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Quinta, 09 Dezembro 2021
Ricardo. "No Leicester chamam-me lenda" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 26 Março 2011 16:01

110326_ricardoE esta? Ricardo foi para Inglaterra ser colega de Darius Vassell, aquele avançado contra quem defendeu um penálti sem luvas. Está visto, é uma estrela

 

Não é fácil encontrar um ex-jogador do Sporting que não tenha o nome metido na campanha para as eleições do clube. As listas foram à procura de tudo, até de Ricardo, o último grande guarda-redes dos leões (Patrício ainda não leva a mal que se escreva isto), mas o internacional português fez o que mais gosta: ficou na sombra. A sua cabeça está em Inglaterra, onde agora volta a jogar no Leicester, depois da paragem em Espanha, o país que o fez pensar em abandonar a carreira. Mas não, aí está Ricardo com um entusiasmo de miúdo como se aos 35 tivesse recebido a primeira bola. É sexta-feira, atende em casa, ouvem-se os gritos das crianças e ninguém o tira dali - nem as eleições do Sporting.


Ricardo, boa tarde. Já está em Portugal?

Já, sim senhora!

Então ainda veio a tempo de votar nas eleições do Sporting.

Não... Nem vou sair de casa.

Mas não é sócio?

Sou.

Não me diga que nenhuma lista o procurou. Houve aí tanta caça...

Sim, procuraram-me, mas o meu apoio não tem de ser público.

E o que lhe diz este Sporting?

Vive um momento de convulsão, de transição, é preciso apelar ao bom senso porque a equipa ainda está a disputar jogos importantes, atrás de um objectivo. As pessoas têm de proteger a equipa.

O João Pereira tinha tocado nesse assunto. Afinal, de repente parece que no Sporting é tudo mau.

A questão também não pode ser levada para aí, isso também é dramatizar. Eu, se estivesse dentro, também não gostava de ter ouvido tanta coisa que foi dita, mas o essencial é que os jogadores que lá estão são profissionais dignos que merecem ser respeitados como tal.

O clube ainda tem alguma coisa a ver com o do seu tempo?

Não se trata de dizer se está melhor ou pior, mas as dificuldades estão à vista de toda a gente devido a um conjunto de circunstâncias. O maior trunfo de quem conseguir ganhar as eleições é dar a volta a todos os factores externos que até aqui têm prejudicado a equipa.

Falemos mais do Ricardo e menos de eleições: finalmente chegou a Inglaterra, mas já aí podia estar há muito.

Só não fui para Inglaterra porque não quis, adiei várias vezes a minha saída do Sporting e acabei por não aceitar as propostas que tinha. Isto é como os melões, só depois de abertos... Fui para Espanha [Bétis de Sevilha], pesei vários factores juntamente com a minha família e talvez, se tivesse analisado só a questão financeira, Inglaterra teria sido o destino. As coisas não me correram bem mas não me arrependo.

E no Leicester?

Agora estou contente, a adaptar-me a outro tipo de futebol. A envolvência é diferente, o clube tem nome em Inglaterra e estamos a tentar subir à Premier League já este ano. Não vai ser fácil, o campeonato é muito competitivo. Já tinha visto, tinha ideia, mas ainda não tinha jogado. É muito difícil ganhar jogos.

Então ainda se imagina a jogar na Premier League...

Sim, esse foi um dos factores principais que me fizeram aceitar a proposta, esse e o treinador que me chamou.

Eriksson.

É um homem pelo qual todos os jogadores têm um grande apreço. A sua insistência foi grande e quero ajudar, tenho tido alguns contratempos, numa semana uma lesão num dedo do pé, na outra num dedo da mão, mas tenho feito das tripas coração para tentar ajudar.

Ainda não tirou as luvas para defender um penálti?

[Risos] Não, não, nem o podia fazer com o colega que tenho na equipa!

O que lhe disse o Darius Vassell [o inglês perante quem Ricardo retira as luvas e defende um penálti à Inglaterra, nos quartos-de-final do Euro-2004] quando percebeu que iam ser colegas?

Epá, falamos muito, ele é uma pessoa supertranquila e amável. Quando me viu pela primeira vez não acreditava que eu estava ali. Não houve notícias, eu só tinha falado com o treinador e quando cheguei e nos cruzámos ele não acreditava. "Não acredito, não acredito, a minha sina é esta...", dizia ele.

O Ricardo não é propriamente desconhecido para os ingleses, certo?

