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O mérito de Bruno de Carvalho PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 28 Março 2011 16:19

110328_bruno_CarvalhoO candidato pela lista C conseguiu aquilo que tem sido muito raro pelos lados de Alvalade: devolver a esperança e fazer sócios e adeptos (pelo menos 36%) acreditar

 

O problema do Sporting não é o terceiro lugar deste ano. Nem o quarto lugar do ano passado. Aliás, arrisco-me a dizer que o problema do Sporting, pelo menos o grande problema, nunca foi a classificação. É óbvio que uma equipa campeã ajuda a dar uma dinâmica diferente a um clube, que junta mais adeptos e, quase por inerência, mais sócios.

 

Nasci em 1985, logo no início do grande jejum do Sporting, e sempre andei em turmas com muitos sportinguistas. Podiam ser menos que os benfiquistas, mas existiam. E cresceram assim, independentemente da sátira insistente de nunca terem visto o seu clube ser campeão. Resistiram sempre e, ao contrário do que se poderia pensar, alguns deles não eram do Sporting por causa da família. Eram do Sporting porque sim, porque se identificavam, porque gostavam do clube, dos seus jogadores e do espectáculo.

 

Essa é a geração que se habituou a crescer com jogadores como Balakov, Figo, Cadete ou Juskowiak. Que tinha Peixe, Valckx, Sá Pinto ou Cherbakov. Esse Sporting não ganhava, esse Sporting fixava-se quase sempre em terceiros e quartos lugares, mas era um Sporting que entusiasmava. Era um Sporting que atraía pessoas ao estádio e que, apesar do mito do Natal, permitia aos adeptos serem sportinguistas o ano inteiro. Era um Sporting que no final do ano permitia que os adeptos dissessem "para o ano é que é". E diziam-no acreditando.

 

Este Sporting está longe, muito longe desse Sporting. As figuras do plantel já não existem. Liedson foi o último dos verdadeiros símbolos dos últimos anos a abandonar. As crianças de hoje não crescem boquiabertos com as jogadas de Salomão, com os golos de Postiga ou a genialidade de Matías, especialmente se os compararmos com Figo, Cadete ou Balakov. Hoje os adeptos já não dizem "para o ano é que é" e, se o disserem, provavelmente não acreditarão.

É duro dizer cabalmente que o Projecto Roquette falhou. O Sporting seguiu um caminho que FC Porto e Benfica também enveredaram. Que clubes estrangeiros seguiram ou já tinham seguido. O Projecto Roquette falhou porque falhou nos resultados, porque tem falhado na capacidade de aliar resultados, porque confundiu prioridades e, por que não, porque nem sempre conseguiu ter os melhores intérpretes à frente do Sporting.

 

O mérito de Bruno de Carvalho foi este. O candidato da lista C fez os sócios acreditar que era possível regressar a tempos melhores. Não prometeu títulos, não prometeu um futuro brilhante e sem problemas, mas criou um cenário que permitiria pelo menos pensar num Sporting dos anos 90. Um Sporting de união, com melhores intérpretes e de sucessiva melhoria até ao renascimento total. Independentemente de inconformidades durante as eleições, o candidato vencedor teria sempre um universo de quase 65% contra si. Recordou-me um amigo que no caso de Bruno Carvalho esses 65% seriam 4511 sócios eleitores. Recordou-me outro que uma oposição desses 4511 seria mais decisiva que a oposição dos mais de 6000 que votaram em Bruno de Carvalho.

 

Não sei o que vai acontecer agora. Sei que Godinho Lopes tem uma tarefa difícil. Presumo que seja o único presidente da história que ouviu protestos para se demitir mesmo antes de ser empossado. Se tudo se mantiver assim, terá três anos a ferro e fogos e com a obrigatoriedade de apresentar resultados. O anterior candidato da lista A, sócio há 17 anos (sensivelmente desde a mesma altura que o projecto Roquette entrou em marcha), gabou-se várias vezes de ter conquistado dois títulos enquanto desempenhou funções nos leões. Agora, para poder ter um segundo mandato, terá de conquistar pelo menos um. Se o Sporting se mantiver nesta toada morna de prioridades trocadas e excessiva dependência da banca, Bruno de Carvalho terá tudo para ser mesmo presidente, desde que o queira. Contudo, em vez de o ser com 39, será com 42.

 

In ionline.pt


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