de estar sempre a pagar aos meus credores, tenho um problema. É o problema de encontrar investidores e não credores para gerir o clube. A solução é a entrada de capital novo e fresco na SAD, porque elas foram exactamente criadas para atrair investidores.
Mas acusam-no de não ter grandes projectos para sanear as contas do Sporting…
Mas tenho este projecto que falei de investimento no futebol, que nos tira da dependência da banca no imediato. E não compreendo que a banca não queira esta solução. Se eu não desenvolver o meu negócio, com novos parceiros, nunca mais pago a dívida.

Vai apostar também na constituição de um fundo de jogadores?

Os fundos não resolvem problemas de fundo, mas apenas problemas pontuais, porque o Sporting tem necessidade de ganhar no imediato. Tem de criar uma equipa competitiva. Para resolver o problema de contratar jogadores de maior qualidade no imediato, o esquema mais simples serão os fundos, mas há outras formas. É para resolver problemas imediatos de tesouraria que recorremos a fundos. Na minha opinião, para já, em termos estratégicos, temos de apostar na formação e, no futuro, procurar reduzir a dívida com maior investimento, para a SAD ir crescendo.

Já anunciou ter investidores, mas que não os pode nomear por questões de sigilo…

É evidente. Quando estamos a tratar de coisas sérias, os verdadeiros investidores não querem ser revelados antes de tempo. Querem primeiro estudar o negócio e saberem da credibilidade de quem estará à frente do clube. Agora, a escola de formação de excelência que o Sporting apresenta, torna-o muito apetecível para os investidores. Não conheço directamente alguns deles, mas sim as pessoas que os trazem, já que, algumas delas, fazem parte da minha equipa. Estão muitos milhões envolvidos e os investidores não devem ser exibidos como numa loja de “banha da cobra”. Jamais farei isso.

Como idealiza a estrutura para o futebol?

Um presidente executivo, para gerir com equilíbrio e gestão financeira adequada, mas com conhecimentos do que é um clube de futebol. Como seu braço direito um director desportivo, que será Paulo Futre, que fará a ligação e estará em sintonia com um treinador, no caso Frank Rijkaard. Estes três elementos em sintonia, ajudados por outras pessoas, tanto na área administrativa como desportiva, são mais que suficientes para construírem um projecto para o futebol. O presidente só se meterá nas questões técnicas e desportivas, como a contratação de jogadores, na hora da decisão. Terá a última palavra.

Vai apresentar alguns nomes de reforços para a equipa nos próximos dias?

Sim, Paulo Futre deverá apresentar alguns nomes esta quinta-feira. Mas é preciso ver que, neste momento, e face a esta situação de candidato e de campanha eleitoral, os acordos que haverá com os jogadores não se traduzem em documentos que sejam juridicamente seguros. Não passam de cartas de intenção ou até de apertos de mão, em que as pessoas ficam presas à sua palavra. E, face a algumas situações contratuais, nem todos podem ser apresentados.

 

In publico.pt


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