É uma sensação fantástica. Ainda por cima tudo isto vem de um futebol honesto, sério, no qual me revejo muito. Estou num clube com outra cultura, onde há contacto com os miúdos da formação, são eles que nos limpam as botas, na esperança e no sonho que algum dia alguém limpe as deles. Em Inglaterra este espírito é normal, ainda existe, temos contacto com os mais novos e eles chamam-me "a lenda", "a lenda", "a lenda"! Viram-me defender com 13 ou 14 anos e hoje alguns treinam e jogam na equipa principal. Há muito respeito. No final do jogo com o Portsmouth, do Ricardo Rocha, o treinador de guarda-redes deles veio pedir-me a camisola. São coisas que nos fazem bem e nos enchem o ego...

E a selecção? O Paulo Bento disse há uns tempos que a porta estava aberta para si.

Vou estar sempre disponível para o meu país, para jogar, para tudo o que for preciso. Já o transmiti às pessoas, conhecem-me e eu a elas; sou o que sou e gosto tanto deles, do Paulo [Bento] e da sua equipa, estando longe ou estando perto.

A curiosidade é que tem 79 internacionalizações e precisa de mais duas para ser o guarda-redes português mais internacional de sempre.

Não é "precisar". Orgulho-me da carreira que fiz. Só gostava era de saber o porquê de nunca ter sido chamado à selecção na fase em que ainda jogava em Espanha e ninguém ter discutido esse assunto. Um dia mais tarde irá perceber-se...

Mas não quer concretizar?

Não... Olha, eu tenho um orgulho enorme em representar o meu país, mas tenho uma mágoa cá dentro: ainda não tenho a medalha de ouro dos 75 jogos pela selecção nacional. Cada vez que olho para o meu passado, acho... acho não, tenho a certeza absoluta que mereço ter essa lembrança em casa, para poder vê-la todos os dias. Mas levanto-me com motivação para jogar, pareço de novo um miúdo porque me deixam fazer o que gosto e o futuro ainda me vai trazer coisas boas, se Deus quiser.

Falou recentemente com o Vítor Baía? Houve alguma aproximação recente?

Não se trata de aproximar ou não. Fui colega do Vítor Baía numa altura em que as coisas não lhe correram nada bem, quando passou por uma lesão muito grave e acho que fui aquilo que um colega de profissão podia ser, dei o que podia dar. Um dia mais tarde, se falarmos, haverá muito para dizer, mas como é óbvio nunca publicamente.

Em tempos chegou a dizer que não o conhecia...

Na altura, as constantes solicitações... qualquer conversa ia dar sempre ao mesmo assunto e até já devia chatear os leitores. Se calhar isso foi uma forma de acabar esse assunto. Já disse e repito, o Vítor foi uma referência para mim, como foi o Bento, o Damas e outros internacionais. Nunca o escondi, mas as pessoas fizeram muitos filmes.

Onde é que vai estar daqui a dois ou três anos?

A única coisa que peço a Deus é que me ajude a não ter lesões graves. Se não tiver nada grave, com esta alegria - que não tive no último ano e pouco e me fez pensar abandonar a carreira - sinto-me um miúdo com a força de quando tinha 19 ou 20 anos e fui para o Boavista. Levo uma vida regrada e enquanto tiver força cá estarei.

Se abandonasse a carreira ganhava-se o quê? Um jogador de golfe?

Isso não interessa nada, é como jogar às cartas. Nos momentos difíceis nem tinha paciência para pensar nisso, só naqueles que sofriam comigo.

Já jogou golfe em Inglaterra?

Epá, estou tão envolvido no Leicester que nem penso ou tenho tempo para isso. Há um clima à volta do clube que nos absorve, não estamos ali para jogar uma final da Liga dos Campeões, mas o comprometimento é total.

E a relação com os jornalistas? Houve muitas fases da sua vida em que preferiu não atender o telefone.

Epá... Epá... Só vivendo as situações é que aprendemos a lidar com elas. Não estou a criticar ninguém, mas vi pessoas que tinha como amigas que me desiludiram bastante, passavam por mim e mudavam de passeio com vergonha do que fizeram ou disseram. Como não bato ou não ofendo ninguém, a única coisa que podia fazer era ignorar. Neste momento estou num país em que há uma diferença de trato muito grande, há respeito a todos os níveis. Somos ídolos e tratam-nos como tal, mesmo depois de se perder um jogo em casa. É outra cultura...

 

In ionline.pt


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